A circulação do dinheiro e o dinheiro enquanto capital: desenvolvimento tecnológico e seus desdobramentos sobre os momentos da produção e sobre a classe trabalhadora
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Diversas alterações da composição de capital no Sistema Financeiro Nacional, oportunizadas,
sobretudo, pelo desenvolvimento tecnológico, possibilitaram rearticulações do capital no setor
financeiro, reinventando suas bases técnicas de forma a diluir os entraves impostos à
acumulação de riqueza. Partindo do arcabouço marxiano da crítica da economia política, este
estudo objetiva analisar como as novas dinâmicas tecnológicas têm alterado a composição do
capital na esfera da circulação do dinheiro e do dinheiro enquanto capital, visto se tratarem de
elementos imprescindíveis ao sociometabolismo do capital e a sua expansão. Também foram
analisados os desdobramentos desse movimento sobre a categoria dos trabalhadores bancários,
bem como as formas pelas quais as instituições financeiras criam novas formas de exploração
do trabalho, seja transferindo processos de trabalho a capitalistas particulares — quando as
exigências regulatórias sobre o setor assim permitem —, seja transferindo para a esfera do
consumo individual dos trabalhadores. Os dados apresentados foram coletados através de
análises documentais, dados disponibilizados pelas entidades que supervisionam os operadores
financeiros, assim como estudos realizados pelos sindicatos dos trabalhadores bancários.
Concluímos que as instituições financeiras têm sido pioneiras no que tange à incorporação de
mudanças socioprodutivas, sendo que os elevados investimentos em tecnologia têm permitido
uma elevação da composição orgânica do setor, aumentando o capital constante às custas do
capital variável, isto é, da saúde e condições de vida dos trabalhadores do sistema financeiro.
Historicamente, foi evidenciado como o setor bancário — que inclui os principais operadores
financeiros do país — é um setor altamente lucrativo que, mesmo experienciando crises
econômicas e políticas, apresentou um crescimento real de suas receitas, assim como do lucro
líquido. As bases materiais que propiciaram tamanha concentração e centralização de capitais
no setor financeiro se devem a uma alta composição do capital no setor, que tem reorganizado
seu modo de produção de forma a reduzir os custos de circulação do capital, acelerar a rotação
do capital e ampliar suas margens de lucro. Ademais, a transformação digital do setor —
oportunizada pelo desenvolvimento dos sistemas de informação e pela incorporação de novas
tecnologias como big data analytics, inteligência artificial, computação cognitiva, blockchain,
robótica e open banking — tem servido não apenas para reduzir a necessidade de força de
trabalho para a realização do valor, mas também para transferência de processos de trabalho
aos consumidores, convertendo um custo privado em um custo que passa a ser compartilhado
socialmente. Por se tratar de uma esfera improdutiva da reprodução do capital, a redução dos
custos envolvidos na circulação do dinheiro e do dinheiro como capital permite aos capitalistas
comerciais e monetários embolsarem uma alíquota maior de mais-valor produzido socialmente,
diminuindo os descontos que estes custos da circulação representam para a riqueza social.
Abstract
Several changes in the composition of capital in the National Financial System, made possible
by the technological development, have enabled capital to re-articulate in the financial sector,
reinventing its technical bases in order to dilute the barriers imposed on the accumulation of
wealth. Starting from the Marxian framework of the critique of political economy, this study
aims to analyze how the new technological dynamics have changed the composition of capital
in the sphere of the circulation of money and money as capital, since they are essential elements
to the sociometabolism of capital and its expansion. The effects of this movement on the
category of bank workers were also analyzed, as well as the ways in which financial institutions
create new forms of labor exploitation, whether by transferring work processes to private
capitalists — when regulatory requirements on the sector allow this measure — , or transferring
it to the sphere of individual consumption by workers. The data presented was collected through
documentary analysis, data made available by the entities that supervise financial operators, as
well as studies carried out by the bank workers' unions. We conclude that financial institutions
have been pioneers in terms of incorporating socio-productive changes, and the high
investments in technology have allowed an increase in the organic composition of the sector,
increasing constant capital at the expense of variable capital and, in other words, health and
living conditions of workers in the financial system. Historically, it has been highlighted how
the banking sector — which includes the main financial operators in the country — is a highly
profitable sector that, despite experiencing economic and political crises, has shown real growth
in its revenues, as well as in net profit. The material bases that provided such concentration and
centralization of capital in the financial sector are due to the high composition of capital in the
sector, which has reorganized their production method in order to reduce capital circulation
costs, accelerate capital rotation and expand their profit margins. Furthermore, the digital
transformation of the sector — made possible by the development of information systems and
the incorporation of new technologies such as big data analytics, artificial intelligence,
cognitive computing, blockchain, robotics and open banking — has served not only to reduce
the need for work to realize value, but also to transfer work processes to consumers, converting
a private cost into a cost that is now shared socially. As it is an unproductive sphere of capital
reproduction, the reduction of the costs involved in the circulation of money and money as
capital allows commercial and monetary capitalists to pocket a higher rate of more socially
produced value, reducing the discounts that these costs of circulation represent for social
wealth.
Assunto
Capital (Economia), Trabalho, Administração
Palavras-chave
Composição do capital, capital portador de juros, capital comercial, trabalhadores improdutivos, acumulação capitalista, processos de trabalho