[Entre] as pinturas das casas Ndebele: [geo]metrias e currículos esgarçados
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Artigo de periódico
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[Between] the paintings of the Ndebele houses: [geo]metries and ragged curricula
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Resumo
Contexto: A implementação lei 10.639/2003 de Ensino de História e Cultura Afrobrasileira na escola tem demandado da Educação Matemática diversos estudos e problematizações sobre a natureza dos conhecimentos matemáticos presentes nos currículos escolares. Esta lei demanda diálogos entre epistemologias distintas - seja de origem ocidental, das culturas afrobrasileiras ou no entre destas epistemologias - colocando nossos desejos a produzir novos debates que esgarçam a lógica disciplinar, a neutralidade, a universalidade e a unicidade da Matemática. Deste modo, a partir da prática de pintura de casas, realizada por mulheres do povo Ndebele de África, pensamos um currículo como lugar de invenção. Objetivos: Aprendendo com as mulheres Ndebele, quais pinturas podem surgir? Currículos se inventam quando Histórias e práticas de culturas africanas passam a ser foco de estudo nas aulas de Matemática? Design: Nos orientamos por uma pesquisa-intervenção, realizando uma revisão de investigações de caráter etnográfico sobre a prática sociocultural da pintura das casas Ndebele. Ambiente e participantes: O estudo parte dos processos de subjetividade que atravessam três pesquisadores: dois educadores matemáticos em momentos de vida diferentes e um filósofo. Todos interessados em trilhar caminhos diferenciais com a Educação Matemática e com a Etnomatemática e com a Filosofia e…, que nos tornam professores, determinando nossas concepções de território e pesquisa. Coleta e análise de dados: Os registros e dados desta pesquisa foram produzidos no contato com os trabalhos de Paulus Gerdes sobre as pinturas das casas Ndebele, assim como, de outros autores e autoras de origem africana, permitindo-nos ser afetados por estas produções para questionar os modelos curriculares homogêneos. Resultados: Com esta pesquisa viajamos à África para estranhar as matemáticaS praticadas pela comunidade Ndebele e fazer o currículo de Matemática se estranhar;
nesse sentido, pensar o conhecimento no cruzamento entre o currículo escolar, a lei 10.639/2003 e a Matemática passa pela produção de um pensamento que mais se aproxima do campo afetivo que do campo das significações. Conclusões: A experiência de deslocamento para a sala de aula práticas socioculturais - como o caso da prática sociocultural da pintura das casa Ndebele - nos revela um currículo como lugar de invenção em que matemáticaS acontecem e compõem currículos outros capazes de pintar outro uso para a lei 10.639/2003 esgarçando a neutralidade, universalidade e unicidade da Matemática e, criando um currículo escolar que escapa, vaza e prolifera saberes menores, distintos, inusitados.
Abstract
The implementation of Law 10.639/2003 on the Teaching of Afro-Brazilian History and Culture in Schools has demanded from Mathematics Education several studies and problematizations about the nature of the [M]mathematical knowledge present in school curricula. This Law prompts dialogues between different epistemologies, whether of Western origin, Afro-Brazilian origin, or in between these epistemologies, in order to produce new debates that fray the disciplinary logic, neutrality, universality, and uniqueness of Mathematics. Thus, based on the practice of painting houses, which is carried out by women from the Ndebele people of Africa, we can consider the curriculum a place of invention. Objectives: Learning from the Ndebele women, what paintings can emerge? Are curricula invented when Stories and practices of African cultures become the focus of study in Mathematics classes? Design: We are guided by an intervention-research, performing a review of ethnographic investigations on the sociocultural practice of painting Ndebele houses. Environment and participants: The research begins with the subjectivity processes that cross three researchers: two mathematical educators in different stages of life and a philosopher. They are all interested in following different paths with Mathematics Education, Ethnomathematics, Philosophy, and..., which make us professors, determining our conceptions of territory and research. Data collection and analysis: The records and data of this research were produced based on the works of Paulus Gerdes on the paintings of Ndebele houses, as well as other authors of African origin, allowing us to be affected by these productions and question the homogeneous curricular models. Results: With this research, we travel to Africa to find strange the mathematicS practiced by the Ndebele community and to make the mathematics curriculum strange; in this sense, contemplating knowledge at the crossroads of the school curriculum, Law 10.639/2003 and Mathematics, entails producing a notion that is closer to the affective field than the field of meanings. Conclusions: The experience of shifting sociocultural practices to the classroom, such as the sociocultural practice of painting Ndebele houses reveals a curriculum as a place of invention in which mathematicS takes place and composes other curricula capable of painting a different use for Law 10.639/2003 fraying Mathematics' neutrality, universality, and uniqueness, and developing a school curriculum that escapes, leaks, and spreads minor, distinct, and unusual knowledge.
Assunto
Educação matemática, Cultura afro-brasileira
Palavras-chave
Etomatemática, Educação para diferença, África, Educação Matemática
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Curso
Endereço externo
http://www.periodicos.ulbra.br/index.php/acta/article/view/7159/pdf_1doi:10.17648/acta.scientiae.7159