Enraizando em Gaia: estratégia (cosmopolítica) ecossocialista e uso tático do direito em busca de outros mundos

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Enraizando en Gaia: estrategia ecosocialista (cosmopolítica) en busca de otros mundos
Taking root in Gaia: (cosmopolitical) ecosocialist strategy in search of other worlds

Membros da banca

Ricardo Prestes Pazello
Ana Paula Perrota Franco

Resumo

Diante da compreensão de que vivemos à beira de um colapso ecológico, esta dissertação se propõe a pensar o que nos trouxe a este tempo de catástrofes. Identificamos no modo de produção capitalista um gene expansivo que, para se sustentar, depende da destruição da natureza. Contudo, vez que não somos desta natureza apartados e apartadas, sua destruição implica a nossa própria - eis que nos encontramos em um tempo geológico que pode ser denominado Capitaloceno, um tempo marcado por mudanças climáticas e extinção de espécies. Uma vez que somos também natureza e compomos a rede de coletividade da vida à qual chamamos de Gaia, ao falarmos de extinção estamos, também, falando da nossa própria espécie. Isto posto e identificado no capitalismo o motivo da catástrofe, nossa sobrevivência depende de sua aniquilação, sendo impossível a caracterização de um desenvolvimento que seja sustentável. Devemos partir à procura de um outro mundo e, nessa busca, entendemos que precisamos hegemonizar uma outra forma de organização social. Apostamos, então, no ecossocialismo como estratégia para um futuro revolucionário, mas, ao percebermos que Gaia nos atenta à coletividade e à multiplicidade das formas da vida, sinalizamos que a estratégia deve também ser cosmopolítica - como nossos irmãos e irmãs zapatistas cantaram, o mundo a ser inaugurado deve fazer caber muitos outros mundos. A estratégia definida, contudo, de nada adianta se não for construída. É por isso que nos dedicamos a pensar as táticas de tensionamento do real e, então, identificamos no direito uma utilização com potencial tático. À fronteira do capital, os povos indígenas resistem e lançam mão das armas da institucionalidade de um mundo que lhes é estranho para seguir existindo e tensionar o colapso capitalista ao sufocar sua expansão. Aprendemos, pois, com a resistência centenária de povos que vêm tendo seus mundos desmoronados para que, coletivamente, possamos garantir, a todos e todas nós, um futuro que não seja de catástrofe.

Abstract

In light of the understanding that we live on the brink of ecological collapse, this dissertation proposes to reflect on what has brought us to this moment of catastrophes. We identify in the capitalist mode of production an expansive drive that, to sustain itself, depends on the destruction of nature. However, as we are not separate from this nature, its destruction implies our own – we find ourselves in a geological epoch that can be called the Capitalocene, a time marked by climate changes and species extinction. Since we are also nature and form the collective web of life we call Gaia, when we talk about extinction, we are also speaking of our own species. With this in mind, and having identified capitalism as the root cause of the catastrophe, our survival depends on its annihilation, making it impossible to characterize any notion of sustainable development. We must seek another world, and in this quest, we understand that we need to hegemonize a different form of social organization. Thus, we advocate for ecosocialism as a strategy for a revolutionary future, but, as we perceive Gaia reminding us of collectivity and the multiplicity of life forms, we point out that the strategy must also be cosmopolitical – as our Zapatista brothers and sisters have sung, the world we inaugurate must accommodate many other worlds. However, the defined strategy is useless if it is not built. Therefore, we dedicate ourselves to thinking about the tactic of straining reality, and thus, we identify in law a tool with tactical potential. On the frontier of capital, Indigenous peoples resist and make use of the weapons of the institutions of a world foreign to them to continue existing and to pressure the capitalist collapse by suffocating its expansion. Let us, then, learn from the centuries-long resistance of peoples who have seen their worlds crumble so that we, collectively, can guarantee for all of us a future that is not one of catastrophe.

Assunto

Direito, Capitalismo, Comunismo e ecologia

Palavras-chave

Cosmopolítica, Ecossocialismo, Uso tático do direito, Luta indígena, Gaia, Capitaloceno

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