Avaliação da tromboprofilaxia em pacientes clínicos hospitalizados: um estudo de coorte
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Auxiliadora Parreiras Martins
Daniel Dias Ribeiro
Daniel Dias Ribeiro
Resumo
Introdução: o tromboembolismo venoso (TEV) é a terceira condição cardiovascular
mais incidente mundialmente, ocorrendo especialmente em pacientes
hospitalizados. Programas de tromboprofilaxia reduzem a incidência de TEV em
cerca de 60%. Objetivo: avaliar a efetividade de programa de tromboprofilaxia
hospitalar em pacientes clínicos, utilizando o Modelo de Avaliação de Risco (do
inglês Risk Assessment Model – RAM) International Medical Prevention Registry on
Venous Thromboembolism (IMPROVE7). Método: este é um estudo com
delineamento de coorte prospectivo. Foram convidados a participar todos os
pacientes adultos, hospitalizados em unidades de internação clínicas em hospital
público. Foram excluídos pacientes psiquiátricos, ginecológicos e obstétricos,
hospitalizados diretamente em unidade de terapia intensiva (UTI), unidade
coronariana (UCO), aqueles com internação hospitalar inferior a 48 horas, pacientes
hospitalizados para tratamento de evento tromboembólico venoso, aqueles com
diagnóstico de TEV até 48 horas de internação em uso ou com indicação de
anticoagulantes à admissão. Os pacientes clínicos hospitalizados foram avaliados
para risco tromboembólico aplicando-se a RAM IMPROVE7, tanto pelo médico
responsável pela internação quanto pela equipe de pesquisadores. A concordância
nas respostas aos quesitos do RAM IMPROVE7 entre observadores (médicos
assistentes e pesquisadores) foi avaliada pelo coeficiente Kappa ajustado.
Coeficientes acima de 0,61 foram definidos como concordância boa e aqueles
superiores a 0,81, como muito boa. Os desfechos tromboembólicos e óbitos foram
avaliados na alta hospitalar e em 90 dias após a alta mediante entrevista telefônica
padronizada. Resultados: foram incluídos 2.380 pacientes, no período
compreendido entre 20/08/2017 e 23/02/2019, dos quais 453 (19%) foram de alto
risco tromboembólico, conforme resultados da entrevista dos pesquisadores. A
maioria dos pacientes (1.717/2.380; 72,1%) tinha idade > 60 anos, 367/2.380
(15,4%) apresentavam imobilização ou confinamento ao leito por sete ou mais dias;
40/2.380 (1,7%) tiveram passagem pelo CTI ou UCO durante a internação;
264/2.380 (11,1%) apresentaram câncer em atividade; 145/2.380 (6,1%)
apresentaram paralisia em membros inferiores; 17/2.380 (0,7%) relataram história de
trombofilia e 137/2.380 (5,8%) relataram história de TEV prévio. Todos os valores de
Kappa ajustado foram superiores a 0,63. A concordância entre observadores foi
classificada de boa a muito boa para os sete fatores de risco avaliados no RAM
IMPROVE7, sendo a classificação boa (0,64, intervalo de confiança de 95% [IC],
0,61-0,67) para imobilização, até muito boa (0,98; IC95% 0,97-0,99) para trombofilia.
O Kappa ajustado na classificação de risco foi de 0,63 (IC 95%, 0,60-0,67). Houve
36/2.380 (1,5%) eventos tromboembólicos venosos durante o follow-up e 302/2.380
(12,7%) óbitos. A adjudicação de eventos tromboembólicos e da causa de óbitos
encontra-se em andamento, além da análise de riscos e benefícios da
tromboprofilaxia aplicada. Conclusão: neste estudo, a incidência de TEV foi de
1,5%, corroborando com os dados da literatura. Aproximadamente 20% dos
pacientes clínicos hospitalizados foram classificados como de alto risco para TEV. A
concordância entre médicos assistentes e pesquisadores foi de boa a muito boa
para os sete fatores de risco avaliados no RAM IMPROVE7. A efetividade do
programa encontra-se em análise.
Abstract
Introduction: venous thromboembolism (VTE) is the third most common
cardiovascular condition worldwide. About 60% of all VTE events in a community is
associated with hospital admission. Thromboprophylaxis programs reduce the
incidence of VTE by about 60%. Objective: to evaluate the effectiveness of a
hospital thromboprophylaxis program in clinical patients using the Risk Assessment
Model (RAM) International Medical Prevention Registry on Venous
Thromboembolism (IMPROVE7). Method: this is a prospective cohort study. All adult
patients hospitalized in clinical wards of a public hospital were invited to participate.
Psychiatric, gynecological, and obstetric patients were hospitalized directly in an
intensive care unit (ICU), coronary unit (CU), those hospitalized for less than 48
hours, hospitalized patients for treatment of venous thromboembolic events and
indication for anticoagulant use in the first 48 hours of admission. Hospitalized clinical
patients were evaluated for thromboembolic risk by applying RAM IMPROVE7, this
was collected by both the assistant physician responsible and the research team.
The agreement between the variables of RAM IMPROVE7 and risk classification
among assistant physicians and researchers was assessed by adjusted Kappa
coefficient. Coefficients above 0.61 were defined as good agreement and those
above 0.81 as very good. The thromboembolic and death were evaluated at hospital
discharge and at 90 days after discharge using a standardized telephone interview.
Results: 2,380 patients were included in the period between 08/20/2017 and
02/23/2019, of which 453 (19%) were at high thromboembolic risk according to
results of the interview of researchers. The majority of patients (1,717/2,380, 72.1%)
were > 60 years of age, 367/2,380 (15.4%) had immobilization or bed confinement
for seven or more days; 40/2,380 (1.7%) were admitted to ICU or CU during
hospitalization; 264/2,380 (11.1%) had active cancer; 145/2,380 (6.1%) presented
paralysis in lower limbs; 17/2,380 (0.7%) reported a history of thrombophilia and
137/2,380 (5.8%) reported previous history of VTE. All adjusted Kappa values were
greater than 0.63. The concordance between observers was classified as good to
very good for the seven risk factors evaluated in RAM IMPROVE7, with a good
classification (0.64, 95% confidence interval [CI], 0.61-0.67) for immobilization, up to
very good (0.98, 95% CI 0.97-0.99) for thrombophilia. The Kappa adjusted coefficient
for risk classification was 0.63 (95% CI, 0.60-0.67). There were 36/2,380 (1.5%)
venous thromboembolic events during follow-up and 302/2,380 (12.7%) deaths. The
adjudication of thromboembolic events and the cause of death is underway, in
addition to the analysis of risks and benefits of applied thromboprophylaxis.
Conclusion: in this study, the incidence of VTE was 1.5%, corroborating with data in
the literature. Approximately 20% of hospitalized patients were classified as at high
risk for VTE. The concordance between physician assistants and researchers was
good to very good for the seven risk factors evaluated in RAM IMPROVE7. The
effectiveness of the program is under analysis.
Assunto
Tromboembolia Venosa, Pacientes Internados, Medição de Risco, Estudos de Validação
Palavras-chave
Tromboembolismo Venoso, Pacientes Clínicos Hospitalizados, Modelo de Avaliação de Risco (RAM IMPROVE7), Validação, Tromboprofilaxia
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