Treinamento muscular respiratório em indivíduos com doença de Parkinson
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Respiratory muscle training in individuals with Parkinson's disease
Primeiro orientador
Membros da banca
Janaine Cunha Polese
Armele Fatima Dornelas de Andrade
Clynton Lourenço Corrêa
Lucas Rodrigues Nascimento
Armele Fatima Dornelas de Andrade
Clynton Lourenço Corrêa
Lucas Rodrigues Nascimento
Resumo
As disfunções respiratórias estão entre as principais causas de internações hospitalares e morte em indivíduos com doença de Parkinson (DP). Indivíduos com DP comumente apresentam redução da força muscular respiratória e da endurance muscular inspiratória, o que parece estar relacionado as incapacidades e à redução da qualidade de vida. O treinamento muscular respiratório (TMR) é amplamente utilizado em diversas populações para melhorar a força muscular respiratória e outros desfechos relacionados. Entretanto, ainda há questões a serem esclarecidas sobre a eficácia do TMR para melhora de desfechos de saúde e funcionalidade de indivíduos com DP. Neste contexto, esta tese apresenta os resultados de cinco estudos relacionados ao TMR nessa população. Os dois primeiros estudos referem-se, respectivamente, ao protocolo e à revisão sistemática sobre as propriedades de medida e a utilidade clínica de instrumentos de medida utilizados na telerreabilitação em indivíduos com condições neurológicas, dentre elas a DP. Foram incluídos 47 estudos e identificados 43 instrumentos. Somente três desses estudos foram realizados com indivíduos com DP. Oito instrumentos foram recomendados por suas adequadas propriedades de medida e utilidade clínica, nenhum deles para indivíduos com DP. O terceiro e o quarto estudos referem-se, respectivamente, ao protocolo e ao ensaio clínico aleatorizado (ECA) desenvolvido com o objetivo de investigar a eficácia de um programa domiciliar de TMR (inspiratório e expiratório realizados simultaneamente) de alta intensidade na força dos músculos inspiratórios e expiratórios (desfechos primários), endurance muscular inspiratória, pico de fluxo de tosse, dispneia, fadiga, capacidade de exercício e qualidade de vida (desfechos secundários) de indivíduos com DP. Os indivíduos foram alocados aleatoriamente no grupo experimental (GE) ou controle (GC). O GE realizou o TMR de alta intensidade (60% da pressão inspiratória máxima (PImáx) e 60% da pressão expiratória máxima (PEmáx)) por 40 minutos por dia (2 sessões de 20 minutos), 7 vezes/semana, durante 8 semanas. O GC seguiu o mesmo protocolo, mas sem carga. Foram incluídos 34 indivíduos (69,53±8,35 anos). Comparado ao GC, o GE apresentou, significativamente, aumento da PImáx (19,56cmH2O; IC95%:9,67-29,45), PEmáx (24,29cmH2O; IC95%:9,87-38,71), endurance muscular inspiratória (1,21minutos; IC95%:0,39-2,03), capacidade de exercício (39,35metros; IC95%:0,58-78,12) e redução na dispneia (-0,71pontos; IC95%:1,30- -0,12). Os efeitos na PImáx, endurance muscular inspiratória e na dispneia foram mantidos no follow-up. Ambos os grupos apresentaram melhora no pico de fluxo de tosse e na qualidade de vida, efeitos que também foram mantidos no follow-up. O quinto estudo investigou, nos participantes do ECA, as perspectivas, autoeficácia barreiras e facilitadores à intervenção. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos para nenhum dos desfechos. Em uma escala de 0 a 100, a importância do TMR foi 91,39 (IIQ 20). Cinquenta e cinco por cento (n=17) dos indivíduos concordaram que praticar exercícios em domicílio é preferível. Em uma escala de 1 a 5, a autoeficácia foi de 3,90±0,14. As principais barreiras foram a falta de equipamento (n=29;93,5%), informação (n=28;90,3%), suporte (n=28;90,3%) e conhecimento por parte dos profissionais (n=28;90,3%). Os principais facilitadores foram a realização dos exercícios em domicílio (n=4) e os efeitos percebidos do treinamento (n=4). Aponta-se, portanto, a necessidade de estudos metodológicos que investiguem as propriedades de medida e aplicabilidade clínica de instrumentos de medida para avaliação de desfechos de saúde e funcionalidade em indivíduos com DP por telerreabilitação. O TMR realizado em domicílio e envolvendo exercícios inspiratório e expiratório de alta intensidade é eficaz para melhorar importantes desfechos nessa população. Por fim, as perspectivas dos participantes, a autoeficácia, bem como as barreiras e facilitadores identificados, devem ser utilizados para
desenvolver estratégias eficazes para implementar o TMR domiciliar.
Abstract
Respiratory dysfunction is one of the leading causes of hospitalization and death in individuals with Parkinson's disease (PD). Individuals with PD commonly exhibit reduced respiratory muscle strength and inspiratory muscle endurance, which seem to be associated with increased disability and a lower quality of life. Respiratory muscle training (RMT) is widely used in various populations to improve respiratory muscle strength and other related outcomes. However, research on this intervention in individuals with PD remains limited. To reduce this gap, five studies were conducted to investigate the application of RMT in this population. The first two studies consist of the protocol and the systematic review investigating the measurement properties and clinical utility of measurement tools used in telerehabilitation in individuals with neurological conditions, among them the PD. A total of 47 studies were included, identifying 43 measurement tools. Only three of these studies were conducted with individuals with PD. Eight instruments were recommended for their adequatemeasurement properties and clinical utility, none of them for individuals with PD. The third
and fourth studies consist of the protocol and the randomized clinical trial (RCT) that evaluated the efficacy of high-intensity home-based inspiratory and expiratory muscle training on inspiratory and expiratory muscle strength (primary outcomes), inspiratory muscle
endurance, peak cough flow, dyspnea, fatigue, exercise capacity, and quality of life (secondary outcomes) of individuals with PD. Individuals were randomly assigned to either the experimental group (EG) or the control group (CG). The EG performed high-intensity
RMT (60% of maximum inspiratory pressure (MIP) and 60% of maximum expiratory pressure (MEP)) for 40 minutes per day (2 sessions of 20 minutes per day), 7 days a week, for 8 weeks. The CG followed the same protocol but without any load. Thirty-four individuals (69.53±8.35 years) were included. Compared to the CG, the EG showed significant increases in MIP (19.56 cmH2O; 95% CI: 9.67-29.45), MEP (24.29 cmH2O; 95% CI: 9.87-38.71), inspiratory muscle endurance (1.21 minutes; 95% CI: 0.39-2.03), exercise capacity (39.35 meters; 95% CI: 0.58-78.12) and reduction in dyspnea (-0.71 points; 95% CI: 1.30- -0.12). The improvements in MIP, inspiratory muscle endurance and dyspnea were maintained at follow-up. Both groups showed improvements in peak cough flow and quality of life, which were also maintained at follow-up. The fifth study investigated the perspectives, self efficacy, barriers and facilitators of the intervention among RCT participants. Thirty-one individuals (69.68±8.31 years) were included. No significant differences between the groups were observed for any outcomes. On a scale of 0 to 100, the perceived importance of RMT
was rated at 91.39 (IQR 20). Fifty-five percent (n=17) of participants preferred exercising at home. On a scale of 1 to 5, self-efficacy was 3.90±0.14. The main barriers identified were lack of equipment (n=29;93.5%), information (n=28;90.3%), support (n=28;90.3%) and knowledge on the part of health professionals (n=28;90.3%). The main facilitators were performing the exercises at home (n=4) and the perceived effects of the training (n=4). Therefore, there is a need for methodological studies that investigate the measurement
properties and clinical applicability of instruments used to assess health and functional outcomes in individuals with PD. Additionally, it was highlighted that home-based high intensity combined inspiratory and expiratory muscle training is effective in improving key
outcomes in this population. Finally, participants' perspectives, self-efficacy, as well as identified barriers and facilitators, can inform the development of effective strategies for implementing home-based RMT.
Assunto
Parkinson, Doença de, Pulmões - Doenças obstrutivas, Exercícios respiratórios - Uso terapêutico, Fisioterapia
Palavras-chave
Doença de Parkinson, Ensaio clínico aleatorizado, Fraqueza muscular respiratória, Treino muscular respiratório, Visita domiciliar