Heterojustice and domestic violence between queer women in Belo Horizonte, Brazil

dc.creatorSamantha Nagle Cunha de Moura
dc.date.accessioned2024-10-18T15:10:14Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:06:36Z
dc.date.available2024-10-18T15:10:14Z
dc.date.issued2024-09-11
dc.description.abstractAs respostas institucionais à violência doméstica no Brasil ainda são predominantemente heteronormativas: o paradigma oculto é organizado em torno de explicações voltadas para a violência conjugal entre um agressor masculino e uma vítima feminina. Esse paradigma está no centro do funcionamento rotineiro do Sistema de Justiça Criminal (SJC) ao implementar a Lei Maria da Penha (LMP), a legislação que define o que significa “violência doméstica e familiar”, quem é protegida e quais são os princípios organizativos das respostas institucionais, incluindo aquelas oferecidas pelas instituições jurídicas. Inspirada pelas críticas feminista/queer do direito, da criminologia/vitimologia feminista/queer e da sociologia das práticas policiais e judiciais, apresento o conceito de heterojustiça como um sistema de regras e instituições que transforma a dominação com base em gênero e na orientação sexual em direito: ela impõe hierarquia de forma explícita ou sub-reptícia, confundindo sua operação estigmatizante com justiça. A heterojustiça opera essa transmutação ao manter cargos públicos como questão aristocrática, com frouxos mecanismos de prestação de contas; ao promover o conservadorismo e perseguir membros tidos como subversivos; e ao ofuscar sua relação histórica com o poder político por meio de uma ideologia judicial de neutralidade. Por meio de uma abordagem de métodos mistos composta por análise quantitativa/qualitativa de 466 medidas protetivas e entrevistas com 20 operadores do direito (promotoras/es, delegadas de polícia e juízas/es) com atuação em casos de violência doméstica em Belo Horizonte (Minas Gerais) desde a promulgação da LMP, demonstro como outras dinâmicas relacionais que perturbam o paradigma heteronormativo são tornadas invisíveis (a LMP não é aplicada) ou apenas inteligíveis através de um enquadramento hetero (aplicação da lei por emulação). Defendo uma análise multinível da violência de gênero que se baseie na interseccionalidade como investigação crítica e prática emancipatória que pode ser capaz de ir além da análise estritamente intersubjetiva ou estrutural da violência, com o fim de englobar uma investigação também em nível institucional que é fundamental para uma avaliação crítica de nosso engajamento contínuo com a heterojustiça.
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/77504
dc.languageeng
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectDireito
dc.subjectBrasil. [Lei Maria da Penha (2006)]
dc.subjectViolência familiar - Belo Horizonte
dc.subjectTeoria queer
dc.subject.otherMaria da Penha law
dc.subject.otherDomestic violence
dc.subject.otherCriminal justice system
dc.subject.otherQueer
dc.titleHeterojustice and domestic violence between queer women in Belo Horizonte, Brazil
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Marcelo Maciel Ramos
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/0645626939958600
local.contributor.referee1Nathália Lipovetsky e Silva
local.contributor.referee1Marilia Montenegro Pessoa de Mello
local.contributor.referee1Flávia Souza Máximo Pereira
local.contributor.referee1Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro
local.contributor.referee1Carmen Hein de Campos
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/3482341440598209
local.description.resumoInstitutional responses to domestic violence in Brazil are still primarily heteronormative: the hidden framework is organized around explanations catered to conjugal violence between a male perpetrator and a female victim. This framework is at the center of the normal functioning of the Criminal Justice System (CJS) when implementing the Maria da Penha Law (MPL), the legislation that defines what “domestic and family violence” means, who is protected, and what the organizing principles for the institutional responses to it are, including those by legal institutions. Inspired by feminist/queer legal theory, feminist/queer criminology/victimology, and sociology of police and judicial practices, I present the concept of heterojustice as a system of legal rules and institutions that transforms gender-based and sexuality-based domination into law: it overtly or surreptitiously enforces hierarchy (and commands obedience to it) by conflating its stigmatizing operation with justice. It does this by maintaining public office as an aristocratic affair with lax accountability mechanisms, by advancing conservatism and persecuting perceived subversive members within its ranks, and by obfuscating its historical relationship with political power through a neutrality judicial ideology. Through a mixed-methods approach comprised of quantitative/qualitative analysis of 466 protective orders and interviews with 20 legal professionals (prosecutors, police chiefs, and judges) with experience in adjudicating domestic violence cases in Belo Horizonte (Minas Gerais state) since the enactment of the MPL, I show how other(ed) relationship dynamics that disturb the heteronormative framework are rendered either invisible (the MPL is not enforced) or only intelligible by heteroframing (enforcement by emulation). I argue for a multi-level analysis of gender-based violence that builds upon intersectionality as a critical inquiry and emancipatory praxis that may be able to move beyond strictly intersubjective or structural analysis to also encompass an institutional-level inquiry that is much needed to critically assess our continuous engagement with heterojustice.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentDIREITO - FACULDADE DE DIREITO
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Direito

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