Fatores associados à qualidade de vida relacionada à saúde bucal de crianças e adolescentes com e sem deficiência visual
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Monografia de especialização
Título alternativo
Factors associated with oral health-related quality of life of children and adolescents with and without visual impairment
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Clara Paiva
Lucas Duarte Rodrigues
Lucas Duarte Rodrigues
Resumo
A deficiência visual (DV) tem um impacto direto no desempenho diário de pessoas com tal condição, interferindo no aprendizado, na inserção social e econômica, bem como na sua autoestima. No que diz respeito à saúde bucal, a literatura tem demonstrado que pessoas com DV podem apresentar problemas bucais com maior frequência do que aquelas sem a deficiência, afetando sua qualidade de vida. O objetivo deste estudo foi investigar os fatores associados à qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) de crianças e adolescentes com DV em comparação com crianças e adolescentes sem DV. Para tal, foi realizado um estudo transversal comparativo, sendo o grupo 1 composto por uma amostra de 17 crianças e adolescentes com DV, atendidas pelo Instituto São Rafael, instituição de referência em atendimento a pessoas com DV em Belo Horizonte-MG; e o grupo 2, composto por 51 crianças e adolescentes sem DV, matriculadas em uma escola pública da cidade de Belo Horizonte, MG. A amostra foi pareada na proporção de 1:3 para sexo e idade e foram selecionados indivíduos na faixa etária de 6 a 14 anos. Os participantes do estudo foram examinados por dois examinadores previamente treinados e calibrados para cárie dentária (ICDAS-II e PUFA). Para a coleta de informações relativas à qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) foi utilizada a versão brasileira da Escala PedsQL-OH™ 3.0 para autorrelato de crianças de 5 a 18 anos. Dados sociodemográficos e relacionados às características da criança foram coletados através de um questionário auto aplicado, que foi respondido pelos pais/responsáveis. Já as informações sobre presença de dor de dente na criança/adolescente foram respondidas tanto pelos responsáveis quanto pelas próprias crianças/adolescentes. Os dados foram analisados através de estatística descritiva (média e desvio-padrão) e regressão de Poisson com variância robusta, não ajustada e ajustada. As associações com valor de p < 0,20 na análise não ajustada foram incluídas na análise ajustada (IC=95%, p<0,05). O estudo identificou que crianças e adolescentes com DV apresentaram maior média de dentes cariados cavitados (2,35 ± 2,17) e maior prevalência de consequências clínicas da cárie dentária não tratada (11,8%). Além disso, a ausência de dor dentária nesse grupo foi associada a uma probabilidade 1,47 vezes maior de apresentar melhor QVRSB (IC95%=1,31-1,65; p<0,001). Já no grupo sem DV, a ausência de consequências clínicas da cárie (IC95%=1,14-1,64; p=0,001) e ser filhos de pais casados (RP = 1,14; 95%IC = 1,02-1,28) foram fatores associados a melhor QVRSB. Os resultados deste estudo sugerem que a ausência de dor dentária pode impactar positivamente a QVRSB de crianças e adolescentes com DV, enquanto a ausência das consequências clínicas da cárie dentária não tratada e ter pais que são casados pode impactar positivamente a QVRSB daqueles sem DV. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias preventivas e assistenciais específicas para cada grupo, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também fatores psicossociais e familiares, além de apontar para a importância de estudos futuros com amostras mais amplas e representativas.
Abstract
Visual impairment (VI) has a direct impact on the daily performance of individuals with this condition, interfering with learning, social and economic inclusion, as well as self-esteem. Regarding oral health, the literature has shown that people with VI may experience oral health problems more frequently than those without the impairment, affecting their quality of life. The aim of this study was to investigate the factors associated with oral health-related quality of life (OHRQoL) of children and adolescents with VI. A comparative cross-sectional study was conducted, with Group 1 comprising a sample of 17 children and adolescents with VI, assisted by the Instituto São Rafael, a reference institution for the care of people with VI in the city of Belo Horizonte, MG; and Group 2 comprising 51 children and adolescents without VI, enrolled in a public school in Belo Horizonte, MG. The sample was matched by sex and age in a 1:3 matching ratio, and individuals aged 6 to 14 years were selected. Participants were examined by two examiners previously trained and calibrated for dental caries (ICDAS-II and PUFA). To collect information regarding OHRQoL, the Brazilian Portuguese version of the PedsQL-OH™ 3.0 Scale self-report for children aged 5 to 18 years was used. Sociodemographic and child-related data were collected through a self-administered questionnaire completed by parents or guardians. Information on the presence of toothache reported by the child/adolescent was provided both by the guardians and the children/adolescents themselves. Data were analyzed using descriptive statistics (mean and standard deviation) and Poisson regression with robust variance, both unadjusted and adjusted. Associations with a p-value < 0.20 in the unadjusted analysis were included in the adjusted analysis (CI=95%, p<0,05). The study found that children and adolescents with VI had a higher mean number of cavitated carious teeth (2,35 ± 2,17) and a higher prevalence of clinical consequences of untreated dental caries (11,8%). Additionally, the absence of toothache in this group was associated with a 1.47 times greater likelihood of reporting better OHRQoL (95%CI=1.31–1.65; p<0.001). In the group without VI, the absence of clinical consequences of untreated dental caries (95%CI=1.14–1.64; p=0.001) and having married parents (PR = 1.14; 95%CI = 1.02–1.28) were factors associated with better OHRQoL. The results of this study suggest that the absence of dental pain may positively impact the OHRQoL of children and adolescents with VI, while the absence of clinical consequences of untreated dental caries and having married parents may positively impact the OHRQoL of those without VI. These findings reinforce the need for specific preventive and assistential strategies targeting each group, considering not only clinical but also psychosocial and family aspects, and highlight the importance of future studies with larger and more representative samples.
Assunto
Adolescente, Criança, Transtornos da visão, Epidemiologia, Saúde bucal
Palavras-chave
Adolescente, Criança, Deficiência visual, Epidemiologia, Saúde bucal