Da vida-memórias de minha mãe : contranarrativas autodefinidas de trabalhadoras domésticas racializadas do Dona Sinhaninha, Oliveira-MG.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Ana Claudia Lemos Pacheco
Luciana de Oliveira Dias
Luciana de Oliveira Dias
Resumo
A presente dissertação é resultado de uma pesquisa etnográfica biográfica com três trabalhadoras domésticas racializadas, Luzia, Sol e Lourdes que exercem tal trabalho no bairro Dona Sinhaninha, na cidade de Oliveira, em Minas Gerais. Tendo como objetivo analisar as trajetórias delas, apresenta-se de que maneira os processos de autodefinições (Collins, 2019c), traçados pelas trabalhadoras, tornam possível o agenciamento das imagens de controle (Collins, 2019b) que as perpassam. Compreendendo imagens de controle como imagens coloniais de mulheres negras escravizadas que foram ao longo do tempo aprisionadas no imaginário coletivo, acionando expectativas em relação aos corpos e trabalhos de mulheres negras. A presente pesquisa dedica-se especificamente à aproximação da imagem estadunidense da mammy (Collins, 2019b) e da brasileira da mãe-preta (Gonzalez, 2020j), as quais são acionadas como forma de justificar as opressões interseccionais que perpassam as trajetórias de trabalhadoras domésticas, buscando controlar os significados dos seus corpos e trabalho. Sendo o processo de autodefinição entendido como uma resposta possível dada pelas mulheres negras, que através das suas experiências, elaboram outros significados sobre seus trabalhos e vidas. Tendo tudo isso em vista, foram realizadas entrevistas com as três mulheres, entre os anos 2022-2023 na cidade de Oliveira. Sendo a pesquisadora filha de uma das interlocutoras, Luzia, a pesquisa também discute posicionalidades, memórias e intimidade a partir dos desafios e implicações de uma etnografia em casa, com uma mãe-interlocutora e uma filha-antropóloga. As três trabalhadoras apresentam três cenários diversos e plurais sobre as realidades do trabalho doméstico no Brasil, nos quais a imagem de controle, significados e expectativas estão presentes, seja nas narrativas das relações estabelecidas dentro das casas em que trabalham, abarcando relações de (quase) parentesco, relações trabalhistas de longa duração, e ainda a realidade do trabalho doméstico em um contexto de herança, no qual o ofício passa de mãe para filha. Como parte do processo de autodefinição, elas demonstraram as percepções acerca das realidades do trabalho, de si mesmas, e nas construções de suas trajetórias em outros espaços para além do trabalho doméstico. Argumento então, que as narrativas elaboradas por essas mulheres sobre si mesmas, a partir das suas experiências e trajetórias dentro e fora do trabalho doméstico, constituem-se como contranarrativas autodefinidoras sobre si e sobre o trabalho, que vão em desencontro às narrativas coloniais das imagens de controle acerca do trabalho doméstico por elas realizados.
Abstract
This dissertation is the result of biographical ethnographic research with three racialized domestic workers, Luzia, Sol and Lourdes, who carry out such work in the Dona Sinhaninha neighborhood, in the city of Oliveira, in Minas Gerais. Aiming to analyze their trajectories, it presents how the processes of self-definitions (Collins, 2019c), outlined by the workers, make it possible to manage the images of control (Collins, 2019b) that permeate them. Understanding images of control as colonial images of enslaved black women that have been imprisoned over time in the collective imagination, triggering expectations in relation to the bodies and work of black women. This research is specifically dedicated to bringing together the American image of the mammy (Collins, 2019b) and the Brazilian image of the black mother (Gonzalez, 2020j), which are used as a way of justifying the intersectional oppressions that permeate the trajectories of domestic workers , seeking to control the meanings of their bodies and work. The process of self-definition is understood as a possible response given by black women, who, through their experiences, elaborate other meanings about their work and lives. With all this in mind, interviews were carried out with the three women, between the years 2022-2023 in the city of Oliveira. As the researcher is the daughter of one of the interlocutors, Luzia, the research also discusses positionalities, memories and intimacy based on the challenges and implications of an ethnography at home, with a mother-interlocutor and an anthropologist-daughter. The three workers present three diverse and plural scenarios about the realities of domestic work in Brazil, in which the image of control, meanings and expectations are present, whether in the narratives of the relationships established within the homes in which they work, encompassing relationships of (almost) kinship, long-term labor relations, and also the reality of domestic work in a context of inheritance, in which the job passes from mother to daughter. As part of the self-definition process, they demonstrate
perceptions about the realities of work, of themselves, and in the construction of their trajectories in other spaces beyond domestic work. I argue then that the narratives elaborated by these women about themselves, based on their experiences and trajectories inside and outside domestic work, constitute self-defining counter-narratives about themselves and work, which go against the colonial narratives of the images of control over the domestic work carried out by them.
Assunto
Antropologia - Teses, Negras - Teses, Raça - Teses, Empregados domésticos - Teses
Palavras-chave
Mulheres negras, Raça, Trabalhadoras domésticas, Trajetória de vida
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