Novo modelo murino de alergia alimentar ao amendoim
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria de Fátima Martins Horta
Helton da Costa Santiago
Helton da Costa Santiago
Resumo
A prevalência de alergias alimentares tem aumentado nas duas últimas décadas. Dentre os alimentos relacionados a essa doença, o ovo, o leite e o amendoim são os mais frequentes. A alergia ao amendoim diferencia-se das alergias ao ovo e ao leite em relação a gravidade das reações alérgicas e a frequência de dessensibilização ao alimento, mostrando que cada tipo de alergia alimentar possui sua singularidade. Por isso, o grupo de pesquisa do Laboratório de Imunobiologia (LIB) e colaboradores tem desenvolvido modelos padrões de alergia alimentar para o estudo dos diferentes tipos dessa doença. Atualmente encontram-se padronizados os modelos de alergia à ovalbulina, do ovo, e à betalactoglobulina do leite. Assim, para abranger as três alergias alimentares mais frequentes, o presente trabalho teve o objetivo de padronizar um modelo de alergia alimentar ao amendoim semelhante aos demais modelos já estabelecidos no laboratório para facilitar o estudo comparativo entre eles. Primeiramente, testou-se a dose ótima de sensibilização em camundongos BALB/c com um extrato proteico de amendoim (EPA). No dia 0, os camundongos foram imunizados com 8g, 40g ou 80g de EPA adsorvidos em 3mg de hidróxido de alumínio (Al(OH)3). Após 14 dias, os animais receberam as mesmas doses de EPA, na ausência de Al(OH)3. Após 7 dias, iniciou-se o desafio oral, quando os animais consumiram o extrato de amendoim diluído na mamadeira por 14 dias. Como resultado, as doses de 8g e 40g resultaram na maior produção de IgG anti-EPA do que a dose de 80g. Além disso, a sensibilização com 40g de EPA levou à perda de peso e alterou o padrão de consumo dos animais alérgicos. Assim, 40g de EPA foi a dose de sensibilização usada nos demais experimentos. Em seguida, testou-se o novo modelo na linhagem C57BL/6. Camundongos BALB/c e C57BL/6 foram imunizados duas vezes com 40g de EPA adsorvidos em 3mg de Al(OH)3 e desafiados com extrato de amendoim. Apesar da linhagem C57BL/6 ter sido mais responsiva à sensibilização com EPA, o protocolo funcionou em ambas as linhagens, fato evidenciado pelo aumento na produção de IgE total e IgG anti-EPA, assim como pelas alterações inflamatórias no intestino delgado dos animais. Por último, aplicou-se o teste de preferência alimentar nos camundongos alérgicos de ambas linhagens para investigação do fenômeno da aversão ao consumo do alérgeno, comum na alergia alimentar a ovalbumina. Os grupos alérgico e controle de ambas as linhagens preferiram beber o extrato de amendoim à água, sem que houvesse diferença na quantidade de extrato de amendoim ingerida entre os grupos alérgico e controle, indicando ausência de aversão no presente modelo. Assim, o presente estudo foi eficaz em padronizar um novo modelo de alergia alimentar ao amendoim que fosse compatível com os demais modelos desenvolvidos pelo laboratório.
Abstract
The prevalence of food allergy has increased in the last two decades. Egg, milk and peanut are the main foods related to this disease. Peanut allergy differs from egg and milk allergy in terms of severity and rates of desensitization, which suggests that each type of food allergy has its own singularities. Thus, the research group from the Immunobiology Laboratory (LIB) and collaborators have developed standardized models of food allergy to study the different types of this disease. There are currently standardized models of food allergy to two antigens: ovalbumin, from eggs, and beta- lactoglobulin from milk. In order to complete the top three food allergies, this study aimed to standardize a model of food allergy to peanut according to the laboratory standards in order to allow comparative studies. Firstly, the optimal dose of sensitization to peanut protein extract (PPE) was tested in BALB/c mice. On day 0, mice were immunized with 8g, 40g or 80g of PPE in 3mg of aluminium hydroxide (Al(OH)3). After 14 days, the mice received the same doses of PPE without Al(OH)3. After 7 days, the mice were orally challenged by drinking peanut extract for 14 days. As a result, sensitization with 8g and 40g of PPE led to a higher production of anti-PPE IgG than the highest dose (80g). Furthermore, sensitization with 40g of PPE led to weight loss and alterations in the eating patterns of allergic mice. Thus, 40g of PPE was chosen as the dose of sensitization in the following experiments. Next, the new peanut allergy model was tested in C57BL/6 mice. BALB/c and C57BL/6 mice were immunized twice with 40g of PPE in 3mg of Al(OH)3 and challenged with peanut extract. Although C57BL/6 mice was more responsive to the immunization with PPE than BALB/c mice, the protocol worked in both strains. This was evidenced by an increase in the production of total IgE and anti-PPE IgG, as well as by inflammatory alterations in the small intestine. Lastly, the allergic mice underwent a preference test in order to investigate the aversion phenomenon. The allergic and control groups of both strains preferred drinking peanut extract over water, with no difference in the amount of peanut extract ingestion between groups. This suggests there is no aversion in the current model of peanut allergy. Thus, this study was able to standardize a new model of peanut allergy according to the standards of our laboratory.
Assunto
Bioquímica e imunologia, Hipersensibilidade Alimentar, Amendoim, Mucosa Intestinal
Palavras-chave
Alergia alimentar, Amendoim, Mucosa intestinal