Música e literatura: ressonâncias modernistas no discurso poético-musical da bossa nova

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Paulo Sérgio Malheiros dos Santos
Pedro Henrique Dutra Martins Rocha Elias
Robson Bessa Costa
Ana Cláudia Assis

Resumo

Esta tese investiga as relações entre o Modernismo de 1922 e as canções da bossa nova, enfocando a obra de Antonio Carlos Jobim. A partir da compreensão do pensamento estético de Mário de Andrade e Oswald de Andrade, procura-se mostrar as ressonâncias da poética modernista no discurso de um conjunto de canções, a saber: “A felicidade”, “Desafinado”, “Garota de Ipanema” e “Águas de março”. Registra-se que esse diálogo não se constituiu apenas uma simples correspondência de procedimentos estilísticos, tendo em vista as semelhanças no modo como os referidos movimentos encenaram a modernidade do Brasil e participaram da tessitura da identidade brasileira. A tese aponta a bossa nova como uma tradição moderna que, ao mesmo tempo em que produziu uma linguagem poético-musical caracterizada pelas referências literárias e pela utilização de procedimentos próprios da poesia canonizada, contribuiu sobremaneira para a imersão da música popular nos diversos canais da indústria cultural em ascensão no país. Embora tenha ajudado a tecer um imaginário moderno na cultura brasileira e a promover a utopia progressista da década de 1960, esse movimento musical terminou por revelar as particularidades da experiência de uma modernidade periférica vivenciada nos trópicos. Observa-se ainda que o discurso da canção bossa-novista reflete as transformações culturais e sociais do país ocorridas no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, considerando-se o lirismo que traduz a dinâmica da vida urbanizada, o uso constante de recursos retóricos como o humor e a ironia e o emprego de uma linguagem poética que recusa a transcendência e se volta para a materialidade da existência cotidiana. Do ponto de vista teórico, a tese dialoga com pesquisas sociológicas e históricas que abordam a questão da invenção da identidade brasileira moderna, notadamente com os trabalhos de Mônica Pimenta Veloso e Renato Ortiz; com elementos da crítica literária de matiz sociológica, em especial com o pensamento de Antonio Candido; com a semiótica da canção na perspectiva de Luiz Tatit. A confluência dessas diversas áreas e linhas de pensamento resultou em um modelo de análise que busca examinar a canção como um acontecimento sonoro dinâmico, levando em consideração a integridade orgânica de seus elementos culturais, sociais, musicais, poéticos e performáticos.

Abstract

Assunto

Música - Teses, Música e literatura, Bossa-nova, Música (Modernismo), Música popular - Brasil, Jobim, Tom, 1927-1994

Palavras-chave

Bossa nova, Modernismo de 1922, Tom Jobim, canção popular brasileira, Mário de Andrade

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