Estudo sócio-onomástico de nomes de urna no português brasileiro

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Juliana Soledade Barbosa Coelho
Márcia Sipavicius Seide
Maria Alice Mota

Resumo

Consideramos, nesta pesquisa, a prática de nomeação de pessoas envolvidas em um contexto social específico, que são as eleições políticas no Brasil. Inseridos nesse contexto, as pessoas interessadas devem, para o registro de sua candidatura, escolher um nome para constar na urna eletrônica, nome este que será utilizado em toda a campanha eleitoral e que, em sua configuração linguística, deve seguir as normas estabelecidas pela Lei n.º 9.504/1997 (Lei das Eleições) e pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. A partir de um estudo com essa categoria de antropônimos e das contribuições de alguns trabalhos já desenvolvidos (Amaral; Machado, 2015; Amaral; Coutinho, 2021; Boas, 2014; Soares, 2017; Santos; Rocha, 2019), analisamos um conjunto de 5.403 nomes de urna de deputados estaduais e distritais eleitos entre 2002 e 2022, abrangendo todas as unidades da federação, nomes que extraímos do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na análise desses dados, valemo-nos das contribuições teórico-metodológicas da Sociolinguística Laboviana (Labov, 2008 [1972]; Weinreich, Labov & Herzog, 2006 [1968]) e da Sócio-Onomástica (Ainiala, 2016; Ainiala; Östman, 2017). Em nossas discussões, também consideramos os liames que podem ser estabelecidos entre língua(gem), sociedade e relações de poder, sobretudo no âmbito político, contexto do qual emerge a categoria dos nomes de urna. Na análise de dados, verificamos, por meio das rodadas no GoldVarb X, que, dos 5.403 nomes analisados, em 1.369 (25,3%), há divergências em relação ao nome civil, as quais podem ser percebidas por meio de alterações morfológicas, inserção de qualificativos e outros elementos, substituição total e parcial do nome civil, etc. Na análise dos fatores sociais, a procedência geográfica, o ano das eleições e o grau de escolaridade do candidato são as variáveis que o programa selecionou, nesta ordem de relevância estatística, indicando que esses fatores influenciam, em alguma medida, na variação dos nomes de urna que analisamos. O que podemos concluir, a partir das nossas reflexões sobre o corpus, é que os candidatos mobilizam diferentes recursos linguísticos, considerando ou não o nome civil, para estruturar o seu nome de urna, de modo que o uso desse antropônimo pode funcionar como uma importante estratégia de marketing eleitoral. Enfim, por meio dos nossos resultados e das discussões sobre os nomes de urna, almejamos contribuir com a descrição da antroponímia brasileira, no âmbito da Sócio-Onomástica, considerando, sobretudo, recentes estudos que têm adotado como objeto de estudo novas categorias de antropônimos no português brasileiro (PB).

Abstract

This research examines the practice of naming people involved in Brazilian political elections. In this context, candidates must choose a name to display on the electronic ballot box. This name, used throughout the electoral campaign, must adhere to the linguistic norms established by Law n.º 9.504 /1997 (Elections Law) and by the resolutions of the Brazilian Superior Electoral Court. Based on a study with this category of anthroponyms and the contributions of some works already developed (Amaral; Machado, 2015; Amaral; Coutinho, 2021; Boas, 2014; Soares, 2017; Santos; Rocha, 2019), we analyzed a set of 5,403 ballot box names of state and district deputies elected between 2002 and 2022, covering all units of the federation, names that was sourced from the Open Data Portal of the Superior Electoral Court (TSE). In analyzing these data, we utilized the theoretical and methodological contributions of Labovian Sociolinguistics (Labov, 2008 [1972]; Weinreich, Labov & Herzog, 2006 [1968]) and Socio-Onomastics (Ainiala, 2016; Ainiala & Östman, 2017). Our discussions also considered the links between language, society, and power relations, particularly in the political sphere where ballot box names emerge. Using the GoldVarb X application, we analyzed the 5,403 names and found that 1.369 (25,3%) there are differences regarding the civil name. These changes included morphological alterations, insertions of qualifiers and other elements, and total or partial substitutions of the legal name. In the analysis of social factors, geographical origin, the year of the election and the candidate's level of education are the variables that the program selected, in this order of statistical relevance, indicating that these factors influence, to some extent, the variation in the ballot names we analyzed. What we can conclude from our reflections on the corpus is that the candidates mobilize different linguistic resources, whether or not they consider their civil names, to structure their ballot box names, so that the use of this anthroponym can function as an important electoral marketing strategy. Finally, through our results and discussions about ballot box names, we aim to contribute to the description of Brazilian anthroponymy, within the scope of Socio-Onomastics, especially considering recent studies that have adopted new categories of anthroponyms in Brazilian Portuguese (BP) as their object of study.

Assunto

Língua portuguesa – estudo e ensino, Onomástica, Eleições – Brasil, Nomes pessoais, Sociolinguística

Palavras-chave

Sócio-onomástica, Antropônimos, Nomes de urna, Português brasileiro

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