Análise espaço temporal das razões de mortalidade materna nas macrorregiões de saúde do Brasil no período de 2010 a 2023.

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Raquel Zanatta Coutinho
Emerson Augusto Baptista

Resumo

A mortalidade materna é um importante indicador das condições de vida e da qualidade dos sistemas de saúde, refletindo profundas desigualdades sociais e territoriais no Brasil. Embora majoritariamente evitável, a razão de mortalidade materna (RMM) permanece elevada e desigualmente distribuída. Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição espacial e a evolução temporal da RMM nas macrorregiões de saúde brasileiras entre 2010 e 2023, explorando suas associações com fatores socioeconômicos, oferta regional de serviços de saúde e características sociodemográficas das parturientes. Utilizando dados do SIM, SINASC, Censo Demográfico de 2010, e indicadores socio econômicos atualizados das macrorregiões o estudo analisou quatro períodos consecutivos: 2010–2014, 2015–2019, 2020–2021 (pandemia) e 2022-23. Foram utilizados mapas bivariados e índices de autocorrelação espacial (Moran e LISA) para identificar padrões territoriais e associações com variáveis como IDH, Gini, IVS, escolaridade, raça/cor, acesso ao pré-natal e estrutura assistencial. Os resultados apontaram estagnação da RMM no período anterior à pandemia: em termos gerais, os valores de 2019 foram semelhantes aos de 2011, apesar de variações entre macrorregiões. Os mapas bivariados revelaram correlações consistentes entre a RMM e indicadores como IDH, índice de Gini, IVS, escolaridade e raça/cor das parturientes, indicando que maiores desigualdades sociais e menor desenvolvimento regional se associam a níveis mais elevados de mortalidade materna. A análise espacial identificou clusters de alta RMM principalmente nas regiões Norte e Nordeste, marcadas por piores indicadores socioeconômicos, menor cobertura assistencial e maior vulnerabilidade social das gestantes. Durante a pandemia (2020–2021), verificou-se um aumento expressivo da RMM em todas as regiões, com destaque para a região Sul, que apresentou os maiores excessos de mortalidade. Ainda assim, o padrão histórico de desigualdade regional se manteve, com as regiões Norte e Nordeste concentrando os maiores níveis de RMM. Os achados desse estudo evidenciam a persistência de padrões espaciais de iniquidade e a influência de determinantes sociais e estruturais historicamente negligenciados. Reforça-se a importância de abordagens multiescalares, interdisciplinares e territorialmente sensíveis, aliadas à análise espacial, para identificar áreas prioritárias e subsidiar políticas públicas que enfrentem as desigualdades regionais e garantam o direito à saúde das mulheres.

Abstract

Maternal mortality is an important indicator of living conditions and the quality of health systems, reflecting deep social and territorial inequalities in Brazil. Although largely preventable, the maternal mortality ratio (MMR) remains high and unevenly distributed across the country. This study aimed to analyze the spatial distribution and temporal evolution of the MMR across Brazil’s health macro-regions between 2010 and 2023, exploring its associations with socioeconomic factors, regional availability of health services, and the sociodemographic characteristics of pregnant women. Using data from SIM, SINASC, the 2010 Demographic Census, and updated socioeconomic indicators for the macro-regions, the study examined four consecutive periods: 2010–2014, 2015–2019, 2020–2021 (pandemic), and 2022-2023. Bivariate maps and spatial autocorrelation indices (Moran and LISA) were employed to identify territorial patterns and associations with variables such as HDI, Gini index, Social Vulnerability Index (SVI), education, race/skin color, access to prenatal care, and health infrastructure. The results indicated stagnation in MMR prior to the pandemic: overall, the 2019 values were similar to those of 2011, despite regional variations. The bivariate maps revealed consistent correlations between MMR and indicators such as HDI, Gini index, SVI, education, and race/skin color of the mothers, showing that greater social inequality and lower regional development are associated with higher levels of maternal mortality. Spatial analysis identified high-MMR clusters mainly in the North and Northeast regions, historically characterized by poorer socioeconomic indicators, lower availability of health services, and higher vulnerability among pregnant women. During the pandemic (2020–2021), a significant increase in MMR was observed nationwide, particularly in the South region, which recorded the highest excess mortality. Nevertheless, the historical pattern of regional inequality persisted, with the highest MMR levels still concentrated in the North and Northeast. The findings of this study highlight the persistence of spatial patterns of inequity and the influence of historically neglected social and structural determinants. The study reinforces the importance of multiscale, interdisciplinary, and territorially sensitive approaches, combined with spatial analysis, to identify priority areas and support public policies aimed at reducing regional inequalities and ensuring women’s right to health.

Assunto

Mortalidade, COVID-19 (Doença), Mães, Cuidados médicos, Demografia

Palavras-chave

mortalidade materna, covid-19, desigualdades em saúde, macrorregiões de saúde brasileiras, mapas temáticos bivariados, análise espacial

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