Autopercepção das condições de trabalho por professores de Ensino Fundamental

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Introdução: Professores são os profissionais da voz mais acometidos pela disfonia. As alterações vocais nesta população repercutem no trabalho, na saúde e na qualidade de vida. A causa da disfonia é multifatorial. Aspectos biológicos, anatômicos, emocionais, condições ambientais insalubres, demanda vocal intensa e ou abusos vocais são fatores que combinados ou isolados incidem na manifestação deste distúrbio e contribuem para o adoecimento da voz. Alguns estudos mostram a associação entre as condições de trabalho e o desenvolvimento de alterações vocais recentes. Salas de aula com número elevado de alunos, ruído interno e externo, condições inadequadas de temperatura e umidade podem levar um professor a falar em intensidade elevada e gerar uma sobrecarga muscular importante que prejudique a voz. Outros fatores como alterações psicoemocionais, ansiedade, estresse, tensão e outras alterações, podem também influenciar a produção vocal, ocasionando ajustes vocais inadequados. Alguns aspectos estão diretamente relacionados às queixas de fadiga e desgaste vocal em docentes como tempo de trabalho, a carga horária semanal, monotonia e ritmo de trabalho excessivo, exigências de produtividade, relações de trabalho autoritárias que refletem a frequência e em que condições o docente utiliza a voz. Aspectos psicossociais do trabalho também podem repercutir sobre a saúde. Autores mostram a relação deste elemento como um risco à saúde do trabalhador devido a presenças quadros de estresse ocupacional. Desta forma, pode-se observar que um ambiente de trabalho insalubre e condições de trabalho adversas influencia de forma negativa o exercício da docência, bem com suas condições organizacionais. O ambiente de trabalho é relevante naconfiguração da realidade de vida do professor e um aspecto a ser considerado nas alterações vocais em professores. Elucidar e analisar mais detidamente a influência dos aspectos psicossociais e do ambiente de trabalho na perspectiva dos problemas de voz em professores amplia o espectro para compreender a relação entre saúde vocal e o trabalho docente. Objetivo: investigar e relacionar os sintomas de desconforto vocal com os aspectos psicossociais e do ambiente de trabalho em professores de escolas públicas de ensino fundamental e relacionar os sintomas de desconforto vocal, com os aspectos psicossociais e do ambiente de trabalho. Métodos: Estudo transversal, com amostra probabilística, com professores docentes das escolas municipais da Regional Sede da cidade de Contagem. Participaram 90 indivíduos (18 homens e 72 mulheres) distribuídos nas faixas etárias de 24 a 65 anos. O instrumento de investigação desta pesquisa foi um questionário de 40 questões, elaborado pelas pesquisadoras para investigar a autopercepção das condições de trabalho por professores com e sem disfonia, examinar as associações entre a presença de disfonia e as características do ambiente de trabalho e avaliar os fatores associados às condições de trabalho de professores. Para o tratamento estatístico utilizou-se o pacote SPSS (Statistical Package For Social Sciences). Foram realizadas análises descritivas das variáveis do estudo por meio de distribuição de frequência absoluta e relativa das variáveis categóricas e de síntese numérica das variáveis contínuas. Resultados: os resultados deste estudo foram apresentados em duas análises. A primeira é uma análise descritiva de todas as variáveis do estudo, distribuição de frequência absoluta e relativa das variáveis categóricas e de síntese numérica das variáveis contínuas. A segunda análise é uma regressão linear uni e multivariada que verificou as associações entre o número de sintomas vocais e as características do ambiente escolar. Dentre os 90 professores participantes 80% (n=72) eram do sexo feminino, com média de idade de 42,4 anos e média de 15,3 anos em relação ao tempo de docência. Apenas 13,3% (n=12) apresentavam diagnóstico médico ou fonoaudiológico de problemas vocais. Destes, 3,3% (n=3) realizavam terapia fonoaudiológica e apenas 12,2% (n=11) dos entrevistados exerciam outra atividade profissional, com o uso intensivo da voz. Dos 8 sintomas vocais investigados a média apresentada foi de 5,6 sintomas e 34,4% dos professores relataram a presença destes 8 sintomas.Com relação às características do ambiente de trabalho, observou-se 86,7% da amostra não faz uso de microfone e que a referência ao ruído elevado ou insuportável na sala de aula e na escola, apresenta valores de 43,3% e 41,1% respectivamente. A maioria dos professores relatou baixa demanda psicológica (54,4%) e baixo suporte social (55,6%). No modelo multivariado final, ajustado por sexo, idade e tempo de docência, a única variável que apresentou associação com número de sintomas foi o ruído dentro da sala de aula, indicando que a medida que o professor percebe um ruído elevado ou insuportável, o número de sintomas também se eleva (p=0,038). Conclusão: Professores de ensino fundamental apresentam uma média 5,6 sintomas de desconforto vocal e não procuram ajuda fonoaudiológica ou médica. O desconforto vocal se relaciona significativamente com a presença do ruído em sala de aula e os aspectos psicossociais tem uma avaliação dividida entre os professores, sem relação com o desconforto vocal

Abstract

Assunto

Voz, Disfonia, Docentes, Saúde Ocupacional, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Voz, Fonoaudiologia, Disfonia, Professor, Condições de Trabalho

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