Redes cooperativas de pesquisa no Brasil: uma análise espacial e regional dos Sistemas Territoriais de Inovação

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Ricardo Alexandrino Garcia
Ana Cristina de Almeida Fernandes
Igor Santos Tupy

Resumo

Este trabalho se organiza em três eixos principais. O primeiro explora a relação entre história, política, desenvolvimento e o surgimento de novas tecnologias e produtos, em um contexto de transformação dos modos de desenvolvimento e acumulação. Argumenta-se que a Economia da Informação e do Conhecimento (EIC), embora não seja uma explicação única, é fundamental para compreender o funcionamento do sistema capitalista, especialmente a partir dos anos 1980. A EIC e seus formuladores, os evolucionários, oferecem perspectivas reveladoras sobre os aspectos institucionais e cognitivos que sustentam o desenvolvimento e o subdesenvolvimento no mundo atual, introduzindo conceitos essenciais como os Sistemas Nacionais de Inovação (SNI) e, em uma abordagem multiescalar, os Sistemas Territoriais de Inovação (STI). O segundo eixo aborda as atividades econômicas em sua expressão geográfica, investigando onde se localizam, como interagem com o território, como se regionalizam e em quais escalas se reproduzem, além de questões de equilíbrio e desigualdade. Embora essas discussões não sejam exclusivas dos evolucionários, permanecem centrais para a Geografia Econômica. Estudos recentes sobre inovação e espaço têm se destacado por sua relevância para o desenvolvimento regional, integrando perspectivas das teorias sistêmicas evolucionárias. Esses estudos enfatizam a importância da construção de instituições públicas e privadas voltadas ao financiamento e à minimização de riscos em atividades de pesquisa realizadas dentro e fora das firmas. Destacam-se, também, o fortalecimento das universidades e seus vínculos com o tecido produtivo, o equilíbrio entre colaboração e competição entre agentes econômicos, e o papel crucial da interação e da transmissão de conhecimento tácito no território, fatores que impulsionam inovações radicais e geram efeitos positivos de externalidade. Esses dois eixos convergem no objeto de pesquisa: as Redes Cooperativas de Pesquisa (RCP), que representam a interação entre sistema universitário, produtivo e governamental. Assim, o objetivo principal é realizar uma análise espacial e regional abrangente das RCP e seus efeitos sobre os Sistemas Territoriais de Inovação no Brasil. A análise considera tanto o SNI brasileiro quanto os Sistemas Regionais de Inovação (SRI) na escala das Regiões Imediatas (RI). Argumenta-se que o desenvolvimento e a maturação dos STI dependem do equilíbrio entre a Interação Universidade-Economia (IUE) e a produção de ciência, tecnologia e inovação (CTI). O terceiro eixo abrange os exercícios empíricos e os métodos utilizados para alcançar os objetivos do estudo. Para isso, foi construída uma base de dados regionalizada, englobando tanto as RCP quanto os ativos de CTI das RI. Com base nesse conjunto de dados e na literatura, são aplicados métodos quali-quantitativos e representações gráficas. Os resultados indicam que as RCP vão além de simples conexões entre grupos de pesquisa (universidades) e parceiros econômicos, abrangendo fluxos de conhecimento no território, a capacidade institucional do sistema público e privado brasileiro de absorver e gerar novos conhecimentos, e as trajetórias históricas das regiões. Conclui-se que os produtos inovadores são fortemente interdependentes das RCP, com efeitos de feedbacks positivos, mas também são marcados por desigualdades regionais enraizadas na evolução histórica da economia política.

Abstract

This work is structured around three main axes. The first explores the relationship between history, politics, development, and the emergence of new technologies and products within a context of transformation in development and accumulation modes. It is argued that the Information and Knowledge Economy (IKE), while not a standalone explanation, is fundamental to understanding the functioning of the capitalist system, especially from the 1980s onward. The IKE and its proponents, the evolutionary economists, offer revealing perspectives on the institutional and cognitive aspects underlying development and underdevelopment in the contemporary world, introducing essential concepts such as National Innovation Systems (NIS) and, in a multiscalar approach, Territorial Innovation Systems (TIS). The second axis addresses economic activities through their geographic expression, investigating where they are located, how they interact with the territory, how they regionalize, and in what scales they reproduce, while also considering issues of balance and inequality. Although these discussions are not exclusive to evolutionary economics, they remain central to Economic Geography. Recent studies on innovation and space have gained prominence due to their relevance to regional development, incorporating perspectives from systemic evolutionary theories. These studies emphasize the importance of building public and private institutions aimed at financing and mitigating risks in research activities conducted both within and outside firms. They also highlight the strengthening of universities and their connections to the productive fabric, the balance between collaboration and competition among economic agents, and the crucial role of interaction and tacit knowledge transmission within the territory—factors that drive radical innovations and generate positive externalities. These two axes converge in the research object: Cooperative Research Networks (CRN), which represent the interaction between university, productive, and governmental systems. Thus, the main objective is to conduct a comprehensive spatial and regional analysis of CRN and their effects on Territorial Innovation Systems in Brazil. The analysis considers both the Brazilian NIS and Regional Innovation Systems (RIS) at the Immediate Region (IR) scale. It is argued that the development and maturation of TIS depend on a balanced relationship between university-economy interaction (UEI) and the production of science, technology, and innovation (STI). The third axis encompasses the empirical exercises and methods employed to achieve the study's objectives. To this end, a regionalized database was constructed, encompassing both the CRN and the STI assets of the IRs. Based on this dataset and the literature, qualitative and quantitative methods are applied, along with graphical representations. The results indicate that CRN extend beyond simple connections between research groups (universities) and economic partners, encompassing knowledge flows within the territory, the institutional capacity of Brazil's public and private systems to absorb and generate new knowledge, and the historical trajectories of regions. It is concluded that innovative products are strongly interdependent on CRN, with positive feedback effects, yet are also marked by regional inequalities rooted in the historical evolution of political economy.

Assunto

Tecnologia – Brasil – Disparidades regionais – Teses, Redes de informação – Aspectos econômicos – Teses, Cooperação universitária – Teses, Análise espacial (Estatística) – Teses, Brasil – Pesquisa – Teses

Palavras-chave

Sistemas territoriais de inovação, Redes cooperativas de pesquisa, Geografia da inovação, Interação universidade-economia, Análise espacial-regional

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