A escrita de si e as expressões do "eu" em Santiago e No intenso agora: uma arqueologia das imagens

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Cláudia Cardoso Mesquita
Consuelo da Luz Lins

Resumo

Ao indagar o passado no presente, buscamos examinar como as imagens de arquivo em Santiago (2006) e No intenso agora (2017) interpõem camadas temporais que se abrem para uma política mnemônica que é tanto de cunho pessoal quanto político e social. A proposta desta dissertação funda-se no cotejo entre os dois filmes, estabelecendo suas interlocuções, suas aproximações, mas também seus distanciamentos. Entendemos que esse encontro é um convite à reflexão sobre as imagens em sua forma pragmática, mas também arqueológica. Ao revirar os arquivos, sejam eles familiares ou públicos, Salles exercita a função de trapeiro como quem busca extrair a natureza do material, um aceno ao ensaio por meio de um processo metanarrativo (uma inflexão sobre o próprio método). Buscamos, a partir disso, examinar como esse gesto ensaístico transita entre uma escrita que vai do eu-traço, no qual o realizador-personagem constrói o “eu” pela imagem muitas vezes de maneira não deliberada, não consentida, ou mediada pelo registro de uma segunda pessoa; ao eu-performance, uma “autobiograficção”, uma intervenção do sujeito no documentário.

Abstract

When investigating the past in the present, we seek to examine how archival images in Santiago (2006) and In the intense now (2017) interpose temporal layers that open up to a mnemonic policy that is, at the same time, personal, political and social. The purpose of this dissertation is to set a comparison between the two films, establishing their interlocutions, their approximations, but also their distancing. We understand that this meeting is an invitation to reflect on the images in their pragmatic, but also archaeological form. In reviewing the archives, familiar or public, Salles exercises the role of a ragpicker as one who seeks to extract the nature of the material, a nod to the essay through a metanarrative process (an inflection on the itself method). We seek, from this, to examine how this essayistic gesture transits between a writing that goes from the self-trace, in which the director-character builds the “self” through the image, often in an unintentional, non-consented way, mediated by the registration of a second person; to self-performance, an “autobiography”, an intervention by the subject in the documentary.

Assunto

Salles, João Moreira, Documentário (Cinema), Arquivos, Memória na arte, Percepção, Identidade (Psicologia) na arte, Imagem (Filosofia)

Palavras-chave

Documentário contemporâneo, Filme-ensaio, Imagem de arquivo, Metanarrativa, Escrita de si, João Moreira Salles

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