O impacto da seleção lexical na leiturabilidade de textos jurídicos: uma abordagem psicolinguística
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Monografia de especialização
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Larissa Adorno Marciotto
João Pedro Marques
João Pedro Marques
Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo analisar o impacto da seleção lexical na leiturabilidade de textos jurídicos e na efetividade da comunicação no meio jurídico, tradicionalmente marcado por práticas estilísticas associadas ao "juridiquês". Adotando como base os pressupostos teóricos da psicolinguística da leitura, principalmente os modelos de processamento da memória de curto prazo (MCP) e a interação entre informação visual (IV) e informação não visual (InãoV), o trabalho propôs-se a demonstrar que a escolha vocabular deve ser orientada por razões funcionais, e não pela preferência do autor. Além disso, analisou-se a distinção entre o processamento rápido, característico de itens lexicais de alta frequência, e o processamento lento e serial, exigido por vocabulário raro. A pesquisa foi estruturada em três partes centrais: uma na qual se identifica a base cognitiva da leitura e suas limitações; outra na qual se analisa o impacto da seleção lexical sobre a fluidez da leitura, explorando o custo do emprego de palavras raras e da variação sinonímica; e uma terceira, na qual se analisam qualitativamente exemplos de textos jurídicos reais, demonstrando as consequências práticas das escolhas lexicais. Tendo tais propósitos em vista, a análise teórica e a exemplificação permitiram observar que a ocorrência de itens lexicais de baixa frequência e a substituição anafórica por termos não reduzidos sobrecarregam a MCP, dificultando a elaboração de previsões, o resgate
de InãoV e a consolidação da compreensão global. Desse modo, buscou-se demonstrar que o custo cognitivo é desnecessariamente elevado por práticas que prejudicam a fluidez e a precisão da leitura. Concluiu-se que o domínio do jurista sobre seu instrumento de trabalho – a linguagem – exige a compreensão de sua funcionalidade cognitiva e apontou-se a implicação de que a responsabilidade profissional se traduz em redigir textos capazes de transmitir mais informação exigindo menos esforço e tempo do leitor. O trabalho reconheceu como limitação o corpus reduzido, o que abre caminho para futuras pesquisas dedicadas à análise de corpora maiores e à identificação rigorosa dos itens lexicais indispensáveis à precisão jurídica.
Abstract
Assunto
Língua e linguagem
Palavras-chave
Juridiquês, Leiturabilidade, Psicolinguística, Seleção lexical, Processamento cognitivo, Comunicação jurídica