Significado tectônico das sequências metavulcanossedimentares pré-estaterianas da Serra do Espinhaço em Minas Gerais
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
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Membros da banca
Lúcia Maria Fantinel
Jorge Geraldo Roncato Junior
Danielle Piuzana Mucida
Pedro Angelo Almeida Abreu
Jorge Geraldo Roncato Junior
Danielle Piuzana Mucida
Pedro Angelo Almeida Abreu
Resumo
As sequências vulcanossedimentares são de grande importância para a compreensão da
dinâmica da crosta, uma vez que representam o registro sedimentar resultante da interação entre
placas tectônicas, hidrosfera e atmosfera. Na Serra do Espinhaço Meridional, duas sequências
têm sido alvo de estudos nas últimas décadas: as sequências metavulcanossedimentares Pedro
Pereira e Costa Sena. Apesar dos esforços, muitas questões ainda permanecem abertas, em parte
devido à complexidade da geologia fragmentada e policíclica às quais foram submetidas. Afim
de contribuir com relação ao posicionamento das sequencias no tempo geológico e avançar na
proposição de um modelo evolutivo, essas sequências foram revisitadas nesta tese de
doutoramento. Zircões extraídos de metariolito intercalado em formação ferrífera bandada do
Grupo Pedro Pereira definem a idade de cristalização da rocha vulcânica em 2.77 Ga, idade
coincidente com aquelas encontradas para os greenstone belts Rio da Velhas e Pitangui, no
Quadrilátero Ferrífero. Analises geoquímicas das formações ferríferas bandadas associadas ao
metariolito indicam a existência de bolsões oxigenados locais já no início da era Neoarqueano,
mais de 250 Ma antes do GOE. Resultados semelhantes foram encontrados no greenstonebelt
Pitangui. Desta forma, a região sudeste do Cráton do São Francisco registra algumas das
evidências mais antigas do início da oxigenação dos oceanos. Análises geocronológicas e
geoquímicas também foram realizadas na sequência metavulcanossedimentar Costa Sena. Os
espectros de idades concordantes de zircões detríticos de xisto e parametaconglomerado foram
levantados e, em conjunto com os dados geoquímicos, sugerem deposição em em ambiente
geotectônico colisional, em uma bacia de antepaís, entre 2.0 e 2.2 Ga. As assinaturas
geoquímicas de parte dos xistos indicam contribuição de fontes extremamente enriquecidas em
ETR leves, compatíveis com valores para rochas calci-alcalinas. Outros xistos tem assinatura
de ETR compatíveis com os valores do embasamento local, o leucogranito de Gouveia, sua
provável fonte dominante. Xistos com níveis ricos em cianita, que podem chegar a constituir
verdadeiros cianititos, representariam o metamorfismo sobre paleossolos gerados durante os
frequentes episódios de exposição sub aérea da região forebulge da bacia em condições de clima
quente e úmido, com provável precipitação de evaporitos ricos em boro e fósforo. Os dados
isotópicos de zircão detrítico da amostra de metabrecha da Formação Bandeirinha em sua áreatipo
produziram pico estatístico mais novo em 2093 ± 9 Ma (n=98), sendo que a idade do spot
mais novo foi 2000 ± 40 Ma. Estes dados, compatíveis com a definição original, fortalecem a
concepção de origem paleoproterozoica da sequência e sugerem a manutenção da Formação
Bandeirinha dentro do Grupo Costa Sena.
Abstract
Vulcanosedimentary sequences are of great importance for understanding the dynamics of the crust since they represent the sedimentary record resulting from the interaction between tectonic plates, hydrosphere, and atmosphere. In the Southern Espinhaço Ridge, two sequences have been the subject of studies in recent decades: the metavulcanosedimentary sequences Pedro Pereira and Costa Sena. Despite efforts, many questions remain open, to some extent due to the complexity of the fragmented and polycyclic geology to which they were subjected. To contribute to the positioning of sequences in geological time and an evolutionary model, these sequences were revisited in this doctoral thesis. Zircons extracted from metariolite interlayered in a banded iron formation of the Pedro Pereira Group define the crystallization age of the volcanic rock in 2.77 Ga, an age coincident with those found for the greenstone belts Rio da Velhas and Pitangui, in the Quadrilátero Ferrífero. Geochemical analyses of the banded iron formation associated with metariolite imply the existence of locally oxygenated pockets as early as the beginning of the Neoarchean era, more than 250 Ma before the GOE. Similar results were found in the Pitangui greenstone belt. Thus, the southeastern region of the San Francisco Craton records some of the oldest evidence of the onset of ocean oxygenation. Geochronological and geochemical analyses were also performed in the Costa Sena metavulcanosedimentary sequence. The concordant age spectra of detritic zircons for schist and parametaconglomerate were collected and, jointly with geochemical data, suggest deposition in a collisional geotectonic environment, in a foreland basin, between 2.0 and 2.2 Ga. The geochemical signatures of part of the schists indicate a contribution from sources extremely enriched in light ETR, compatible with values for calc-alkaline rocks. Other schists have ETR signatures compatible with the values of the local basement, Gouveia leucogranite, its most likely dominant source. Schists with kyanite-rich levels, which may constitute true kyanitites, would represent the metamorphism of paleosols generated during the frequent episodes of subaerial exposure of the forebulge region of the basin in hot and humid climate conditions, together with precipitation of evaporites rich in boron and phosphorus. The isotopic data of detritic zircon from the metabreccia sample of the Bandeirinha Formation in its type-area produced a younger statistical peak at 2093 ± 9 Ma (n=98), given that the age of the youngest spot was 2000 ± 40 Ma. These data, compatible with the originally defined positioning of the unit, strengthen the Paleoproterozoic origin conception of the sequence and suggest the maintenance of the Bandeirinha Formation within the Costa Sena Group.
Assunto
Tempo geológico, Espinhaço, Serra do (MG e BA), Cianita
Palavras-chave
Serra do Espinhaço Meridional, sequência metavulcanossedimentar, Grupo Costa Sena, Grupo Pedro Pereira, BIF, Paleoproterozoico, Arqueano, cianita, foreland, greenstone belt, antepaís
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