"Não vai tocar funk, não, né?": gênero e subjetividades negras periféricas no organizar do Baile da Serra

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Juliana Cristina Teixeira
Vitória Régia Izaú

Resumo

Esta pesquisa teve como intuito responder ao seguinte problema: como se manifestam o gênero e as subjetividades negras periféricas no organizar de um baile funk na cidade de Belo Horizonte? Tendo os seguintes objetivos específicos: i) compreender quais as subjetividades das mulheres negras envoltas no organizar do baile; ii) descrever a história do Baile da Serra como organização; iii) identificar as práticas organizativas empreendidas pelas mulheres negras no organizar do baile. Fundamentada em uma perspectiva crítica dos Estudos Organizacionais essa pesquisa buscou demonstrar que o olhar limitado sobre organização e as formas de organizar presentes no mainstream do campo da Administração podem e devem ser superados. Nessa perspectiva, o desafio desse trabalho foi pensar outras possibilidades de arranjos organizacionais. Desse modo, o conceito de organizações outras foi escolhido nessa pesquisa para caracterizar a organização do Baile da Serra, que possui uma realidade de gestão diversa, múltipla, permitindo assim, a partir da captura do cotidiano de sua organização e das pessoas que compõe seu organizar, compreender suas práticas organizativas. Ao adotar as estratégias da pesquisa qualitativa realizei o uso de diversos instrumentos para as coletas de dados, cada um foi fundamental para a concepção final da dinâmica organizacional do Baile da Serra. A metodologia baseada na Análise Crítica do Discurso proposta por Van Dijk foi a abordagem que utilizei para analisar os dados produzidos em campo por intermédio das entrevistas semiestruturadas e a técnica de letras de música. O arcabouço teórico incluiu aspectos importes para a compreensão das dinâmicas organizacionais do Baile da Serra. Entender qual a noção de sujeito e subjetividade que se alicerça esta pesquisa se torna importe para abarcar os conceitos de gênero e subjetividade utilizados. A escolha dos conceitos elencados anteriormente deu suporte para que fosse possível apresentar a constituição histórica, social e política das periferias e favelas e do Aglomerado da Serra e, consequentemente, entender quem são as sujeitas e sujeitos que ocupam esses territórios. Mediante a riqueza dos dados, elaborei três grandes tópicos de análise que foram estruturados como capítulos teórico-empíricos, a saber: Funk como mobilizador: mulheres negras e subjetividades funkeiras; Organizações-outras: conhecendo o Baile da Serra; Práticas organizativas: organizando o baile funk. O funk, nesse trabalho, se torna um elemento-chave, em relação às sujeitas que compõe o organizar do Baile da Serra, ele se destaca por ser um potencial mobilizador político para essas. Diante das narrativas dessas, busquei descrever, com auxílio da teoria de organizações proposta pelos Estudos Organizacionais, como o Baile da Serra, por intermédio das ações cotidianas de seus organizadores, pode ser considerado uma organização, uma organização outra. Dessa forma, essas organizações elas também podem ser compreendidas sob a perspectiva das subjetividades, nas quais as sujeitas e sujeitos envoltos em sua dinâmica organizacional, a partir dos seus saberes, constroem e reconstroem suas práticas organizativas de acordo com o contexto social. Os resultados obtidos após a análise organizacional do Baile da Serra apontam para um aspecto muito importante que é discutir a criminalização do funk.

Abstract

Assunto

Relações de gênero, Comportamento organizacional, Funk (Música)

Palavras-chave

Gênero, Interseccionalidade, Subjetividades, Organizações Outras, Baile Funk

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