Constelações de vozes: Ouvir, testemunhar e (re)montar em Charlotte Delbo, Elena Poniatowska e Svetlana Aleksiévitch

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Tese de doutorado

Título alternativo

Primeiro orientador

Membros da banca

Sara del Carmen Rojo de la Rosa Silvia Ines Carcamo de Arcuri
Silvana Maria Pessôa de Oliveira
Júlia Morena Silva da Costa
Silvia Ines Carcamo de Arcuri

Resumo

O trabalho que aqui se anuncia parte de uma troca aventada por Jorge Semprún em A escrita e a vida, qual seja, ele inverte a aporia do testemunho, a experiência de morte dos campos não era indizível, mas “invivível”. O grande problema posterior não era o dizer, mas o escutar. Por isso, para que a transmissibilidade fosse afetiva e efetiva o testemunho deveria ser visto como “objeto artístico”, um espaço de criação e recriação. Deriva-se daí, uma premissa que poderia ser expandida para ser pensar os diferentes testemunhos. A partir dessa postulação, entendemos que Charlotte Delbo, Elena Poniatowska e Svetlana Aleksiévitch produzem obras testemunhais em que a forma que atravessa a oralidade e ganha corpo na escrita é vista no limiar entre uma “ética da escritura” e uma “estética da montagem”. O testemunho é aqui analisado por meio da sua transversalidade. Para além da Shoah, ele é uma modalidade disseminadora para lidar com os acontecimentos transnacionais do século XX. Nesta pesquisa, ele atravessa os relatos das mulheres da resistência francesa sobreviventes, presas pelo regime de Vichy e deportadas para Auschwitz e também a voz de uma judia que Delbo conheceu num sanatório para convalescentes do Lager; os relatos dos estudantes sobreviventes do Massacre de Tlatelolco no México e das suas Mães e Irmãs que os buscavam pelo DF no turbulento ano de 1968; e os relatos dos “soldados meninos” sobre a “guerra colonial” no Afeganistão e de suas Mães sobre a perda, vozes que falam quando o regime soviético chegava nos seus estertores. Esses eventos não são comparados em suas singularidades e unicidades, antes são analisados como produtos de poderes de exceção que se valem das chamadas “zonas selvagens”. Nas três obras tomadas como objetos Medida de nossos dias (1971), La noche de Tlatelolco (1971) e Meninos de Zinco (1989) o testemunho é uma força da escuta. Antes de tudo ele é um ato de fala, uma relação dialética entre o dizer e o escutar. Testemunhar é sair de si para encontrar o Outro, essa ponte é feita, em grande medida, pela “terceira testemunha”. Ela é uma variante do constela(dor) e suas constelações. Uma ação e um produto. Essa figura é proposta por meio da obra de Walter Benjamin, representa uma “explosão” da imagem do colecionador e sua inscrição no “interior”. O termo constela(dor) é um neologismo formado pelo par “constelar” + “dor” e diz de um habitante do século XX que registra, recolhe e difunde as memórias coletivas dos que foram tragados pelas dores do autoritarismo. Seu refúgio é o Outro. Ele faz aquilo que o Anjo da História foi impossibilitado pelas tempestades do progresso. Ele para e escuta. Seus materiais não são objetos, mas os corpos, as vozes humanas. Por meio delas ele enfrenta as encruzilhadas entre representação e catástrofe e produz pranchas dialéticas que operam as constelações que remontam o caos.

Abstract

The work that is being announced here is based on an exchange put forward by Jorge Semprún in Writing and Life, which is that he inverts the aporia of testimony: the experience of death in the camps was not unspeakable, but “unlivable”. The big problem afterwards was not telling, but listening. For this reason, in order for the transmission to be affective and effective, the testimony had to be seen as an “artistic object”, a space for creation and re-creation. This gives rise to a premise that could be expanded to include different testimonies. Based on this postulation, we understand that Charlotte Delbo, Elena Poniatowska and Svetlana Aleksiévitch produce testimonial works in which the form that crosses orality and takes shape in writing is seen on the threshold between an “ethics of writing” and an “aesthetics of montage”. Testimony is analyzed here through its transversality. Beyond the Shoah, it is a disseminating modality for dealing with the transnational events of the 20th century. In this research, he examines the accounts of surviving women from the French resistance, imprisoned by the Vichy regime and deported to Auschwitz, as well as the voice of a Jewish woman whom Delbo met in a convalescent sanatorium in the Lager; the accounts of student survivors of the Tlatelolco Massacre in Mexico and their mothers and sisters who searched for them in Mexico City during the turbulent year of 1968; and the accounts of “child soldiers” about the “colonial war” in Afghanistan and their mothers about their loss, voices that speak as the Soviet regime was coming to an end.These events are not compared in their singularities and uniqueness, but are analyzed as products of powers of exception that make use of the so-called “wild zones”. In the three works taken as objects The Measure of Our Days (1971), Massacre in Mexico (1971) and Zink boys (1989), testimony is a force of listening. Above all, it is an act of speech, a dialectical relationship between saying and listening. To testify is to step out of oneself to meet the Other, and this bridge is made, to a large extent, by the “third witness”. It is a variant of the constela(dor) and its constellations. An action and a product. This figure is proposed through the work of Walter Benjamin, and represents an “explosion” of the collector's image and its inscription in the “interior”. The term constela(dor) is a neologism formed by the pair “constelar” + “dor” and refers to a 20th century inhabitant who records, collects and disseminates the collective memories of those who were swallowed up by the pain of authoritarianism. His refuge is the Other. He does what the Angel of History was prevented from doing by the storms of progress. He stops and listens. His materials are not objects, but bodies, human voices. Through them he confronts the crossroads between representation and catastrophe and produces dialectical planks that operate the constellations that reassemble chaos.

Assunto

Delbo, Charlotte. - Medida de nossos dias - Crítica e intepretação, Poniatowska, Elena, 1932- Noche de Tlatelolco - Crítica e interpretação, Aleksievich, Svetlana, 1948- Meninos de zinco - Crítica e interpretação, Literatura comparada - Francesa, mexicana e ucraniana, Literatura comparada - Mexicana, francesa e ucraniana, Literatura comparada - Ucraniana, francesa e mexicana, Memória na literatura, História e literatura

Palavras-chave

Constela(dor)a; Testemunho; Escuta; Montagem; Delbo; Poniatowska, Aleksiévitch.

Citação

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por

Licença Creative Commons

Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso aberto