Entre Zumbi e a Princesa: o debate sobre o negro no pensamento estético-político modernista
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Eduardo de Assis Duarte
Wander Melo Miranda
Deivison Moacir Cezar de Campos
Emílio Carlos Roscoe Maciel
Wander Melo Miranda
Deivison Moacir Cezar de Campos
Emílio Carlos Roscoe Maciel
Resumo
Esta tese de natureza teórica, bibliográfica e documental aborda aspectos decorrentes das relações entre literatura, política, cultura e racismo suscitados na leitura comparada das obras de dois escritores centrais do modernismo literário brasileiro: Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Com base nos postulados de Jacques Derrida (1994) sobre as políticas da memória, da herança e das gerações, assim como nos apontamentos de Eduardo Jardim (2022) e de Silviano Santiago (2023) sobre o legado modernista, partimos da hipótese de que somos herdeiros, mas não somos contemporâneos de Mário de Andrade e Oswald de Andrade, para mapear, extrair, filtrar, peneirar e apurar argumentos e imagens sobre a cultura e o povo negro produzidos no período entreguerras pelos dois artistas ligados aos grupos políticos e literários oriundos da Semana de Arte Moderna de 1922. O nosso interesse é compreender em que medida os argumentos dos modernistas amparam, fazem coro, interpelam, divergem e convergem com o pensamento social brasileiro no tocante à questão racial. Os resultados indicam, por exemplo, que muito antes de o Estado Democrático de Direito reconhecer a existência do racismo na sociedade brasileira, os modernistas levantaram e debateram o tema no espaço público. Em síntese, do ponto de vista do leitor negro, foi possível constatar que os dois escritores paulistas – companheiros das jornadas de 1922 rompidos na conjuntura da crise oligárquica de 1929 – travaram durante o Estado Novo (1937-1945) um ruidoso debate sobre temas de interesse das literaturas, das culturas e das histórias afro-brasileiras contemporâneas.
Abstract
This doctoral dissertation, theoretical, bibliographical, and documentary in nature, explores aspects arising from the relationships between literature, politics, culture, and racism, prompted by a comparative reading of the works of two central writers of Brazilian literary modernism: Mário de Andrade and Oswald de Andrade. Grounded on the postulates of Jacques Derrida (1994) regarding the politics of memory, of inheritance, and of generations, as well as on Eduardo Jardim’s (2022) and Silviano Santiago’s (2023) remarks about the modernist legacy, we hypothesize that we are heirs but not contemporaries of Mário de Andrade and Oswald de Andrade. This hypothesis guides our endeavor to map, extract, filter, sift, and refine arguments and images concerning culture and Black people, produced during the interwar period by these two artists, who were involved with the political and literary groups that originated from the Modern Art Week of 1922. Our aim is to understand to what extent the modernists' arguments support, resonate with, challenge, diverge from, and converge with Brazilian social thought as regards the issue of race. Our results indicate, for instance, that the modernists raised and debated this matter in the public sphere long before the Democratic State of Law recognized the existence of racism in Brazilian society. To conclude, from the perspective of the Black reader, it was possible to observe that the two writers from São Paulo - companions in the debates of 1922 who broke off during the oligarchic crisis of 1929 - engaged in a noisy debate during the Estado Novo (1937-1945) on topics of interest to contemporary Afro-Brazilian literatures, cultures, and histories.
Assunto
Andrade, Mário de, 1893-1945 – Crítica e intepretação, Andrade, Oswald de, 1890-1954 – Crítica e interpretação, Racismo na literatura, Modernismo (Literatura), Literatura e sociedade
Palavras-chave
racismo e literatura, modernismo literário, democracia racial, herança modernista