Raça, lugares e barreiras: trajetórias de vida de chefes negros em uma organização pública do estado de Minas Gerais
Carregando...
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Artigo de evento
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Introdução
Os debates acerca de políticas que busquem reduzir as desigualdades raciais ainda são tímidos no Brasil, e apresentam forte resistência dos setores mais conservadores da sociedade. Apoiados, sobretudo, na ideia de uma suposta “democracia racial”, em discursos meritocráticos simplórios que desconsideram trajetórias históricas e contextos de vida, negam-se desigualdades e situações de injustiça evidentes.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Diante dessa problematização inicial, a questão central que norteia o presente artigo é como a questão racial se apresentou durante a trajetória de vida de negros que alcançaram cargos de chefia em uma organização pública do estado de Minas Gerais. Nesse sentido, objetiva-se investigar a trajetória de vida dos entrevistados, buscando apreender aspectos que se relacionem com a questão racial.
Fundamentação Teórica
A ainda incipiente movimentação no âmbito dos estudos organizacionais em torno da questão racial pode advir de uma possível naturalização da situação, e também, pelo fato de que muito dificilmente são observadas cenas explícitas de discriminação racial nas organizações, contudo, este fato não implica a inexistência do racismo. Nesse sentido, a suposta predileção dos negros por uma determinada ocupação provavelmente advém de questões culturais e de uma internalização do que seria o papel dos negros na sociedade.
Metodologia
O presente trabalho buscou considerar a história de vida dos três únicos negros que ocupam cargos de chefia em uma organização pública do governo do estado de Minas Gerais. Utilizou-se uma metodologia qualitativa, a partir da reprodução das trajetórias de vida dos sujeitos, uma vez que as discriminações raciais são sentidas de formas distintas por cada pessoa, e somente quem sofre a discriminação pode, de fato, retratar o assunto. Para a análise dos dados, optou-se realizar uma análise de conteúdo, viabilizando a estruturação de categorias de análise comuns nas falas dos entrevistados.
Análise dos Resultados
Os principais resultados sugerem convergência nas origens simples dos entrevistados, e no pioneirismo do acesso ao ensino superior em suas famílias, a transposição de uma importante barreira. Todavia, mais escolaridade não significou facilidade para superar “o lugar do negro” na sociedade. Ocupar uma posição historicamente ocupada por brancos, que ainda o fazem majoritariamente hoje, é outro ponto de convergência das trajetórias de vida dos entrevistados.
Conclusão
As principais contribuições do estudo destacam com os entrevistados integram a estatística dos apenas 32% de negros mineiros em cargos de diretores e gerentes. Em contraposição, ocupações que remetem a trabalhos manuais são majoritariamente ocupados por negros. O reconhecimento desta situação representa o racismo no Brasil, muitas vezes velado, silencioso, mas capaz de manter estruturas. É preciso denunciar a miscigenação e sua máscara de igualdade racial como forma de desarticulação do movimento negro.
Abstract
Assunto
Administração pública, Negros - Emprego
Palavras-chave
Raça, Lugares, Barreiras