Estudos de prospecção, caracterização e ensaios sorológicos de vírus gigantes: analisando amostras ambientais brasileiras, soros de humanos e outros vertebrados
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Os atualmente conhecidos vírus gigantes têm sido agrupados junto à proposta ordem
Megavirales, com base em características biológicas e filogenéticas. Assim muitas características
únicas e pouco exploradas vêm sendo descritas na literatura a partir desse grupo de vírus, o que
justifica novos estudos acerca de sua biologia e circulação. O objetivo deste trabalho foi estudar
a distribuição e circulação de vírus gigantes através de análises de prospecção, caracterização e
ensaios sorológicos, de amostras ambientais, de soros de humanos e de outros vertebrados,
coletadas em território brasileiro. Esses estudos foram divididos em duas sessões. A primeira
envolveu a análise de amostras ambientais coletadas em lagoas na região metropolitana de Belo
Horizonte, e na Lagoa Central, munícipio de Lagoa Santa, ambas de Minas Gerais. Espécies de
amebas Acanthamoeba spp. e Vermamoeba vermiformis foram utilizadas como sistemas
celulares de isolamento. Para a caracterização viral, foram feitos testes biológicos e moleculares.
A segunda parte do estudo descreve a análise de amostras de soros de vertebrados (humanos,
bovinos e primatas não-humanos), através de métodos moleculares e sorológicos para a detecção
da circulação de mimivírus. Um total de 71 vírus foram isoladas e caracterizadas utilizando
amostras ambientais brasileiras. Dentre os isolados, destacam-se a alta prevalência de mimivírus
linhagem A e os primeiros mimivírus de linhagens B e C, que foram isolados e identificados a
partir de espécimes ambientais brasileiros, assim como novas amostras de marseillevírus e
pandoravírus. Um novo mimivírus da linhagem A, denominado de Kroon virus, foi
caracterizado. Em relação às análises sorológicas, foi observada uma positividade entre 4,7% e
31,6% nos testes de neutralização viral e entre 8,5% e 42,1% em relação à detecção de genoma
viral. A análise das sequências nucleotídicas virais obtidas a partir das sorotecas revelaram
polimorfismos únicos, sugerindo diversidade genética, mesmo considerando genes conservados.
Todavia, o significado biológico destes achados no contexto de eventuais patologias nas espécies
de vertebrados analisados permanece a ser investigado. Em conjunto, os dados apresentados no
presente trabalho mostram uma alta diversidade de vírus gigantes que circulam ativamente no
território brasileiro, e sugerem que as espécies de vertebrados analisadas se apresentam em
exposição a estes vírus.
Abstract
The giant viruses have been grouped into the proposed order Megavirales due to particulars
biological and phylogenetic characteristics. Exclusive characteristics have been described,
supporting new studies about the biology and circulation of giant viruses. The objective of this
work was to analyze the distribution and circulation of giant viruses by approaches involving the
prospection in environmental samples and characterization of new isolates and by analyzing the
presence of neutralizing antibodies and viral DNA in vertebrates sera samples (humans, bovines
and non-human primates). These studies were divided in two sections. The first involving
analysis of environmental samples collected from lake around Belo Horizonte city, Minas Gerais
state. The amoebas’ species Acanthamoeba spp. and Vermamoeba vermiformis were used as
cellular systems for viral isolation assays. Viral characterization, was done by biological and
molecular assays. For the second section, sera samples were analyzed by viral neutralizing
assays and by PCR and sequencing of mimiviral genes. We report the isolation of 70 new giant
viruses in this studyMimivirus lineages B and C were first reported in Brazilian environmental
samples, as well as news isolates of marseillevirus and pandoravirus. One new mimivirus lineage
A, named Kroon virus, was characterized. Regarding serological analysis, and considering the
different sera collections, we observed positivity ranging from 4.7% to 31.6% in neutralizing
assays and 8.5% to 42.1% for mimiviral DNA detection. A number of polymorphisms were
observed in mimivirus sequences amplified from sera samples, even considering conserved viral
genes. However, the biological mean of the detection of antibodies-against mimivirus and
mimivirus DNA in vertebrates remains to be investigated. Taken together, the dataset presented
in this work demonstrate the active circulation of giant viruses in Brazilian territory and suggest
that the analyzed vertebrate’s species are under explosion to those viruses.
Assunto
Microbiologia, Mimiviridae, Vírus/isolamento & purificação, Testes Sorológicos, Vertebrados
Palavras-chave
Mimivírus, Marseillevírus, Pandoravírus, Isolamento viral, Ensaios sorológicos, Vertebrados