Desempenho da mamada e habilidades de alimentação oral do prematuro: proposta de ponto de corte da escala LATCH para classificação da mamada de recém-nascidos pré-termo e fatores associados.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Breastfeeding Performance and Oral Feeding Skills in Preterm Infants: Proposal of a LATCH Scale Cutoff Point for the Classification of Preterm Newborn Feeding and Associated Factors
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Resumo
Introdução: Recém-nascidos prematuros (RNPT) requerem cuidados especializados em Unidades Neonatais devido à imaturidade fisiológica, que aumenta os riscos de morbimortalidade. A alimentação oral é um desafio, pois depende da estabilidade clínica e da maturidade de múltiplos sistemas, na maioria das vezes exigindo o uso de sondas até que o bebê consiga se alimentar com segurança. Fatores como idade gestacional, baixo peso, necessidade de suporte ventilatório e complicações clínicas podem prolongar o uso da sonda alimentar e o tempo de internação, elevando os custos hospitalares. Os instrumentos objetivos para avaliar a alimentação oral e o desempenho da mamada são úteis na prática fonoaudiológica, pois permitem prever a necessidade de intervenção, a retirada segura da sonda, a redução dos custos hospitalares e promover o aleitamento materno a curto e longo prazo. Objetivo Geral: Definir um ponto de corte na escala LATCH, para caracterização da mamada e fatores associados ao seu desempenho em RNPT. Objetivos específicos: descrever o perfil sociodemográfico das mães, dos dados neonatais dos RNPT, da prontidão para alimentação por via oral, do desempenho da mamada, das habilidades de alimentação oral e dos dados associados à retirada de sonda; Analisar a associação entre o desempenho da mamada, definido pelo ponto de corte da escala LATCH, e o perfil sociodemográfico das mães, os dados neonatais dos RNPT, a prontidão para alimentação por via oral, as habilidades de alimentação oral e os dados associados à retirada de sonda. Métodos: Estudo quantitativo, observacional, analítico e transversal que utilizou dados secundários de um estudo guarda-chuva sobre a transição da alimentação por sonda para via oral em RNPT. A amostra da pesquisa maior incluiu 154 RNPT, selecionados por cálculo amostral, excluindo-se aqueles com síndromes ou comorbidades como displasia broncopulmonar, cardiopatias ou alterações neurológicas, conduzida na Unidade Neonatal de um Hospital Amigo da Criança. Os dados dos RNPT e das mães foram coletados a partir de investigação a prontuários e aplicação dos seguintes instrumentos: 1) escala POFRAS, a qual avalia a prontidão para iniciar a sucção nutritiva (SN) por meio da sucção em dedo enluvado; 2) a escala LATCH a qual avalia o desempenho da mamada, aplicada na avaliação da SN e na avaliação da retirada de sonda; e 3) os níveis de habilidade de alimentação oral, o qual avalia a capacidade de alimentação oral do RNPT, aplicado por meio da técnica do finger feeding (sonda-dedo) na avaliação da sucção nutritiva (SN) e na avaliação da retirada de sonda. A aplicação dos instrumentos ocorreu durante o serviço rotineiro da equipe de fonoaudiologia. A complementação por relactação, translactação e copo foram sugeridas pela equipe de fonoaudiologia como alternativas, quando necessário, sendo previamente discutido com equipe médica, reservando-se a mamadeira apenas para casos de contraindicação. Para este estudo, foram analisados dados de 121 RNPT sem comorbidades, tendo sido excluídos os que faziam uso de aleitamento artificial. Os dados foram organizados em planilhas do Excel®, abrangendo variáveis maternas como: idade, dividida em adolescente e adulto, escolaridade, tipo de parto, intercorrências durante o parto, paridade e o tempo de permanência da mãe na internação; variáveis neonatais, como: peso em gramas, Idade Gestacional corrigida, necessidade de oxigenoterapia, nota de Apgar no primeiro e quinto minutos; variáveis alimentares como: aptidão para via oral, desempenho da mamada por instrumento LATCH, níveis de habilidades de alimentação oral na avaliação sucção nutritiva (SN); e as variáveis da avalição para a retirada de sonda como: desempenho da mamada por instrumento LATCH, níveis de habilidade de alimentação oral, via oral estabelecida, forma de alimentação, e tempo de transição da sonda. Foram realizadas análises descritivas, com as variáveis categóricas apresentadas em frequências absolutas e relativas, e as quantitativas em medidas de síntese numérica. Os escores do LATCH foram divididos em dois grupos para análise: LATCH 1-6 (desempenho ineficiente) e LATCH 7-10 (desempenho eficiente), definidos por sensibilidade e especificidade via Curva ROC. Em seguida realizou-se análises de associação com as demais variáveis e para predizer o sucesso na alimentação oral por meio dos testes qui-quadrado de Pearson e correlação de Spearman. Os parâmetros da escala LATCH foram descritos segundo os níveis de habilidade oral. Para todas as análises foram utilizados nível de significância de 5% e intervalos de confiança de 95%. Resultados: As mães tinham idade média de 27,8 anos (DP±6,5), com média de 2,3 gestações (DP±1,9), 92,9% fizeram pré-natal, e a maioria (60,3%) teve parto cesárea. Quanto as intercorrências perinatais, somente 13,2% apresentaram diabetes e 17,2% apresentaram hipertensão. Quase todas (93,4%) permaneceram com seus filhos durante a internação. Quanto aos RNPT, 43% tinham entre 34 e 36 semanas de Idade Corrigida (ICo), e a maioria (62,8%) pesou entre 1500 e 2499 gramas. Aprsentaram em sua maioria Apgar maior que 8 no primeiro e quinto minutos, 65,8% e 92,5% respectivamente. A maior parte (93,4%) necessitou utilizar oxigenoterapia. Na avaliação da prontidão para alimentação oral, 82,6% dos RNPT estavam aptos a iniciar a SN, com média de 12,3 dias de vida (DP±12,5), idade gestacional (IG) de 34,5 semanas (DP±1,5), e peso de 1970,8 gramas (DP±415,7). Eles levaram em média 2,5 dias (DP±1,2) para atingir um escore de aptidão de 30,8 (DP±4,0). A análise do desempenho na amamentação, utilizando a curva ROC, mostrou que o escore LATCH ≥7 apresentou melhor equilíbrio entre sensibilidade (70,42%) e especificidade (57,14%), com acurácia global de 65%. Esse ponto de corte foi adotado para classificar o desempenho da mamada como ineficiente (1 a 6) ou eficiente (7 a 10). Entre os RNPT, não houve diferença significativa entre os grupos (desempenho ineficiente ou eficiente) em relação à ICo, peso ou tempo em oxigenoterapia. No entanto, mães com idade mais avançada, multíparas e com mais gestações tiveram maior probabilidade de seus bebês apresentarem desempenho eficiente na mamada (p < 0,05). Os RNPT considerados aptos para alimentação oral tinham mediana de 34-35 semanas, peso entre 1850-1870g e levaram em média 2 dias para se tornarem aptos à SN, ao associar com o grupo de desempenho ineficiente e eficiente, respectivamente. Não houve associação significativa entre essas variáveis e o desempenho na mamada. Entretanto, 70,4% dos RNPT com desempenho eficiente apresentaram habilidades orais avançadas (níveis 3-4), e 52,1% alcançaram nível 4 em proficiência e taxa de transferência (p< 0,05). Na retirada da sonda, 63,9% dos RNPT com escore LATCH ≥7 estavam em aleitamento materno exclusivo (AME), e apenas 4,2% necessitaram de complemento por mamadeira. Além disso, os bebês com melhor desempenho tiveram transição mais rápida da sonda para via oral. Conclusão: O estudo mostra que LATCH ≥7 é um ponto de corte relevante para identificar RNPT com maior chance de sucesso na amamentação, especialmente quando associado a bons níveis habilidade de alimentação oral. A multiparidade materna foi um fator protetor para o desempenho da mamada e a manutenção do aleitamento, enquanto mães primíparas precisam de mais suporte profissional. Os resultados destacam a importância da utilização de ferramentas validadas para uma transição eficiente e segura da sonda para a alimentação oral em RNPT, permite otimização da assistência e discussão de casos entre a equipe multiprofissional, podendo reduzir o tempo de internação, custos hospitalares e otimizar leitos.
Abstract
Introduction: Preterm newborns (PTNBs) require specialized care in Neonatal Units due to physiological immaturity, which increases morbidity and mortality risks. Oral feeding is a challenge, as it depends on clinical stability and the maturation of multiple systems, often requiring feeding tubes until the baby is able to feed safely. Factors such as gestational age, low birth weight, need for ventilatory support, and clinical complications can prolong the use of feeding tubes and hospital stay, increasing healthcare costs. Objective tools for evaluating oral feeding and breastfeeding performance are valuable in speech-language pathology, as they help predict the need for intervention, ensure safe tube removal, reduce hospitalization costs, and promote breastfeeding in both the short and long term. Objective: To define a cutoff point on the LATCH scale to characterize breastfeeding performance and identify factors associated with this performance in PTNBs. Methods: This is a quantitative, observational, analytical, and cross-sectional study using secondary data from a broader study on the transition from tube to oral feeding in PTNBs. The original sample included 154 preterm infants, with exclusions applied for syndromes and comorbidities. For this analysis, 121 PTNBs without comorbidities and not receiving artificial feeding were included. Data were collected from medical records and assessments using the following tools: (1) POFRAS scale, to evaluate readiness for nutritive sucking (NS); (2) LATCH scale, to assess breastfeeding performance; and (3) oral feeding skill levels, applied through the finger-feeding technique. Variables included maternal sociodemographic data, neonatal clinical data, oral feeding readiness, breastfeeding performance, oral feeding skills, and tube withdrawal details. LATCH scores were grouped as inefficient (1–6) or efficient (7–10), based on ROC curve analysis. Descriptive and inferential statistics were performed with a 5% significance level and 95% confidence intervals. Results: Mothers had a mean age of 27.8 years and most (60.3%) underwent cesarean delivery. Among PTNBs, 43% had 34–36 weeks corrected age, and most weighed between 1500 and 2499 grams. A total of 82.6% were deemed ready to initiate NS, with an average age of 12.3 days and mean weight of 1970.8 grams. The LATCH cutoff ≥7 showed the best balance between sensitivity (70.42%) and specificity (57.14%), with an accuracy of 65%. Infants with efficient breastfeeding performance were more likely to have mothers who were older and multiparous. Although no significant association was found between breastfeeding performance and gestational age, weight, or oxygen therapy, 70.4% of infants with efficient performance had advanced oral feeding skills (levels 3–4), and 52.1% reached level 4 in proficiency and transfer rate. Additionally, 63.9% of PTNBs with LATCH ≥7 were exclusively breastfed at the time of tube removal, and only 4.2% required bottle supplementation. These infants also transitioned more quickly from tube to oral feeding. Conclusion: A LATCH score ≥7 is a relevant threshold for identifying PTNBs with a higher likelihood of successful breastfeeding, especially when associated with advanced oral feeding skills. Maternal multiparity emerged as a protective factor, while primiparous mothers may require greater support. The findings reinforce the importance of using validated tools to ensure a safe and effective transition from tube to oral feeding, optimize care, improve multidisciplinary communication, reduce hospital stays and costs, and improve neonatal outcomes.
Assunto
Recém-Nascido Prematuro, Métodos de Alimentação, Comportamento Alimentar, Aleitamento Materno, Estudos Transversais, Dieta, Alimentação com mamadeira, Fenômenos Fisiológicos da Nutrição do Lactente, Fonoaudiologia, dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Recém-nascido prematuro, Métodos de Alimentação, Fonoaudiologia, Comportamento Alimentar, Aleitamento Materno
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