Homens autores de violência e a experiência de aprender a narrarem-se em um currículo

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

Título alternativo

Men who ares perpetrators of violence and the experience of learning to narrate themselves in a curriculum

Membros da banca

Andréa Moreira Lima
Marlucy Alves Paraíso
André Márcio Picanço Favacho

Resumo

A despeito da cultura do encarceramento em nosso país e da convocação a penalidades cada vez mais severas para quem comete atos de violência, especialmente contra mulheres, um tratamento diferente vem sendo infligido aos autores desse tipo de crime no Estado de Minas Gerais, por meio da Política de Alternativas Penais. As alternativas penais são um conjunto de penas e medidas restritivas de direito empregadas em resposta a um crime. Em Belo Horizonte, a penalidade de grupos reflexivos é aplicada a homens autores de violência e foi pensada como medida de proteção às mulheres. Ao apresentar e discutir com esses homens outros modos de resolução de conflitos, estaria prevenindo possíveis novas agressões. No entanto, os homens encaminhados pela Justiça dessa cidade para cumprir tal penalidade chamaram atenção pela predominância de certos aspectos: a maioria era pobre, moradora das periferias, com baixa escolaridade, trabalhadores informais, não-brancos. Eram corpos que diziam de uma precariedade, que poderiam facilmente ocupar o lugar da abjeção. Vidas infames, sem as marcas que visibilizam riqueza, instrução, privilégios. Um enquadramento produzido por relações de poder empurra esses homens, e não outros, para as fronteiras da humanidade, fazendo-os ocupar um entre-lugar: nem homens, nem monstros. Esta dissertação, construída sob a égide de conceitos extraídos das teorias de Michel Foucault, Judith Butler e Jorge Larrosa, teve como objetivo analisar, utilizando a metodologia de análise narrativa, a experiência de homens autores de violência contra a mulher, tidos como infames, ao narrarem-se no currículo de um grupo reflexivo ao qual foram submetidos em resposta ao ato criminal cometido. Por meio de uma penalidade determinada pela Justiça, esses homens são submetidos a um currículo e às suas tecnologias de poder para, a partir do fomento à reflexão, governarem-se de outro modo. Esse outro homem que deve ser produzido por meio desse currículo deve saber resolver seus conflitos utilizando estratégias como a reflexão e o diálogo, recusando a violência como resposta. O argumento geral desenvolvido foi o de que esse currículo promoveu mais do que se propôs: deu as condições de possibilidade para a emergência da experiência em homens comumente invisibilizados, a partir da oportunidade que tiveram de contar e ouvir histórias das fronteiras por onde circulam.

Abstract

Despite the culture of incarceration in our country and the call for ever more severe penalties for perpetrators of violence, especially against women, a different treatment has been inflicted on perpetrators of this type of crime in Minas Gerais, through the Policy of Criminal Alternatives. Criminal Alternatives are a set of penalties and restrictive arrangements of law applied in response to a crime. In Belo Horizonte, the penalty of reflexive groups is applied to men perpetrators of violence and was intended as an arrangement to protect women. Presenting and discussing with these men other ways of conflict resolution, it would be preventing possible further aggressions. However, the men sent by the Justice of that city to fulfill such penalty called attention by the predominance of certain aspects: the majority was poor, resident of the peripheries, with low education, informal employees and nonwhite people. They had precarious lives, that could easily occupy the position of abjection. Infamous lives, without the marks that envisage wealth, education, privileges. A framework produced by relations of power pushes these men, not others, to the frontiers of humanity, making them occupy an inter-place: neither men nor monsters. This dissertation, constructed under the aegis of concepts drawn from the theories of Michel Foucault, Judith Butler and Jorge Larrosa, aimed to analyze, using the methodology of narrative analysis, the experience of men authors of violence against women, considered as infamous, in the curriculum of a reflexive group to which they were submitted in response to the criminal act committed. By a penalty determined by Justice, these men are submitted to a curriculum and to their technologies of power to, from the foment to the reflection, to govern themselves of another way. This other man who must be produced through this curriculum must know how to resolve their conflicts using strategies such as reflection and dialogue, refusing violence. The general argument developed was.that this curriculum promoted more than it had proposed: it gave the conditions of possibility for the arise of the experience in commonly invisible men, from the opportunity that they had to tell and to hear histories of the borders by which they circulate.

Assunto

Violência conjuga, Violência contra a mulher, Violência - aspectos psicológicos, Violência - aspectos sociais, Violência (Direito), Prisões

Palavras-chave

Currículo, Homens autores de violência, Governo, Narrativa, Experiência

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