A produção de resistências por alunos gays no contexto da escola de ensino médio
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Anderson Ferrari
Marlucy Alves Paraiso
Marlucy Alves Paraiso
Resumo
O referido trabalho de mestrado teve por objetivo investigar as formas pelas quais alunos gays do ensino médio produzem resistências e/ou enfrentamentos às práticas comumente nomeadas como homofóbicas no espaço escolar. Partindo de um referencial bibliográfico que discute o tema Homofobia e Sexualidade na escola e Educação em Direitos Humanos, problematizamos a recorrente evidenciação desses sujeitos (alunos gays) como vítimas do preconceito, despotencializados diante de situações de discriminação. Partindo da já constatada realidade de que jovens gays são vítimas de homofobia nas escolas, buscou-se nesta pesquisa, evidenciar o outro lado da questão, a saber, as resistências que eles produzem dentro das relações de força existentes no meio escolar. Priorizou-se, assim, o alargamento do horizonte analítico, lançando luz sobre uma lacuna existente nesse campo de estudo, ou seja, dos modos pelos quais os sujeitos empreendem movimentos de resistências que objetivam a vivência das ditas sexualidades transgressoras. Para tanto, buscou-se nas teorizações de Michel Foucault, bem como de autores que se afinam com seu referencial teórico e analítico, o embasamento necessário para as reflexões aqui presentes. No que tange aos aspectos metodológicos, utilizamos como recurso as Entrevistas Narrativas On-Line, conforme indicado por Jeane Félix (2012). Com isso, foram realizadas dez (10) entrevistas semiestruturas por meio da rede social Facebook, com 10 jovens do sexo masculino de 4 estados do país. A partir do conteúdo das entrevistas buscou-se identificar as formas de resistências praticadas pelos jovens durante o tempo em que estiveram no ensino médio, bem como os efeitos que estas resistências desencadearam na sua subjetividade. Como resultado da pesquisa encontramos o descompasso existente entre o entendimento da homofobia como conceito sociológico e a forma como ela é discursada e vivida pelos jovens. O que a pesquisa nos revela é que, ao produzirem enfrentamentos e resistências às práticas nomeadas homofóbicas na escola, os jovens pesquisados colocam em xeque os limites do conceito de homofobia, chamando nossa atenção para o caráter disperso e complexo que sua prática revela. Encontramos nos discursos dos jovens uma dimensão da prática homofóbica que escapa às discussões políticas e sociológicas atuais da homofobia, isso porque esta habitaria um campo relacional e ético do sujeito que não se limita ao conteúdo formal da homofobia (discriminação, violência, abusos, brincadeiras disfarçadas, etc.), pelo contrário, abre a perspectiva de que, na prática, há um movimento muito intenso e produtivo do sujeito - sempre em relação com as condições concretas da sociedade - que o faz aprender e ensinar os labirintos dessa sexualidade que tanto incomoda a si mesmo e os outros.
Abstract
Said master's work aimed to investigate the ways in which gay high school students produce resistance and / or confrontations practices commonly named as homophobic at school. Starting from a bibliographic reference that discusses the topic Homophobia and Sexuality in school and Human Rights Education problematize the applicant disclosure of these individuals (gay students) as victims of prejudice, despotencializados before discrimination situations. Starting from the already observed reality that young gay men are victims of homophobia in schools, we sought this research show the other side of the issue, namely, the resistance they produce within the existing power relations in schools. Prioritized, thus extending the analytical horizon, casting light on a gap in this field of study, that is, the ways in which the subjects undertake movements of resistance aimed at the experience of so-called transgressive sexualities. Therefore, it sought the theories of Michel Foucault, as well as authors who comport with its theoretical and analytical framework, the necessary basis for the reflections present. With regard to methodological aspects, we use as a resource the interviews Narratives Online, as indicated by Jeane Felix (2012). Thus, there were ten (10) semiestruturas interviews through the Facebook social network, with 10 young men from four states. From the content of the interviews, we sought to identify the forms of resistance practiced by young people during the time they were in high school, as well as the effects that these resistances triggered in their subjectivity. As a result of the research, we found the existing gap between the understanding of homophobia as a sociological concept and the way it is discoursed and lived by young people. What the research shows is that us to produce confrontation and resistance to homophobic named in school practices, young people surveyed call into question the limits of the concept of homophobia, calling our attention to the dispersed and complex character that its practice reveals. We find in the speeches of young people a dimension of homophobic practice that escapes the current political and sociological discussions of homophobia, this because this would inhabit a relational and ethical field of the subject is not limited to the formal content of homophobia (discrimination, violence, abuse, jokes disguised, etc.), however, opens the prospect that, in practice, there is a very intense and productive movement of the subject - always in relation to the concrete conditions of society - that makes learning and teaching the labyrinths of this sexuality that both bothers yourself and others.
Assunto
Ensino médio Aspectos sociais, Educação, Homofobia, Identidade sexual na educação, Relações de gênero, Discriminação de sexo na educação
Palavras-chave
Ensino Médio, Alunos gays, Resistência, Homofobia