"Um eterno reproduzir dos mesmos fatos": trauma, violência política e o movimento dos trabalhadores rurais sem terra

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

"An eternal reproduction of the same events": trauma, political violence and the landless workers' movement

Primeiro orientador

Membros da banca

Monica Maria Farid Rahme
Marcelo Ricardo Pereira
Jacqueline de Oliveira Moreira
Clarice Pimentel Paulon

Resumo

Esta investigação parte da experiência de trabalho junto a um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no agreste do estado de Alagoas e toma como norteadora a questão da violência política no campo e sua relação com a noção psicanalítica de trauma. Recolhemos entrevistas com militantes do MST, recortes de diários de campo e anotações provenientes das idas e vindas ao assentamento. A análise segue o método de leitura-escrita, em que o texto estabelecido passa por diversas revisitações, tendo como objetivo extrair o resto que marca o trabalho do psicanalista com o inconsciente. Outros campos do saber são convocados, vislumbrando traçar um plano de fundo para compreender como o inconsciente é forjado no sul global. A pesquisa se inicia pela contextualização do MST no Brasil a partir da noção de colonialismo interno e destaca a herança colonial atualizada no âmbito político, econômico e subjetivo. Em seguida, a violência política é discutida pela psicanálise, trazendo o passado colonial e os enredos inconscientes atualizados no espaço campesino. Na barbárie expressa em despejos, ameaças e assassinatos, um cenário semelhante ao da guerra se delineia e o trauma emerge enquanto conceito fundamental, com a noção de neurose traumática de guerra e sua relação com seu contexto sociopolítico. Em elipse decolonial, a psicanálise toca o singular encontrado no campo de pesquisa e tensiona a teoria do trauma aos moldes do que ocorreu no período pós-guerra de 1920. Por fim, recolhemos as diversas expressões do trauma no contexto de luta pela terra: pelo viés da temporalidade descontínua; da repetição nos sonhos-pesadelos; das expressões próprias ao MST; dos restos coloniais e da abertura clínica de seu tratamento. As marcas da geopolítica despontam enquanto horizonte ético-político à psicanálise que se pratica no sul global. Em meio às marcas da violência política, a emergência do traumático sublinha a importância da fala e a necessidade de fazer algo com isso que resta, fomentando saídas para mitigar os sintomas. Assim, a luta do Movimento pode seguir na busca por um futuro que não se pareça tanto com o passado.

Abstract

This research stems from the experience of working with a settlement of the Landless Workers' Movement (MST) in the Agreste region of the state of Alagoas, and takes as its guiding principle the issue of political violence in rural areas and its relationship with the psychoanalytic notion of trauma. We collected interviews with MST militants, excerpts from field diaries, and notes from visits to the settlement. The analysis follows the method of reading-writing, where the established text undergoes various revisions, aiming to extract the remainder that marks the work of the psychoanalyst with the unconscious. Other fields of knowledge are invoked, aiming to outline a background to understand how the unconscious is forged in the Global South. The research begins with the contextualization of the MST in Brazil from the notion of internal colonialism and highlights the colonial legacy updated in the political, economic, and subjective realms. Next, political violence is discussed through psychoanalysis, bringing the colonial past and unconscious narratives updated in the rural space. In the barbarism expressed through evictions, threats, and murders, a scenario similar to war begins to emerge, and trauma emerges as a fundamental concept, with the notion of traumatic war neurosis and its relationship with its sociopolitical context. In a decolonial ellipse, psychoanalysis touches on the singularities found in the research field and tensions the trauma theory based on the model of what occurred in the post-war period of the 1920s. Finally, we collected various expressions of trauma in the context of the land struggle: through the lens of discontinuous temporality; repetition in dream-nightmares; expressions specific to the MST; colonial remnants; and the clinical opening of its treatment. The marks of geopolitics emerge as an ethical-political horizon for the psychoanalysis practiced in the Global South. Amidst the marks of political violence, the emergence of the traumatic underscores the importance of speech and the need to do something with what remains, fostering solutions to mitigate symptoms. Thus, the Movement's struggle can continue in the search for a future that does not resemble the past so much.

Assunto

Psicologia - Teses, Psicanálise - Teses, Trauma psíquico - Teses, Decolonialidade - Teses, Neurose de guerra - Teses, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - Teses

Palavras-chave

Psicanálise, Trauma, Neurose de guerra, Decolonialidade, MTS

Citação

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por