Teatro do Oprimido como interface

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tipo

Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Silke Kapp
Ricardo Carvalho de Figueiredo

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A proposta do trabalho é investigar o Teatro do Oprimido (TO) — seus exercícios, jogos e práticas — como interface em atuações críticas de arquitetura e urbanismo. Sistematizado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, o TO parte da crítica do teatro convencional que serve para manter os espectadores passivos e contribui para sua adaptação à sociedade capitalista. Por sua vez, Boal entende o teatro como uma linguagem capaz de ser utilizada por qualquer pessoa pela mobilização do corpo para percepção, expressão e diálogo. Diferente de apresentar uma proposta acabada (projeto ou espetáculo), refletindo os interesses e visão de mundo das classes dominantes, Boal defende a tomada dos meios de produção teatral pelas pessoas. Nesse sentido, sistematiza uma série de jogos, exercícios e práticas teatrais para engajar as pessoas na crítica da própria realidade. Embora seja um meio de envolvimento e de consciencialização inicial sobre as relações sociais de opressão e a dimensão corporal da alienação, o TO não avança num questionamento de como o espaço serve para produzir e reproduzir essas relações sociais. Tomando-o como ponto de partida, proponho investigá-lo como interface para problematizar o espaço cotidiano e as relações sócio-espaciais por ele (re)produzidas. A pesquisa aqui apresentada parte, portanto, da interseção entre os estudos sócio-espaciais e teatrais, por meio da crítica dos próprios campos de conhecimento e da sociedade capitalista em que são constituídos. Inicialmente, proponho uma discussão sobre a produção teatral desde o século XX, buscando analisar como as relações sociais de dominação também são produzidas e reproduzidas espacialmente no campo teatral. Em seguida, discuto o TO a partir de suas premissas críticas e apresento as práticas e estrutura do método (Árvore do TO), levantando alguns de seus limites e possibilidades de transformação para que as pessoas se engajem em discussões sócio-espaciais a partir do corpo. Deslocando para a práxis, apresento criticamente minhas primeiras experiências com o método do TO para mobilização sócio-espacial, revelando nuances e avaliando algumas de suas fragilidades e potências. Por fim, apresento o trabalho em desenvolvimento com moradores de São Gonçalo do Bação (sobretudo com o Grupo de Teatro São Gonçalo do Bação e Grupo de Escoteiros), em que, a partir da análise critica do TO, busco elaborar uma prática própria que associa seus elementos (especialmente as propostas de desmecanização e pensamento sensível via corpo) com outras interfaces de levantamento de informações sócio-espaciais, tendo a desalienação e transformação sócio-espacial como horizonte.

Abstract

A proposta do trabalho é investigar o Teatro do Oprimido (TO) — seus exercícios, jogos e práticas — como interface em atuações críticas de arquitetura e urbanismo. Sistematizado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, o TO parte da crítica do teatro convencional que serve para manter os espectadores passivos e contribui para sua adaptação à sociedade capitalista. Por sua vez, Boal entende o teatro como uma linguagem capaz de ser utilizada por qualquer pessoa pela mobilização do corpo para percepção, expressão e diálogo. Diferente de apresentar uma proposta acabada (projeto ou espetáculo), refletindo os interesses e visão de mundo das classes dominantes, Boal defende a tomada dos meios de produção teatral pelas pessoas. Nesse sentido, sistematiza uma série de jogos, exercícios e práticas teatrais para engajar as pessoas na crítica da própria realidade. Embora seja um meio de envolvimento e de consciencialização inicial sobre as relações sociais de opressão e a dimensão corporal da alienação, o TO não avança num questionamento de como o espaço serve para produzir e reproduzir essas relações sociais. Tomando-o como ponto de partida, proponho investigá-lo como interface para problematizar o espaço cotidiano e as relações sócio-espaciais por ele (re)produzidas. A pesquisa aqui apresentada parte, portanto, da interseção entre os estudos sócio-espaciais e teatrais, por meio da crítica dos próprios campos de conhecimento e da sociedade capitalista em que são constituídos. Inicialmente, proponho uma discussão sobre a produção teatral desde o século XX, buscando analisar como as relações sociais de dominação também são produzidas e reproduzidas espacialmente no campo teatral. Em seguida, discuto o TO a partir de suas premissas críticas e apresento as práticas e estrutura do método (Árvore do TO), levantando alguns de seus limites e possibilidades de transformação para que as pessoas se engajem em discussões sócio-espaciais a partir do corpo. Deslocando para a práxis, apresento criticamente minhas primeiras experiências com o método do TO para mobilização sócio-espacial, revelando nuances e avaliando algumas de suas fragilidades e potências. Por fim, apresento o trabalho em desenvolvimento com moradores de São Gonçalo do Bação (sobretudo com o Grupo de Teatro São Gonçalo do Bação e Grupo de Escoteiros), em que, a partir da análise critica do TO, busco elaborar uma prática própria que associa seus elementos (especialmente as propostas de desmecanização e pensamento sensível via corpo) com outras interfaces de levantamento de informações sócio-espaciais, tendo a desalienação e transformação sócio-espacial como horizonte.

Assunto

Espaço (Arquitetura), Percepção espacial, Teatro

Palavras-chave

Teatro do Oprimido, Interfaces, Emancipação, Cotidiano, Transformação sócio-espacial, Pensamento sensível

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