Avaliação da segurança do uso de extrato de Cannabis em monoterapia e em associação ao fenobarbital em cães saudáveis e relato de seu emprego como terapia adjuvante ao fenobarbital em cães epilépticos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Rubens Antonio Carneiro
Vitor Marcio Ribeiro
Erik Amazonas de Almeida
Igor Dimitri Gama Duarte
Vitor Marcio Ribeiro
Erik Amazonas de Almeida
Igor Dimitri Gama Duarte
Resumo
Distúrbios do sistema endocanabinoide (SEC) podem estar relacionados a ocorrência de
doenças em diferentes espécies. As substâncias derivadas da Cannabis atuam sobre o
SEC. Assim, postula-se que a utilização desses compostos possa trazer benefícios no
tratamento de doenças. As epilepsias são condição clínica prevalente em cães. Parcela
significativa desses animais continua a apresentar crises epilépticas mesmo com a
utilização dos tratamentos farmacológicos atualmente disponíveis. Na medicina humana
há bom nível de evidência científica da eficácia do uso de tratamentos com derivados de
Cannabis no controle de crises epilépticas em algumas epilepsias refratárias. Nos últimos
anos, têm surgido estudos que avaliam a utilização destes produtos em animais e relatos
anedóticos da eficácia desses tratamentos na medicina veterinária. Ainda assim,
atualmente as evidências de segurança e propriedades terapêuticas dessas substâncias em
cães ainda são escassas. Este estudo teve como objetivos avaliar, em cães saudáveis, a
segurança do emprego de extrato de Cannabis contendo os fitocanabinoides canabidiol
(CBD) e Δ
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-tetrahidrocannabinol (THC) acompanhado ou não do fenobarbital (fase 1), e,
em cães epilépticos, analisaro efeito clínico da associação deste composto aofenobarbital
(fase 2). Na fase 1 foram utilizados 12 cães saudáveis mantidos em condições
experimentais, aleatoriamente divididos em três grupos(n=4): G1 tratado exclusivamente
com extrato de Cannabis, G2 tratado com associação do extrato ao fenobarbital e G3
tratado com associação do fenobarbital à solução placebo. Na fase 2, foram utilizadosseis
cães epilépticos acompanhados na rotina clínica do HV-UFMG, que estavam sendo
tratados com fenobarbital e ainda assim apresentavam no mínimo uma crise epiléptica
por mês. Foi utilizado delineamento simples-cego randomizado, e os animais foram
divididos em dois grupos: G4 tratado com extrato de Cannabis associado ao fenobarbital
previamente utilizado (n = 4) e G5 tratado com solução placebo associada ao fenobarbital
previamente utilizado (n=2). Os 18 animaisforam tratados por 60 dias. Durante o período,
foram acompanhados quanto a frequência de crises epilépticas (fase 2) e ocorrência de
possíveis efeitos colaterais aos tratamentos (fases 1 e 2). Além disso, foram realizadas
reavaliações clínicas e laboratoriais (exame físico e neurológico, coleta de sangue para
realização de hemograma, perfil bioquímico hepático e renal e mensuração sérica do
fenobarbital, aferição de pressão arterial sistólica – PAS, frequência cardíaca média –
FCM e realização de eletrocardiograma - ECG) em três tempos distintos: T0 – antes do
início dos tratamentos, T1 – 30 dias após início dos tratamentos e T2 - 60 dias após início
dos tratamentos. A instituição das terapias experimentais não determinou alterações
significativas em exame físico, neurológico, avaliações de função cardiovascular,
bioquímica renal e mensuração sérica do fenobarbital. Excetuando-se G5, os quatro
demais grupos experimentais apresentaram alteração no número de hemácias e/ou nos
índices hematimétricos (concentração de hemoglobina corpuscular média – CHCM - e/ou
hemoglobina corpuscular média - HCM) em algum momento do tratamento. Além disso,
os animais tratados com associação do fenobarbital ao óleo de extrato de Cannabis (G2
e G4) apresentaram elevação na atividade sérica das enzimas fosfatase alcalina (FA) e
alanina aminostransferase (ALT). O tratamento com óleo de extrato de Cannabis foi bem
tolerado, tendo sido registrados efeitos colaterais infrequentes e de pouca repercussão
clínica, não tendo havido necessidade de descontinuação da terapia em nenhum animal.
Dois dos quatro cães epilépticos tratados com o extrato de Cannabis (G4) e nenhum dos
cães tratados com placebo (G5) apresentaram redução na frequência de crises epilépticas
superior a 50% sendo, assim, considerados responsivos ao tratamento. Foi registrada
redução superior (33%) na frequência média de crises epilépticas mensais em G4 em
relação a G5 (9%). No entanto, tal redução não foi estatisticamente significativa (p >
0.05). A utilização em cães de extrato de Cannabis em monoterapia ou associado ao
fenobarbital foi segura na dose e tempo de tratamento empregados, considerando-se as
variáveis acompanhadas neste estudo. Indica-se monitorização frequente de hemograma
e bioquímica hepática neste tipo de tratamento – o último especialmente quando
empregada a associação de derivados da Cannabis ao fenobarbital. A adição do óleo de
extrato de Cannabis a tratamentos antiepilépticos com fármacos convencionais pode
determinar ganho no controle de crises epilépticas em cães, podendo ser considerada
estratégia terapêutica adjuvante em epilepsias caninas refratárias.
Abstract
Assunto
Palavras-chave
Cão, Doenças, Epilepsias, Ciência animal, Tratamento