Fatores que predizem uma elevada utilização de serviços de saúde em um coorte de trabalhadores siderúrgicos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Claudia Maria de Rezende Travassos
Andrea Maria Silveira
Andrea Maria Silveira
Resumo
OBJETIVO: Investigar os fatores predisponentes individuais, do contexto ocupacional e
relativos à necessidade de saúde que predizem uma elevada utilização de serviços de saúde
em 12 meses de seguimento em uma coorte de trabalhadores siderúrgicos de BH.
MÉTODOS: A coorte foi constituída por trabalhadores ativos, do sexo masculino, de uma
indústria siderúrgica de grande porte de BH, cobertos por plano de saúde privado vinculado
ao contrato de trabalho e participantes de um inquérito de saúde realizado dentro da unidade
sede da indústria em 2006. As informações do inquérito foram obtidas por meio de entrevista
utilizando questionário estruturado contendo características sócio-demográficas,
ocupacionais, fatores comportamentais relacionados à saúde, morbidade referida, utilização
prévia de serviços de saúde e exposição a condições psicossociais adversas no trabalho,
determinadas pelo modelo de “demanda-controle” proposto por Karasek. A informação sobre
utilização de consultas médicas nos 12 meses seguintes ao inquérito foi obtida junto ao plano
de saúde. Informações sobre data de admissão na empresa, data de demissão ou óbito, se
existente, data de exclusão do plano de saúde e tipo de vínculo salarial durante o período de
seguimento foram obtidas de registros do setor de recursos humanos da empresa. A variável
resposta foi definida pela soma das consultas (em regime de urgência e eletivo) realizadas
durante os 12 meses subsequentes à data de participação no inquérito de saúde. Os
trabalhadores que realizaram 10 ou mais consultas durante o período de 12 meses
correspondem ao maior quintil de utilização e foram comparados aos demais trabalhadores
com relação ao conjunto de informações existentes, agrupadas conforme proposto pelo
modelo comportamental de RM Andersen (1995). Os fatores que predizem de forma
independente a maior utilização de serviços de saúde durante o seguimento foram
investigados por meio da regressão logística múltipla.
RESULTADOS: 11,15% dos indivíduos elegíveis não tiveram registro de consultas eletivas
ou de urgência durante o período de acompanhamento. A incidência de pelo menos uma
consulta em 12 meses foi de 88,85%. A média e mediana de consultas em um ano foram 5,54
(DP= 5,37) e 4,00, respectivamente. O risco de realizar 10 ou mais consultas foi maior entre
trabalhadores com idade igual ou superior a 50 anos (OR=2,14;IC95%:1,27-3,61); ex12
tabagistas (OR=1,51;IC95%:1,18-1,94); que relataram doença da coluna ou das costas
(OR=1,58; IC95%:1,22-2,05); tendinite, tenossinovite ou LER (OR=1,48; IC95%:1,05-2,08);
depressão (OR=2,30;IC95%:1,59-3,34); e expostos à alta exigência no trabalho
(OR=1,61;IC95%=1,17-2,23). O risco de maior utilização cresceu diretamente com o número
de consultas realizados no ano anterior ao inquérito (1-2 consultas: OR=2,02;IC95%:1,04-
3,93; 3-4 consultas: OR=3,89;IC95%:1,98-7,65; 5 ou mais consultas: OR=5,23; IC95%:2,61-
10,48) e com o número de medicamentos utilizados nos 15 dias precedentes ao início do
seguimento (1 medicamento: OR=1,53;IC95%:1,20-1,95; 2 ou mais medicamentos:
OR=2,56;IC95%:1,90-3,46). Trabalhadores com renda igual ou superior a 10 salários
mínimos tiveram uma menor risco de realizarem 10 ou mais consultas
(OR=0,51;IC95%:0,32-0,83).
CONCLUSÕES: A mediana do número de consultas em um ano de seguimento foi elevada,
e o ponto de corte para definir grande usuário é bem superior ao descrito em populações
trabalhadoras ativas do sexo masculino. Os fatores que aumentaram o risco de ser um grande
usuário de consultas médicas estão relacionados ao aumento das necessidades de saúde, como
a idade mais velha, e a presença de problemas de saúde anteriores, como indica a história de
tabagismo e o maior uso prévio de consultas eletivas e de medicamentos. O maior risco
associado à presença de doenças osteomusculares ou depressão, e ao trabalho sob alta
demanda psicossocial reforçam o papel das condições de trabalho sobre a saúde e atenção em
saúde. A renda familiar superior a 10 salários mínimos foi um fator protetor para a maior
utilização de serviços de saúde, sugerindo melhores condições de saúde desse grupo.
Abstract
OBJECTIVE: To investigate factors predisposing individual, context and occupational
factors related to health need that predict increased use of health services in 12 months of
follow up in a cohort of steel workers in Belo Horizonte, Brazil.
METHODS: The cohort was composed of active male workers of a large steel manufacturing
plant in Belo Horizonte. All workers were covered by private health insurance tied to
employment contract and participated in a health survey conducted at the headquarters unit of
the industry in 2006. Survey information was obtained through interview using a structured
questionnaire containing socio-demographic, occupational, health behavioral factors,
morbidity, previous use of health services and exposure to adverse psychosocial conditions at
work, measured by the Job Stress Scale. Data on number of physician visits in the 12 months
following the survey were obtained from the health plan. Information on duration of
employment, date of resignation or death, date of exclusion from the health plan and type of
wage contract during the study period were obtained from the company human resources
records. The response variable was defined as the upper quintile of the distribution of the
total number of medical visits (both, emergency and elective) during the 12 months of followup. Workers who performed 10 or more visits during the 12 months were compared to all the
other employees with respect to all existing information using multiple logistic regression
analysis.
RESULTS: From 3121 elegible workers, 11.15% had no record of elective or emergency
consultations during the monitoring period. The incidence of at least one visit in 12 months
was 88.85%. The mean and median numbers of consultations in one year were 5.54 (SE=
5.37) and 4.00, respectively. The risk (OR/95%CI) of making 10 or more visits was higher
among workers aged 50 years and above (2.14/1.27-3.61), former smokers (1.51/1.18-1.94),
who reported back pain (1.58/1.22-2.05), tendinitis, tenosynovitis or work-related
osteomuscular disorders (1.48/1.05-2.08), depression (2.30/1.59-3.34), and who were exposed
to high strain at work (1.61/1.17-2.23). The risk of high use increased directly with the
number of appointments made in the year preceding the survey (1-2 queries: 2.02/1.04-3.93;
3-4 queries: 3.89/1.98-7.65; 5 or more visits: 5.23/2.61-10.48) and the number of drugs used
in 15 days immediately prior to the follow up (a drug: 1.53/1.20-1.95, and two or more14
medications: 2.56/1.90-3.46). Workers who earned more than 10 minimum wages had a lower
risk of performing 10 or more medical visits (0.51/0.32-0.83).
CONCLUSIONS: The median number of medical consultations in one year of follow-up was
high and the cutoff to define major user is much higher than that found among most male
active working populations. Most of the predictors of being a major user of consultations
indicate increased health needs, as they are more common among older individuals and those
who already have some health problem, such as former smokers and those who were already
greater users of elective consultations and medicines. The greater risks for employees with
musculoskeletal disorders or depression, potentially related to work, and for individuals
working under high demand reinforce the role of psychosocial work conditions in health care
needs. Family income above 10 minimum wages was a protective factor for greater use of
health services, possibly reflecting better health and life quality of this group.
Assunto
Sobremedicalização, Doenças não Transmissíveis, Uso de Medicamentos, Depressão, Transtornos Traumáticos Cumulativos, Estresse Ocupacional
Palavras-chave
Utilização de serviços de saúde, Estudo de coorte, Doenças crônicas não transmissíveis, Uso de medicamentos, Depressão, Distúrbios osteomusculares, Stress no trabalho, Modelo de demanda-controle