“Sozinha eu não vou, mas juntas nós vamos” : práticas políticas e pedagógicas de cuidados da Coletiva Mulheres da Quebrada no Aglomerado da Serra, Belo Horizonte/MG
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
Título alternativo
"Alone I won't go, but together we will" : political and pedagogical practices of collective care by the Mulheres da Quebrada group in the Aglomerado da Serra, Belo Horizonte/MG
Primeiro orientador
Membros da banca
Paula Rita Bacellar Gonzaga
Simone de Oliveira Mestre
Camila Fernandes Pinto
Alinne de Lima Bonetti
Simone de Oliveira Mestre
Camila Fernandes Pinto
Alinne de Lima Bonetti
Resumo
Este trabalho é construído com base em etnografia realizada junto à Coletiva Mulheres da Quebrada, um movimento de mulheres localizado no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte/MG. A tese pretende trazer reflexões sobre como essas mulheres, em meio a
estruturas interligadas de poder e opressão, com profundas raízes sócio-históricas, agenciam múltiplas formas de produção de cuidados coletivos, produzindo efeitos concretos sobre as vidas umas das outras e sobre o lugar que habitam. Através de metodologias, práticas e estratégias políticas e pedagógicas de cuidados, a Coletiva Mulheres da Quebrada questiona as
dinâmicas desiguais de poder que relegam às mulheres negras e periféricas a maior parte da exploração e sobrecarga pelo trabalho de cuidar, contrastando com a falta de cuidados vivenciada por essas mulheres. A pesquisa busca compreender a constituição das experiências e subjetividades dessas mulheres não apenas a partir das violências experimentadas, mas sobretudo das formas de reparação da vida cotidiana, da busca pelo bem viver, além de meramente sobreviver, por meio do cuidado de si e umas com as outras. As práticas de cuidados coletivos mobilizadas por esse movimento subvertem lógicas dualistas e dicotômicas, aliviam
a (sobre) carga e chamam a atenção para a potencialidade da democratização e politização das práticas de cuidado, baseadas no reconhecimento da interdependência entre os sujeitos e na necessidade de reciprocidade nas suas relações. Com base em uma lógica autodefinida e emancipatória, as práticas da Coletiva constituem um território de cuidados, seguro, feito por e para mulheres periféricas, contando com alianças, conscientes do lugar na diferença. Além de produzir efeitos sobre a constituição e reconfiguração de subjetividades, experiências e trajetórias de vida, as práticas de cuidados coletivos desse movimento, ancoradas em saberes
ancestrais, inventividade e aspirações por transformações, contribuem para um alargamento do entendimento dos cuidados como um conceito prático, político e epistemológico.
Abstract
This work is grounded in an ethnography conducted with the Coletiva Mulheres da Quebrada, a movement located at the Aglomerado da Serra, in Belo Horizonte, state of Minas Gerais, Brazil. The thesis aims to reflect on how these women, amidst interconnected structures of power and oppression with deep socio-historical roots, enact multiple forms of collective care production, generating concrete effects on each other’s lives and the place they inhabit. Through methodologies, practices, and political and pedagogical strategies of care, the Coletiva Mulheres da Quebrada challenges the unequal power dynamics that relegate to Black and
marginalized women the majority of the exploitation and overburden of care work contrasting this with the lack of care experienced by these women. The research seeks to understand the constitution of these women’s experiences and subjectivities not only from the perspective of the violence they experienced but, above all, the ways in which they repair their lives every day, trying not just to survive but also seeking well-being, through self-care and care for one another. The collective practices mobilized by this movement subvert dualistic and dichotomous logics, alleviate the (over)burden and draw attention to the potential for democratizing and politicizing care practices, based on recognizing the interdependency among people and the need for reciprocity in their relations. The Coletiva’s practices constitute a safe territory of care, based on a self-defined and emancipatory logic, made by and for marginalized
women, relying on alliances and conscious of their place within difference. In addition to producing effects on the constitution and reconfiguration of subjectivities, experiences and life trajectories, the collective care practices of this movement - anchored in ancestral knowledge, inventiveness and aspirations to transformation - contribute to a broader understanding of care as a practical, political and epistemological concept.
Assunto
Antropologia - Teses, Feminismo - Teses, Periferias - Teses, Mulheres - Condições sociais - Teses, Coletiva Mulheres da Quebrada - Teses
Palavras-chave
Cuidado, Cuidados coletivos, Mulheres negras, Feminismo, Território, Periferias
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