Os/as educandos/as candomblecistas e umbandistas da educação de jovens e adultos: sentidos atribuídos ao processo de escolarização
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa que teve por objetivo compreender os sentidos
que educandos e educandas candomblecistas e umbandistas da Educação de Jovens e Adultos
atribuem ao processo de escolarização. Para tanto, foram selecionados 06 estudantes, sendo
três homens e três mulheres, três umbandistas e três candomblecistas. Suas idades oscilavam
entre 26 e 59 anos. O referencial teórico adotado privilegiou as abordagens teóricas e
conceituais próprias dos Estudos Culturais, do Multiculturalismo Crítico e do Pensamento
Complexo. Além de colocar em relevo conceitos tais como identidades e diferenças, a
pesquisa em questão levou em conta as categorias de subjetividade social e sentido subjetivo.
Nesse processo, valeu-se das contribuições de autores como Arroyo (2014/17), Caputo
(2012), Da Silva (2014), Dayrell (1996), Freire (1987/96), Gadotti (1997), Mclaren (1997),
Moreira e Candau (2011), Morin (2005), Oliveira (2012), Ortiz (1991), Prandi (2001), Santos
(2015), Ude (2005), dentre outros/as. A perspectiva metodológica adotada referenciou-se na
epistemologia qualitativa, na subjetividade social proposta por González Rey (2015), bem
como na fenomenologia. Por meio de questionários semiestruturados e entrevistas em
profundidade, o estudo evidenciou quatro núcleos de sentidos atribuídos por educandos/as
umbandistas e candomblecistas na Educação de Jovens e Adultos: a) o primeiro está
relacionado aos processos de exclusão e subjugação dos/as educandos/as. A escolarização é
percebida aqui como fonte de vergonha e de sofrimento; b) o segundo está relacionado às
formas de resistências, por meio da afirmação da identidade e demarcação das diferenças.
Tanto as crenças como as simbologias religiosas são percebidas como fonte de orgulho e de
enfrentamento à exclusão; c) o terceiro núcleo de sentido diz respeito à carência de estudos
sobre a História e Cultura da África no espaço escolar, especialmente no que diz respeito às
religiosidades de matrizes africanas; d) o quarto núcleo de sentido está relacionado à
demarcação religiosa de matriz cristã no espaço escolar. Por meio de imagens, crucifixos e
rituais, as escolas públicas evidenciam seu caráter monocultural, o que produz sofrimento e
discriminação de outros grupos religiosos, especialmente os adeptos de religiosidades de
matrizes africanas. Para os sujeitos da pesquisa, a escola tem representado um não-lugar, já
que não encontram sentido de pertença nesse espaço, não são respeitados/as em decorrência
de suas identidades religiosas. Além disso, os dados empíricos revelam que esses sujeitos são
silenciados, invisibilizados/as e hostilizados/as por colegas e educadores/as. Isso não quer
dizer, no entanto, que esses sujeitos sejam passivos. Eles travam diariamente bravas lutas no
combate à intolerância, às discriminações e ao racismo religioso, buscando a garantia de seus
direitos dentro e fora das instituições escolares.
Abstract
Esta disertación es el resultado de una investigación que tuvo por objetivo comprender los
sentidos que educandos y educandas candomblecistas y umbandistas de la Educación de
Jóvenes y Adultos atribuyen al proceso de escolarización. Para ello, se seleccionaron a 06
estudiantes, siendo tres hombres y tres mujeres, tres umbandistas y tres candomblecistas. Sus
edades oscilaban entre 26 y 59 años. El referencial teórico adoptado privilegió los enfoques
teóricos y conceptuales propios de los Estudios Culturales, del Multiculturalismo Crítico y del
Pensamiento Complejo. Además de poner en relieve conceptos tales como identidades y
diferencias, la investigación en cuestión tuvo en cuenta las categorías de subjetividad social y
sentido subjetivo. En ese proceso, se valió de las contribuciones de autores como Arroyo
(2014/17), Caputo (2012), Da Silva (2014), Dayrell (1996), Freire (1987/96), Gadotti (1997),
Mclaren (1997) (2005), Morin (2005), Oliveira (2012), Ortiz (1991), Prandi (2001), Santos
(2015), Ude (2005), entre otros. La perspectiva metodológica adoptada se referenció en la
epistemología cualitativa, en la subjetividad social propuesta por González Rey (2015), así
como en la fenomenología. Por medio de cuestionarios semiestructurados y entrevistas en
profundidad, el estudio evidenció cuatro núcleos de sentidos atribuidos por educandos/as
umbandistas y candomblecistas en la Educación de Jóvenes y Adultos: a) el primero está
relacionado a los procesos de exclusión y subyugación de los/las educandos/as. La
escolarización es percibida aquí como fuente de vergüenza y de sufrimiento; b) el segundo
está relacionado con las formas de resistencias, por medio de la afirmación de la identidad y
demarcación de las diferencias. Tanto las creencias como las simbologías religiosas son
percibidas como fuente de orgullo y de enfrentamiento a la exclusión; c) el tercer núcleo de
sentido se refiere a las carencia de estudios sobre la Historia y Cultura de África en el espacio
escolar, especialmente en lo que se refiere a las religiosidades de las matrices africanas; d) el
cuarto núcleo de sentido está relacionado con la demarcación religiosa de matriz cristiana en
el espacio escolar. Por medio de imágenes, crucifijos y rituales, las escuelas públicas
evidencian su carácter monocultural, lo que produce sufrimiento y discriminación de otros
grupos religiosos, especialmente los adeptos de religiosidades de matrices africanas. Para los
sujetos de la investigación, la escuela ha representado un no-lugar, ya que no encuentran
sentido de pertenencia en ese espacio, no son respetados/as como consecuencia de sus
identidades religiosas. Además, los datos empíricos revelan que esos sujetos son silenciados,
invisibilizados/as y hostilizados/as por colegas y educadores/as. Esto no quiere decir, sin
embargo, que esos sujetos sean pasivos. Ellos tratan diariamente bravas luchas del combate de
la intolerancia, las discriminaciones y el racismo religioso, buscando la garantía de sus
derechos dentro y fuera de las instituciones escolares.
Assunto
Educação de adultos, Educação -- Aspectos religiosos, Candomble, Umbanda, Cultos afro-brasileiros, Discriminação na educação, Religião nas escolas públicas
Palavras-chave
Educação de jovens e adultos, Religiosidades de Matrizes Africanas, Racismo religioso, Diferenças
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