Diversidade e assimetria flutuante em borboletas ao longo de gradientes urbanos
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Este estudo objetivou avaliar o efeito de gradientes de urbanização em parâmetros
de comunidades de borboletas. Borboletas são organismos-modelo que permitem
verificar a qualidade do habitat devido ao seu papel bioindicador. Além disso, oferecem
a compreensão da influência de diferentes condições ambientais nas comunidades, nos
padrões espaço-temporais e podem ser aplicadas em estudos de gradientes ambientais a
fim de auxiliar na tomada de decisões em políticas públicas e no planejamento efetivo de
conservação em ambientes urbanos.
O primeiro capítulo dessa dissertação aborda o estudo da variação da diversidade
da comunidade de borboletas ao longo de três gradientes urbanos definidos por áreas
urbana-rural-preservadas. As amostragens foram realizadas ao longo de transectos de
aproximadamente 3 km abrangendo gradiente composto por habitat urbano, rural e
preservado em cada transecto. A fim de entender a influência da urbanização na
comunidade de borboletas foram avaliados a modificação da riqueza, abundância e
composição específica entre os pontos na paisagem, assim como ao longo de todo o
gradiente urbano-rural-preservado. Além disso, foi avaliada a modificação da frequência
da riqueza de guildas de borboletas (frugívoras e nectarívoras) ao longo dos gradientes.
A riqueza total da comunidade de borboletas sofreu um decréscimo significativo ao longo
do gradiente (F1,7=8.14 P= 0.025), assim como observado pela redução de riqueza
avaliado pelo índice de Margalef (F1,7=8.57 P=0.022), sugerindo que algumas espécies
podem ter grande afinidade por micro-habitats específicos. Em relação à abundância, não
foi encontrada diferença significativa ao longo do gradiente, sugerindo a presença de
algumas espécies adaptadas e capazes de adquirir recursos em locais perturbados. A
diversidade α observada foi maior que a esperada ao acaso (αobs= 31.88 e αesp= 25.88,
P<0.05) enquanto a diversidade β observada foi menor (βobs=26.77 e βesp= 30.88, P>0.05) como demonstrado pela composição específica de cada área (preservado-rural-urbano) e
com maior diversidade de espécies local devido à conectividade ao longo dos gradientes.
Esses resultados demonstram a importância em promover maior heterogeneidade
ambiental ao longo dos gradientes a fim de evitar a homogeneização biótica. Além disso,
os gradientes foram estruturados pela substituição de espécies (β1= 1.884, P=0.001),
indicando que o gradiente urbano atua como filtro ambiental e que algumas espécies estão limitadas a determinados locais mais adequados. A frequência de espécies frugívoras apresentou um decréscimo significativo ao longo dos gradientes (F1,7=7.517 P=0.029), enquanto as espécies nectarívoras não apresentaram diferenças ao longo dos gradientes (F1,7=3.853 P=0.09). Esses resultados reforçam o importante papel na gestão das áreas urbanas ao incorporar espécies de plantas nativas hospedeiras em parques e jardins nos centros urbanos a fim de manter a comunidade de borboletas e os serviços ecossistêmicos como a herbivoria por imaturos de ambas as guildas e a polinização realizada por adultos de espécies nectarívoras.
O segundo capítulo dessa dissertação avalia os efeitos da urbanização na
morfometria das asas de borboletas em comunidades distintas ao longo dos gradientes
urbanos definidos por áreas urbana-rural-preservadas. Foi avaliado se os gradientes
urbanos são capazes de provocar desvios no eixo de simetria das asas das borboletas,
usando-se medidas de assimetria flutuante como proxy para estresse ambiental causado
pela urbanização. Para coleta de borboletas ao longo dos gradientes urbanos, foram
utilizados transectos de aproximadamente 3 km abrangendo áreas urbano-rural
preservadas em cada transecto. Foram analisadas 436 borboletas que tiveram suas asas
destacadas e medidas em dois caracteres (comprimento e largura) para cálculo de índices de assimetria flutuante (AF) das asas das comunidades para cada área independentemente. O gradiente urbano apresentou efeitos significativos na AF nos caracteres de comprimento (F2,433= 20.85, P= 0.000) e largura (F2,433= 21.34, P=0.000) das asas das borboletas. As áreas rurais apresentaram níveis de AF significativamente mais elevados
para o caractere comprimento e largura quando comparada às urbanas e preservadas.
Esses resultados sugerem que a transformação de áreas naturais em áreas agrícolas são
fonte de estresse mais intensos do que as cidades, devido à falta de recursos alimentares
e possível uso de agrotóxico nas culturas. Além disso, nossos resultados demonstram que as cidades exercem menor estresse nas comunidades de borboletas devido à presença de jardins urbanos e uso de recursos alternativos presentes nas cidades, como alimentos em terrenos baldios e fendas em construções como poleiros que explicam a menor assimetria das asas nesses locais.
Abstract
Assunto
Palavras-chave
Borboletas, Gradientes de urbanização, Bioindicador, Qualidade do habitat, Assimetria flutuante, Diversidade