Liberdade e solidariedade: visões sobre o cativeiro em um julgamento afro-baiano do século XVII

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Freedom and solidarity: visions of captivity in a 17th century African trial in Bahia

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Resumo

Este artigo consiste em uma leitura do processo inquisitorial de Simão, africano liberto nascido no Congo e residente no Recôncavo Baiano no final do século XVII. Simão foi denunciado ao Santo Ofício de Lisboa em 1685 após ser acusado pelo proprietário André Gomes de Medina e por seus escravos de matar outros cativos com feitiços. Antes de ser remetido à inquisição, foi informalmente julgado na propriedade de André de Medina e condenado como feiticeiro em uma cerimônia judiciária e religiosa de origem africana, conduzida por uma sacerdotisa chamada Grácia, praticante de calundus. A interpretação do julgamento de Simão conduzido pelos escravos intenta evidenciar as concepções de culpa, inocência e de liberdade no seio da comunidade escrava da região. A partir da análise, sugiro que muitos cativos africanos exerceram uma forma ideológica de resistência à escravidão que não se pautava na reivindicação da liberdade, em termos modernos, mas sim na defesa de um ideal caracteristicamente africano de solidariedade.

Abstract

This paper presents an interpretation of the process of Simão in the Portuguese Inquisition. Simão was an African freedman born in the Kingdom of Kongo who lived in Bahia in the last decades of the 17th century. Simão was denounced to the Inquisition in 1685 after having been accused by slave-owner André Gomes de Medina and by Medina’s slaves of performing witchcraft to kill other Medina’s captives. Before being sent to the Inquisition, Simão had already been informally judged and condemned in André de Medina’s lands by means of a judicial and religious ceremony conducted by an African priestess named Grácia, who was a practitioner of an African-american cult called “calundu”. The analysis of Simão’s trial by African slaves aims at shedding light on concepts of guilt, innocence, and freedom that existed in the Bahian African community at the time. I argue that many African slaves have engaged in a kind of ideological resistance to slavery which did not conform to a paradigm based on the demand for liberty, in modern terms, but which instead was built upon a characteristically African understanding of solidarity.

Assunto

Escravos Brasil, Inquisição Bahia, Cultos afro-brasileiros, Recôncavo (BA) História, Bahia História Séc. XVII

Palavras-chave

Calundu, Resistência escrava, Inquisição, Religiões afro-brasileiras

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https://www.scielo.br/j/his/a/GJzFDSZFwfQC3wXVnTKJJjD/abstract/?lang=pt

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