Matriciamento em Saúde Mental com um Centro de Referência em Saúde Mental: encontros e efeitos no território da Pampulha, Belo Horizonte-MG.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Kenia Lara da Silva
Renato Ferreira Franco
Renato Ferreira Franco
Resumo
A Reforma Psiquiátrica no Brasil se contrapõe aos mais tristes atos de violência
feitos aos portadores de sofrimento mental. A Saúde Mental como Política Pública
de Saúde tem mostrado resultados por meio de serviços como os Centros de
Atenção Psicossocial (CAPS) associados a uma rede de atenção, ainda que em
constante processo de construção e necessidade de consolidação. Em Belo
Horizonte, a Atenção Primária à Saúde (APS), ou Atenção Básica (AB), é a porta de
entrada preferencial aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e se tornou,
também, referência para os portadores de sofrimento mental. A estratégia de
Matriciamento, ou Apoio Matricial em saúde mental, é uma das formas de
aproximação entre a Saúde Mental e a AB, isto é, como ponte e interlocução entre
ambos os lugares e saberes. O Matriciamento revela-se como uma proposta
pedagógico-terapêutica que visa a ampliar as possibilidades para um cuidado
integral. No presente trabalho, resgatamo-lo sob a perspectiva da gestão do cuidado
e da Educação Permanente em Saúde (EPS). Em BH, o Apoio Matricial é realizado
pelas Equipes de Saúde Mental (ESM) da AB junto às equipes da Saúde da Família
(eSF). A regional Pampulha é a única que conta com a participação permanente do
Centro de Referência em Saúde Mental Pampulha (CERSAM P) nessas reuniões.
Nesse contexto, perguntamo-nos: em seis anos, como se dá o Matriciamento em
Saúde Mental no âmbito do CERSAM P, e como se sustenta junto às ESM e às
eSF? Quais os efeitos dessa presença para qualificar o cuidado dos usuários no
território? O objetivo geral da pesquisa foi, portanto, analisar tais efeitos da
participação dos profissionais do CERSAM P nas reuniões de Matriciamento em
Saúde Mental para a qualificação do cuidado em Saúde Mental na APS da regional
em foco. Os objetivos específicos estabelecidos consistiram em investigar o histórico
de implementação e sustentação do Matriciamento em Saúde Mental na regional
Pampulha, com destaque para a presença dos profissionais do CERSAM Pampulha;
analisar as trocas realizadas entre os profissionais envolvidos a partir das reuniões
de Matriciamento; e identificar fragilidades e potências desse arranjo para a
qualificação do cuidado em Saúde Mental realizado no território da Pampulha. De
antemão, é importante destacar que consideramos as interferências da pandemia da
covid-19 no objeto da pesquisa e neste estudo. Para a fundamentação de nossa
investigação, aproximamos referenciais teóricos da pesquisa-intervenção e da
pesquisa-interferência, propondo sua articulação em uma pesquisa intervenção interferência, com a análise coletiva do arranjo local de Matriciamento, dos atores
envolvidos e das implicações da trabalhadora-pesquisadora. Percorremos uma
metodologia de observações, conversas cotidianas, diário de campo, entrevistas
com gestores e grupos focais com AB, CERSAM P e Colegiado de Saúde Mental,
além de cartografia e restituição como guias de análise dos processos e produtos.
Os resultados mostraram o histórico de implementação e sustentação do
Matriciamento e o quanto este arranjo envolve muitos atores. Apesar de alguns
desencontros, o ganho na qualidade do cuidado, dentre outros pontos, explicitou-se
como o conhecimento da urgência e crise em Saúde Mental, movimentos de
articulação entre as estações de cuidado da rede e o projeto terapêutico
compartilhado, valorizando a integralidade e a longitudinalidade do cuidado ao
usuário no território. Os efeitos constatados foram diversos, tanto para a AB quanto
para o CERSAM P, com destaque para a integração da rede e aproximação entre
profissionais e serviços das diferentes complexidades assistenciais – com efeitos
relatados a respeito da melhoria do acesso e da qualidade, no território, do cuidado
em Saúde Mental em rede. Diante deste cenário, concluímos que o Matriciamento
em Saúde Mental com o CERSAM P aumenta a potência do aparato já existente,
enriquecendo o potencial pedagógico do SUS, fomentando a gestão compartilhada
do cuidado e, principalmente, agregando mais pessoas e serviços ao permanente
desafio de costurar redes.
Abstract
Assunto
Atenção Primária à Saúde, Saúde Mental, Serviços de Saúde Mental, Equipe de Assistência ao Paciente, Educação Continuada, Integralidade em Saúde, Continuidade da Assistência ao Paciente, Sistema Único de Saúde, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Atenção Primária a Saúde, Saúde Mental, Apoio Matricial, Educação Permanente, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços de Saúde Mental, Equipe de Assistência ao Paciente, Educação Continuada, Integralidade em Saúde, Continuidade da Assistência ao Paciente, Sistema Único de Saúde/organização e administração