Avaliação da elastografia transitória hepática e esplênica em pacientes com a forma hepatoesplênica da esquistossomose mansoni
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: A esquistossomose hepatoesplênica (EHE) é uma doença infecciosa tropical
caracterizada por fibrose hepática periportal associada à hipertensão portal pré-sinusoidal. A
ultrassonografia (US) é o método mais utilizado para avaliar a fibrose hepática na EHE, no entanto
pode ser limitada para diferenciar a fibrose devido a EHE daquela secundária à cirrose hepática. A
elastografia transitória (ET) foi estudada na EHE, mas ainda não foi validada e o seu papel na
diferenciação entre a cirrose hepática e a EHE ainda não está claro na literatura. Objetivos:
Investigar a rigidez do fígado e do baço pela ET em pacientes com EHE em comparação a
indivíduos com cirrose hepática devido a esteatohepatite não- alcoólica (EHNA). Métodos: Estudo
transversal realizado no ambulatório de hepatologia do Hospital das Clínicas da Universidade
Federal de Minas Gerais, com inclusão de pacientes com EHE não esplenectomizados na sua forma
pura (grupo caso) e de pacientes com cirrose hepática comprovada por biópsia devido a EHNA
classificada como Child-Pugh A sem descompensação prévia (grupo controle). Todos os pacientes
foram submetidos à avaliação por ET para a medição da rigidez do fígado e baço e para o parâmetro
de atenuação controlada (CAP) hepático. Pacientes com EHE foram submetidos a US abdominal
pelo protocolo de Niamey. Resultados: Ao comparar o grupo EHE (n = 29) com o grupo cirrose
(n = 23), os participantes do grupo caso eram mais jovens que o grupo controle (52 vs 63 anos, p
<0,001), apresentando maior frequência do sexo masculino (63% vs 22%, p = 0,004) e menor
índice de massa corporal (26,5 vs 31,8 kg/m2
, p <0,001). Os indivíduos com EHE apresentaram
menor frequência de diabetes mellitus (21% vs 83%, p <0,001) e síndrome metabólica (14% vs
94%, p <0,001) do que o grupo cirrose. Em relação a rigidez hepática, os indivíduos com EHE
apresentaram menor mediana com 9.6 Kpa (7.5-11.3), mínimo de 4.5 Kpa e máximo de 18.0 Kpa,
em comparação ao grupo cirrose que apresentou mediana de 21.3 Kpa (14.0-23.9), mínima de 11.1
Kpa e máxima de 50.5 Kpa (p <0,001). Os valores de CAP também foram menores na EHE, com
mediana 229 dB/m (192-267), mínimo de 100 dB/m e máximo de 313 dB/m, em relação a mediana
do grupo controle, 274 dB/m (224-301), mínimo 201 dB/m e máximo de 400 dB/m (p = 0,010). A
rigidez do baço foi maior no grupo EHE com mediana de 73,5 Kpa (45.3-75.0), mínimo de 20.0
Kpa e máxima de 75.0 Kpa, em relação ao grupo cirrose com mediana de 42,2 Kpa (31.7-56.9),
mínimo 18.5 Kpa e máximo de 75 Kpa (p = 0,002). O valor de AUROC para detectar cirrose pela
rigidez hepática foi de 0,947. Analisando apenas indivíduos com EHE, a presença dos seguintes
parâmetros clínicos esteve associada a maior rigidez do baço, quando comparada à ausência:
diabetes mellitus (75,0 (74.2-75.0) vs 66,4 (42.9-75.0) Kpa, p = 0,036), síndrome metabólica (75,0
(75.0-75.0) vs 69,1 (43.6-75.0) Kpa, p = 0,043), varizes esofágicas (75,0 (60.0-75.0) vs 34,9 (22.4-
42.1) Kpa, p = 0,001), trombose da veia porta (75,0 (73.9-75.0) vs 66,4 (41.4-75.0) Kpa, p =
0,047) e histórico de hemorragia digestiva alta (75,0 (65.7-75.0) vs 46,4 (32.0-73.5) Kpa, p =
0,011). Selecionando apenas pacientes com EHE sem trombose da veia porta, os indivíduos com
histórico de hemorragia digestiva alta apresentaram maior rigidez do baço (75,0 vs 44,6 Kpa, p =
0,018) quando comparados à ausência de sangramento anterior. As categorias Niamey para
avaliação de fibrose hepática na EHE pela US não foram associadas à rigidez hepática (p = 0,676)
ou rigidez do baço (p = 0,504). Conclusão: A rigidez do fígado e do baço foram diferentes entre
os pacientes com EHE e cirrose por EHNA, sugerindo que a ET pode desempenhar um papel na
diferenciação dessas duas condições, principalmente pela avaliação da rigidez do fígado. A rigidez
do baço pode vir a ser investigada como preditor de formas mais avançadas da EHE em estudos
futuros.
Abstract
Assunto
Esquistossomose mansoni, Cirrose Hepática, Hepatopatia Gordurosa não Alcoólica, Fígado Gorduroso, Técnicas de Imagem por Elasticidade
Palavras-chave
Esquistossomose, Esquistossomose hepatoesplênica, Cirrose hepática, Doença hepática gordurosa não alcoólica, Esteatohepatite, Elastografia transitória, Fibroscan