Paralisia cerebral e práticas pedagógicas: (in)apropriaçõesdo discurso médico
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Santuza Silva Amorim
Ligia Maria do Nascimento Sousa
Leandro Fernandes Malloy Diniz
Ligia Maria do Nascimento Sousa
Leandro Fernandes Malloy Diniz
Resumo
O discurso médico tem influenciado o processo de ensino- aprendizagem, sobretudo, quando professores dele se utilizam como forma de justificar o fracasso de certo número de crianças, fazendo com que a culpabilidade pelo mesmo permaneça com as próprias crianças. Assim, os efeitos do discurso médico no processo escolar, particularmente, que discurso médico sobre Paralisia Cerebral tem chegado às escolas; como ele tem sido apropriado pelo corpo docente e os seus efeitos nas práticas pedagógicas dos educadores, constituem o escopo desse estudo. A abordagem metodológica foi qualitativa, com um modelo de investigação do tipo estudo de caso. Participaram 17 educadores ligados, direta ou indiretamente, ao processo de ensino-aprendizagem de 8 crianças com idades entre 6 e 12 anos, com diagnóstico de paralisia cerebral, em processo de escolarização nos anos iniciais do ensino fundamental e acompanhadas pela Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação na cidade de Belém do Pará. Para a coleta de dados, foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas com os educadores no início e no término do ano letivo, além de prontuários gerados a partir das visitas escolares realizadas pela equipe da rede Sarah. Os dados foram analisados em três etapas. A primeira diz respeito às entrevistas iniciais. A análise desses dados revelou a inconsistência teórica dos educadores sobre os conceitos de inclusão e paralisia cerebral. Indicou o desconhecimento sobre o diagnóstico das crianças e práticas pedagógicas baseadas em discurso médico e de senso comum que circulam na sociedade, geralmente por meio de mídias. Em segundo lugar, os dados dos prontuários indicam que a interlocução entre os profissionais da saúde e da educação, tendo como foco um objeto comum, no caso, a criança com paralisia cerebral, produziu modificações no discurso dos educadores e em suas práticas. Por fim, a análise dos dados coletados nas entrevistas finais, confirma os achados descritos anteriormente e reforça o processo de subjetivação e de apropriação do discurso médico pelos educadores e o seu uso na elaboração das ações pedagógicas.
Abstract
Le processus denseignement-apprentissage est influencé par le discours médical, surtout quand des enseignants s'en utilisent comme justification des échecs dun certain nombre d'enfants, en culpabilisant les enfants eux-mêmes de cet échec. Ainsi, les effets du discours médical dans le processus scolaire, surtout, quel discours médical sur Paralysie Cérébrale arrive aux écoles, comment les enseignants sen approprient et ses effets dans les pratiques pédagogiques des éducateurs, ont constitué la cible de cette étude. L'approche méthodologique a été qualitative, avec un modèle de recherche du type étude de cas. Dix-sept éducateurs y ont participé liés, directement ou indirectement, au processus denseignement-apprentissage de 8 enfants entre 6 et 12 ans, porteurs de paralysie cérébrale, en processus de scolarisation dans les années initiales de l'enseignement fondamental et suivies par le Réseau Sarah dHôpitaux de Réhabilitation Physique dans la ville de Belém du Pará. Pour le recueil de données on a utilisé des enterviews sémi-structurées avec les éducateurs au début et à la fin de l'année scolaire, outre des journaux de bord produits à partir des visites scolaires réalisées par l'équipe du Réseau Sarah. Les données ont été analysées dans trois étapes. La première apporte les enterviews initiales. L'analyse de ces données a révélé l'inconsistance théorique des éducateurs sur les concepts d'inclusion et de paralysie cérébrale. Elle a indiqué également l'ignorance sur le diagnostic des enfants et des pratiques pédagogiques basées sur des discours médicaux et de sens commun qui circulent dans la société, en règle générale à travers les médias. La deuxième étape, concernant les données des journaux de bord indiquent que l'interlocution entre les professionnels de la santé et ceux de l'éducation, en ayant comme focus un objet commun, dans le cas, l'enfant avec paralysie cérébrale, a produit des modifications dans le discours des éducateurs et dans leurs pratiques. Finalement, l'analyse des données rassemblées dans les enterviews finales rassure ce qui a été décrit au début et renforce le processus de subjectivation et d'appropriation du discours médical par les éducateurs et son utilisation dans l'élaboration des actions pédagogiques.
Assunto
Ensino, Paralisia cerebral, Análise qualitativa, Aprendizagem, Relações interprofissionais, Criança, Discursos
Palavras-chave
Discurso Médico, Práticas pedagógicas, Paralisa cerebral