Interações financeiro-produtivas no Brasil: teoria, raízes históricas e impactos sobre o financiamento do desenvolvimento
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
Título alternativo
Finance-production interlinkages in Brazil: theoretical foundations, fistorical roots, and implications for development finance
Primeiro orientador
Membros da banca
Rogério Studart
Bruno Martarello De Conti
Norberto Montani Martins
Marco Aurélio Crocco Afonso
Bruno Martarello De Conti
Norberto Montani Martins
Marco Aurélio Crocco Afonso
Resumo
O tema deste trabalho é o financiamento do desenvolvimento no Brasil. A pergunta norteadora é por que o setor financeiro privado no Brasil apresenta historicamente um baixo engajamento no financiamento do desenvolvimento. O objetivo principal do trabalho é construir uma resposta a essa pergunta. A primeira etapa foi o desenvolvimento de uma abordagem teórica sobre a relação entre setor financeiro e não financeiro na economia capitalista, a partir da investigação da literatura neoclássica, keynesiana e marxista. A abordagem teórica desenvolvida avança, de modo original, ao apontar a natureza intrinsecamente conflituosa e desequilibrada entre setor financeiro e não financeiro no mercado de crédito. A segunda etapa foi a realização de uma investigação histórica a respeito das formas concretas assumidas pelas relações financeiro-produtivas em diferentes países e das condições subjacentes a elas. Essa investigação apontou o caráter seletivo e não espontâneo do engajamento do setor financeiro nos processos de desenvolvimento industrial, conclusão esta que também é uma das contribuições desta tese. A seguir foi realizado um exercício econométrico com a estimação de modelos de dados em painel para dois conjuntos de países, que apontaram na direção da existência da relação conflitiva entre setor financeiro e não financeiro e da relevância da coordenação nacional do sistema financeiro para a acumulação de capital. Em seguida, o caso brasileiro é primeiramente abordado em termos históricos analisando-se características do processo de industrialização e as transformações do sistema financeiro nacional na segunda metade do século XX. Concluiu-se, em uma contribuição original, que, de um lado, o caráter subordinado da industrialização brasileira no que se refere ao papel da empresa nacional privada e, de outro lado, o processo de oligopolização bancária geraram uma situação de elevada assimetria estrutural de poder entre setor financeiro e não financeiro, moldando de modo particular as relações financeiro-produtivas no país. A análise do caso brasileiro é aprofundada com uma investigação empírica sobre as características da relações financeiro-produtivas no país no século XXI. Utilizam-se bases de dados de demonstrações financeiras de empresas não financeiras e de bancos ainda pouco exploradas no Brasil. Realiza-se, primeiramente, uma comparação do Brasil com outros países, seguida de uma comparação setorial das relações financeiro-produtivas no Brasil. A razão entre lucro operacional e juros pagos é utilizada como medida empírica de síntese da relação financeiro-produtiva. Conclui-se, entre outras coisas, que o Brasil possui características proporcionalmente menos favoráveis para o setor não financeiro no mercado de crédito, que a política monetária afeta proporcionalmente mais a distribuição entre lucro e juros na Indústria de Transformação e que setores industriais de maior complexidade são proporcionalmente mais prejudicados pela transferência de recursos para o setor financeiro. Em seguida, outro exercício econométrico é realizado com dados de empresas industriais brasileiras não listadas em bolsa, tendo a razão lucro-juros como variável dependente. Os resultados apontaram a relevância de variáveis como a maturidade da dívida, a liquidez, a eficiência operacional e o gasto com investimento para determinar o movimento da razão lucro-juros. A conclusão geral do trabalho é que, diante das características históricas e atuais das relações financeiro-produtivas no Brasil, os mecanismos de mercado são insuficientes para gerar o sistema financeiro necessário para o financiamento do desenvolvimento e que a coordenação pública do sistema de crédito é uma condição necessária para alcançar esse objetivo.
Abstract
The subject of this study is development financing in Brazil. The central research question is why Brazil’s private financial sector has historically shown low engagement in development financing. The primary objective of this work is to construct an answer to this question. The first stage involved developing a theoretical framework on the relationship between the financial and non-financial sectors in a capitalist economy, based on an investigation of neoclassical, Keynesian, and Marxist literature. The proposed theoretical framework makes an original contribution by highlighting the inherently conflictual and unbalanced nature of the relationship between the financial and non-financial sectors in the credit market. The second stage involved a historical investigation into the concrete forms that financial-productive relations have taken in different countries and the underlying conditions that shape them. This investigation revealed the selective and non-spontaneous nature of the financial sector’s engagement in industrial development processes—a finding that also constitutes one of this thesis’s contributions. Subsequently, an econometric exercise was conducted using panel data models for two groups of countries, which provided evidence supporting the existence of a conflictual relationship between the financial and non-financial sectors, as well as the importance of national coordination of the financial system for capital accumulation. Next, the Brazilian case was first examined from a historical perspective, analyzing characteristics of the industrialization process and transformations in the national financial system during the second half of the 20th century. It was concluded, in an original contribution, that the subordinate nature of Brazil’s industrialization—particularly regarding the role of domestic private firms—combined with the process of banking oligopolization, created a situation of high structural power asymmetry between the financial and non-financial sectors, shaping the country’s financial-productive relations in a distinct manner. The analysis of the Brazilian case was deepened through an empirical investigation into the characteristics of financial-productive relations in the country during the 21st century. The study employs underutilized datasets on financial statements of non-financial firms and banks in Brazil. First, a cross-country comparison was conducted, followed by a sectoral comparison of financial-productive relations in Brazil. The ratio of operating profit to interest payments was used as a synthetic empirical measure of financial-productive relations. Among other findings, the results indicate that Brazil exhibits proportionally less favorable conditions for the non-financial sector in the credit market, that monetary policy disproportionately affects the distribution between profits and interest payments in the manufacturing sector, and that more complex industrial sectors are proportionally more harmed by resource transfers to the financial sector. Another econometric exercise was then performed using data on unlisted Brazilian industrial firms, with the profit-interest ratio as the dependent variable. The results highlighted the relevance of variables such as debt maturity, liquidity, operational efficiency, and investment expenditure in determining the trajectory of the profit-interest ratio. The general conclusion of this study is that, given the historical and current characteristics of financial-productive relations in Brazil, market mechanisms are insufficient to generate the financial system required for development financing. Public coordination of the credit system is a necessary condition to achieve this objective.
Assunto
Pesquisa, Financiamento, Pesquisa e desenvolvimento, Economia
Palavras-chave
Financiamento do desenvolvimento, Crédito, Razão lucro-juros, Indústria de transformação, Economia brasileira
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