Entre a extensão e a intensidade: corporalidade, subjetivação e uso de drogas
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Luiz Eduardo Soares
Luiz Fernando Dias Duarte
Nelson do Valle Silva
Claudio Chaves Beato Filho
Luiz Fernando Dias Duarte
Nelson do Valle Silva
Claudio Chaves Beato Filho
Resumo
Esta tese versa sobre consumos de drogas e processos de subjetivação e corporalização. Seu objetivo é problematizar a partilha moral (médico-legal) entre usos lícitos e ilícitos de drogas e explicitar os critérios que fundamentam tal partilha. Para tanto, argumenta-se que droga é uma noção plurivalente, que, além de relativamente recente, mantém fronteiras mutantes e imprecisas com categorias vizinhas (alimentos, remédios, venenos, etc.); e que uma investigação epistemologicamente positiva dos usos de drogas deve envolver uma análise das práticas e das representações socialmente constituídas dos corpos e dos sujeitos humanos e subsidiar uma reavaliação crítica do estatuto dos sujeitos e dos corpos humanos na teoria social. A partir da interpretação de dados históricos, delineia-se uma genealogia das drogas no Ocidente que mostra que, embora o uso de substâncias que denominamos drogas remonte a tempos imemoriais, foi no contexto dos contatos entre os povos europeus e seus outros, tais como eles se deram nos últimos séculos da Idade Média, que as drogas emergiram enquanto tais; que as sociedades ocidentais têm mantido uma relação paradoxal simultaneamente de repressão e de incitação com os consumos de drogas; que essa relação constitui o que se propõe chamar de um dispositivo das drogas; e que, em seus efeitos visados e perversos, tal dispositivo é agenciado segundo diferentes critérios de avaliação e modos de experimentação da vida, os quais, sendo socialmente definidos, estão relacionados com diferentes processos de encorporação e subjetivação. A partir dos surveys realizados com amostras aleatórias de habitantes de Juiz de Fora e de estudantes da UFJF, mostra-se que praticamente todos consomem drogas, embora não as mesmas drogas, nemcom a mesma freqüência; traça-se um perfil social dos usuários de drogas e esboça-se uma interpretação dos resultados apurados. A partir da etnografia realizada entre usuários de drogas de uso ilícito de Juiz de Fora, descrevem-se as redes de sociabilidade constituídas em torno do uso dessas drogas e mostrase que, do ponto de vista dos usuários, o consumo dessas drogas põe em jogo processos de alteração material e simbólica da percepção que envolvem o agenciamento de modos singulares de encorporação e de subjetivação. A partir da revisão bibliográfica de trabalhos que propõem ou aplicam teoria social à análise da temática do corpo, procura-se mostrar que a tendência dominante tem sido a de tomar como ponto de partida uma grande partilha entre a materialidade dos corpose a imaterialidade dos espíritos, concentrando-se a polêmica sobre o lado da partilha considerado determinante, e não sobre a pertinência da partilha propriamente dita; que essa partilha não é apenas de cunho epistemológico, mas é também cosmologicamente (in)formada por proposições ambivalentes sobre a natureza humana; e que o problema, inextricavelmente material e simbólico, dos consumos de drogas oferece um campo privilegiado para a problematização dessa partilha e sugere a necessidade de se buscarem alternativas teóricas. Por fim, argumenta-se que os diferentes usos de drogas configuram modos de produção de pessoas que privilegiariam quer a duração da vida na extensão, quer a intensidade de seus instantes, isto é, formas socialmente constituídas, entre outras mais ou menos convenientes, para agenciar modos intensivos ou extensivos de engajamento com o mundo.
Abstract
Assunto
Corpo humano Aspectos antropologicos, Sociologia, Ciencias humanas, Ciencias sociais Metodologia, Drogas
Palavras-chave
Corpo humano Aspectos, antropológicos, Ciências sociais Metodologia, Drogas, Ciências sociais