Eficácia do dexrazoxano na prevenção de cardiotoxicidade em pacientes com câncer de mama expostos à quimioterapia com antraciclina, associado ou não ao trastuzumabe: revisão sistemática e metanálise
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Bruno Ramos Nascimento
Andreia Cristina Melo
Andreia Cristina Melo
Resumo
Antecedentes: As antraciclinas configuram entre os agentes mais eficazes no
tratamento do câncer de mama, mas seu uso é limitado por uma cardiotoxicidade
dose-dependente. Estudos clínicos sugerem que o dexrazoxano poderia contribuir
para a redução da toxicidade, mas não está claro se o efeito é mantido durante o
tratamento adjuvante seguido por trastuzumabe. O dexrazoxano é frequentemente
utilizado no contexto do câncer de mama metastático, quando são necessárias doses
cumulativas mais elevadas de antraciclina, mas é frequentemente omitido quando a
antraciclina é utilizada na terapia adjuvante. O objetivo deste estudo é conduzir
revisão sistemática e metanálise de estudos que avaliaram a eficácia do dexrazoxano
como cardioprotetor em pacientes com câncer de mama, em todos os estágios que
receberam quimioterapia baseada em antraciclina, seguida ou não de trastuzumabe.
Métodos: Foram realizadas revisão sistemática e metanálise. A revisão foi registrada
no banco de dados PROSPERO (CRD42017077462). Realizou-se revisão sistemática
de artigos relevantes publicados entre 1990 e agosto de 2017 no Cochrane Central
Register de Ensaios Controlados, Google Scholar, MEDLINE/Pubmed, LILACS, Web
of Science, referências de artigos e procedimentos da ASCO. Os estudos que
avaliaram insuficiência cardíaca congestiva ou evento cardíaco (alterações da função
cardíaca sem sintomas cardíacos ou hospitalização por motivos cardíacos) foram
incluídos como desfechos primários. Desfechos secundários foram potenciais efeitos
adversos de dexrazoxano na resposta oncológica (sobrevida completa ou parcial,
global e livre de progressão). Dois revisores realizaram independentemente a seleção
dos estudos, a avaliação do risco de viés e a extração de dados. A metanálise foi feita
usando o modelo de efeito aleatório para estimativa do efeito do tratamento. Foram
avaliados viés de publicação, análise de sensibilidade e heterogeneidade, além de
análises de subgrupo e metarregressão. Resultados: Nove estudos foram
identificados, incluindo 1.545 pacientes. Dexrazoxano reduziu a incidência de
insuficiência cardíaca (RR 0,182, IC 95%: 0,080-0,413, p < 0,0001) e eventos
cardíacos (RR 0,262, IC 95%: 0,169-0,407, p < 0,0001), sem impacto na taxa de
resposta (RR 0,897, IC 95%: 0,780-1,032, p=0,129), sobrevida geral (RR 1,008, IC
95%: 0,86-1,17, p=0,91) e sobrevida livre de progressão ( RR 0,97, IC 95%: 0,75-1,25,
p=0,81). Realizamos análises de subgrupos de estudos que utilizaram trastuzumabe
após antraciclina e estudos com exposição prévia à antraciclina. Em ambas as análises, o benefício geral do dexrazoxano foi mantido. A metarregressão, utilizando
como modelo a dose média de antraciclinas nos estudos e a idade dos estudos, não
demonstrou correlação significativa entre as covariáveis e o efeito global do
dexrazoxano na redução de eventos cardíacos. Conclusões: Em pacientes com
câncer de mama, o uso de dexrazoxano retardou e reduziu a toxicidade cardíaca
induzida pela antraciclina, com ou sem trastuzumabe. O uso associado de
dexrazoxano não interferiu na eficácia antitumoral das antraciclinas. Esses achados
podem ter implicações significativas para a prática clínica.
Abstract
Background: Anthracyclines continue to rank among the most effective agents in
breast cancer (BC) treatment, but its use is limited by a dose-dependent cardiotoxicity.
Clinical studies have suggested that dexrazoxane could reduce this toxicity, however
it is unclear whether the effect is maintained during an adjuvant treatment followed by
trastuzumab. Dexrazoxane is frequently used in the metastatic setting, when higher
anthracycline cumulative doses are needed, but is often omitted in adjuvancy. We
aimed to analyse whether dexrazoxane is cardioprotective in all BC stages in patients
receiving anthracycline-based chemotherapy followed or not by trastuzumab.
Methods: We performed a systematic review and meta-analysis. The review was
registreded in PROSPERO database (CRD42017077462). We searched data from
1990 to August 2017 in Cochrane Central Register of Controlled Trials, Google
Scholar, MEDLINE/Pubmed, LILACS, Web of Science, articles references and ASCO
proceedings. Studies assessing congestive heart failure or cardiac event (cardiac
function alterations without cardiac symptoms or hospitalization for cardiac reasons)
as primary endpoints were included. Secondary outcomes were potential adverse
effects of dexrazoxane on oncologic response (complete or partial, overall and
progression free survivals). Two reviewers independently performed the studies
selection, risk of bias assessment and data extraction. Meta-analysis was done using
random effect model for estimation of treatment effect. Heterogeneity was assessed
by visual inspection of forest plots and by Q test. Results: Nine studies were identified,
including 1545 patients. Dexrazoxane reduced heart failure incidence (RR 0.182, CI
95%: 0.080-0.413, p < 0.0001) and cardiac events (RR 0.262, CI 95%:0.169-0.407, p
< 0.0001) without impact on response rate or survival. In a subgroup analysis of studies
using trastuzumab after anthracycline, the overall benefit and safety of dexrazoxane
was maintained. Conclusions: dexrazoxane delayed and reduced anthracycline
induced cardiac toxicity, with or without trastuzumab. Its use did not interfere with the
anthracycline antitumoral efficacy. These findings may have significant implications for
clinical practice.
Assunto
Neoplasias da Mama, Cardiotoxicidade, Antraciclina/uso terapêutico, Dexrazoxano, Trastuzumab, Quimioterapia, Insuficiência Cardíaca
Palavras-chave
Cardiotoxicidade, Antraciclinas, Dexrazoxano, Câncer de mama, Cardioprotecão