Mobilidade urbana na Grande São Paulo: deslocamento pendular para trabalho, tipologia socioeconômica, migração e diferenciais de rendimento
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Esta tese apresenta três ensaios que exploram diferentes dimensões da mobilidade pendular
para trabalho na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) a partir dos microdados do
Censo Demográfico Brasileiro de 2010. O argumento principal que permeia toda a discussão
desenvolvida ao longo da tese é de que o processo de urbanização e metropolização pelo qual
passou a RMSP corroboraram para que se conformasse o urbano que atualmente vemos
enfrentando os gargalos no âmbito da mobilidade urbana, sobretudo na cotidiana para o
trabalho, marcada pelo expressivo volume e heterogeneidade dos que a realizam diariamente.
Desse modo, no primeiro ensaio da tese, intitulado “Urbanização, metropolização e
mobilidade para trabalho: adentrando a Região Metropolitana de São Paulo a partir do
Censo Demográfico de 2010”, propõe-se uma divisão socioeconômica do espaço
metropolitano, por meio da técnica de regionalização denominada Árvore Geradora Mínima a
fim de identificar perfis individuais para os fluxos pendulares segundo grupos de municípios
homogêneos, com intuito de caracterizar e direcionar fluxos pendulares conforme as
peculiaridades econômicas e sociais dos municípios de origem e destino. Esses foram obtidos
a partir de regressões logísticas multinomiais para escolhas de mobilidade pendular, conforme
os diferentes perfis municipais encontrados e também das características individuais,
demonstrando que indivíduos brancos e amarelos, mais velhos, casados, responsáveis pela
família e trabalhadores da construção civil e indústria possuem maiores probabilidades de
atravessar as fronteiras municipais para o trabalho diariamente, quando comparados aos
indivíduos negros, pardos ou indígenas, jovens. Ademais, a presença de filhos no domicílio
não inibe a mobilidade pendular em geral. No entanto, mulheres com filhos apresentam
menores chances de trabalhar fora do município em que residem. No segundo ensaio,
intitulado “Tipologia urbana, migração e mobilidade pendular para trabalho na Região
Metropolitana de São Paulo: o papel da distância nas conexões entre as mobilidades
cotidiana e permanente” a conexão entre migração e mobilidade pendular para trabalho é
investigada, intentando responder se migrantes são mais propensos à pendularidade conforme
a tipologia urbana a que estão inseridos, e se a relação entre mobilidade pendular e migração
difere conforme a distância em que a última se processa. Por intermédio das metodologias de
probit bivariado e modelos de equações estruturais generalizados, os principais resultados
mostram a relação entre os deslocamentos pendulares e migração, as quais se associam de
acordo com a distância. Deslocamentos pendulares e migração são negativamente associados quando a migração é de longa distância. Por outro lado, a relação entre mobilidade pendular e
migração é positiva quando se dá a curtas distâncias. Estes resultados sugerem relação de
complementaridade nas migrações intrametropolitanas e intermunicipais, e de substituição
nos casos da mobilidade permanente ser intraestadual, interestadual ou inter-regional.
Ademais, verifica-se ainda a importância das características sociodemográficas, como sexo,
idade, estado civil, raça, presença de filhos no domicílio, bem como os atributos ocupacionais,
como a formalização no mercado de trabalho, como importantes fatores à explicação dos
movimentos pendulares e das distâncias migratórias consideradas. No terceiro ensaio da tese,
“Movimento pendular para trabalho e diferenciais salariais na Região Metropolitana de São
Paulo: uma abordagem multiescalar” os diferenciais salariais por condição de pendularidade
na RMSP são objeto de investigação. Do ponto de vista metodológico, o ensaio utiliza
regressões cross-sections, que levam em conta várias características dos trabalhadores, dos
postos de trabalho, bem como dos municípios de residência, considerando a natureza
hierárquica dos dados. Desse modo, modelos quantílicos, hierárquicos, e modelos quantílicos
hierárquicos são utilizados. Os diferenciais salariais em relação à pendularidade verificados a
partir dos modelos quantílicos mostram que estes tendem a ser menores em percentis mais
altos da distribuição de rendimentos, tanto para homens como para mulheres. Os principais
resultados revelam prêmio salarial para pendulares, mesmo após o controle das características
individuais e de contexto municipal em que os trabalhadores estão inseridos. Ocupados sem
carteira assinada, por conta própria, ou com carteira assinada recebem salários-hora inferiores
em relação aos trabalhadores na função de empregadores. As diferenças médias nos
rendimentos entre os status ocupacionais são semelhantes para homens e mulheres. Embora o
ensino superior garanta rendimentos no mercado de trabalho bem superiores aos recebidos por
ocupados que completaram o ensino médio, parece importar bastante, tanto para homens
como para mulheres, galgar níveis instrucionais cada vez maiores como forma de dirimir tais
diferenças em relação aos graduados. A respeito das características municipais, nota-se ainda
importância do aluguel nos diferenciais de salário para ambos os sexos. Por sua vez, os
resultados obtidos por meio dos modelos quantílicos hierárquicos mostram a relação entre
mobilidade pendular e diferenciais de rendimento por hora, assim como da migração, da
escolaridade, raça, status ocupacional e setor de atividade nos diferentes quantis da
distribuição de rendimentos dos trabalhadores dos sexos masculino e feminino. A partir dos
três ensaios da Tese fica patente a importância da heterogeneidade do território para o estudo
da mobilidade pendular para trabalho, do papel da distância migratória e da migração para
compreensão da mobilidade pendular. Destaca-se ainda a presença de rendimentos, em média, superiores para os trabalhadores pendulares ante aos que trabalham e residem em municípios
idênticos. Políticas públicas voltadas à mobilidade urbana para trabalho, centradas no
estímulo da policentralidade econômica e geração de empregos na periferia da Grande São
Paulo são sugeridas, a fim de viabilizar maior inclusão social da população localizada nas
periferias e facilitar o intenso ir e vir diário da população.
Abstract
This thesis presents three essays that explore different dimensions of commuting mobility for
work in the Metropolitan Region of São Paulo (RMSP) from the microdata of the Brazilian
Demographic Census of 2010. The main argument that permeates all the discussion developed
throughout the thesis is that the urbanization process and the metropolization that the
Metropolitan Region of São Paulo underwent, confirmed that the metropolitan area, which we
are currently facing, faces urban mobility bottlenecks, especially in the daily life for work,
marked by the expressive volume and heterogeneity of those who carry it out daily. Thus, in
the first essay of the thesis entitled “Urbanization, metropolization and mobility for work:
entering the São Paulo Metropolitan Region from the 2010 Demographic Census”, a
socioeconomic division of the metropolitan space is proposed, through the technique of
regionalization called the Minimum Generating Tree in order to identify individual profiles
for the pendulous flows according to groups of homogeneous municipalities, in order to
characterize and direct commuting flows according to the economic and social peculiarities of
the municipalities of origin and destination. These were obtained from multinomial logistic
regressions for commuting choices, according to the different municipal profiles found, as
well as individual characteristics, showing that white and yellow individuals, older, married,
responsible for family and construction workers more likely to cross municipal boundaries for
work daily, when compared to black, brown or indigenous, young individuals. In addition, the
presence of children at home does not inhibit commuting in general. However, women with
children are less likely to work outside the municipality where they live. In the second essay, entitled “Urban Typology, Migration and commuting for Work in the Metropolitan Region of
São Paulo: The Role of Distance in the Connections between Daily and Permanent Mobility”,
the connection between migration and commuting mobility for work is investigated, migrants
are more prone to commuting according to the urban typology to which they are inserted, and
if the relation between commuting and migration differs according to the distance in which
the latter takes place. Through the bivariate probit methodologies and generalized structural
equation models, the main results show the relation between the commuting and the
migration, which are associated according to the distance. Commuting displacements and
migration are negatively associated when migration is from long distance. On the other hand,
the relation between commuting and migration is positive when it occurs at short distances.
These results suggest complementarity in intrametropolitan and intermunicipal migrations,
and substitution in cases of permanent mobility being intra-state, interstate or interregional. In
addition, the importance of socio-demographic characteristics, such as sex, age, marital status,
race, presence of children in the household, as well as occupational attributes such as
formalization in the labor market, are important factors in the explanation of commuting and
of the migratory distances considered. In the third essay of the thesis, “Commuting movement
for work and wage differentials in the Metropolitan Region of São Paulo: a multiscale
approach”, the salary differentials due to commuting conditions in the SPM are investigated.
From the methodological point of view, the trial uses cross-section regressions, which take
into account the characteristics of the workers, the workplaces, and the cities of residence,
considering the hierarchical nature of the data. Thus, quantum models, hierarchical, and
quantum-hierarchical models are used. The salary differentials from the quantile models show
that they tend to be lower in the higher percentiles of income distribution for both men and
women. The main results reveal wage premium for commuters, even after controlling for the
individual characteristics and the municipal context in which the workers are inserted.
Employed without a formal contract, on their own account, or with a formal contract, receive
lower hourly wages in relation to workers in the position of employers. The average
differences in earnings between occupational status are similar for men and women. Although
higher education guarantees labor incomes well above those received by high school
graduates, it seems to matter a great deal for both men and women to rise to ever greater
instructional levels as a way of addressing such differences in relation to graduates. Regarding
the municipal characteristics, it is still important to rent in salary differentials for both sexes.
In turn, the results obtained using hierarchical quantum models show the relationship between
commuting and hourly income differentials, as well as migration, schooling, race, occupational status and sector of activity in the different income distribution quantiles. male
and female workers. From the three essays of the thesis, the importance of the heterogeneity
of the territory for the study of the commuting for work, the role of the migratory distance and
the migration to understand the commuting becomes evident. It is also worth noting the
presence of incomes, on average, higher for workers commuting before those who work and
who live in similar municipalities. Public policies focused on urban mobility for work,
centered on the stimulation of economic polycentrality and job creation in the outskirts of
Greater São Paulo are suggested, in order to make possible greater social inclusion of the
population located in the peripheries and facilitate the intense daily coming and going of the
population.
Assunto
Migração, Geografia urbana, São Paulo, Região Metropolitana de (SP)
Palavras-chave
Mobilidade Urbana, Mobilidade Pendular, Migração, Tipologia Urbana, Diferenciais Salariais
Citação
Departamento
Endereço externo
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Aberto
