Iniquidades na mortalidade em 15 anos de seguimento do Elsa-Brasil: posição socioeconômica no curso de vida, mobilidade social e status social subjetivo

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Inequalities in mortality over 15 years of follow-up in the Elsa-Brazil study: life course socioeconomic position, social mobility, and subjective social status

Primeiro orientador

Membros da banca

Amanda Vianna Machado
Itamar Souza Santos
Rita de Cássia Barradas Barata
Rosa Weiss Telles

Resumo

Apesar dos avanços na saúde global nos últimos anos, com incremento na expectativa de vida e redução nas taxas de mortalidade, as desigualdades em saúde persistem, mesmo em países ricos e com sistemas universais de saúde. Os mecanismos envolvidos nesse processo, no entanto, permanecem pouco esclarecidos. Nesse cenário, esta tese tem como objetivos no artigo 01 - investigar se a posição socioeconômica (PSE) em cada fase do ciclo de vida, o acúmulo de exposições socioeconômicas negativas e a mobilidade social intergeracional desfavorável estão associados à mortalidade geral em 15 anos de seguimento do ELSA-Brasil; e no artigo 02 - investigar se o status social subjetivo (SSS) em cada uma das três dimensões avaliadas (sociedade, vizinhança e trabalho) está associado à mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) e por causas gerais em 15 anos de seguimento do ELSA-Brasil. Foram considerados elegíveis para participar das análises todos os participantes que compareceram à primeira visita do ELSA-Brasil e que tiveram dados válidos para posição socioeconômica, status social subjetivo, mortalidade por DCV e mortalidade por causas gerais. A variável resposta para os dois artigos foi o tempo decorrido desde a entrada no estudo até o óbito ou censura. As variáveis explicativas do artigo 01 foram PSE na infância (escolaridade materna), juventude (classe sócio-ocupacional do responsável pelo domicílio), idade adulta (escolaridade e classe sócio-ocupacional do participante), acúmulo de exposições a baixa PSE e mobilidade social intergeracional. Modelos de riscos proporcionais de Cox ajustados por características sociodemográficas foram utilizados para estimar as associações. Como resultados do artigo 01, tivemos uma taxa de mortalidade de 4,9/1.000 pessoas-ano, sendo maior nos homens, mais velhos, negros e de baixa PSE. A baixa PSE na infância (HR:1,41; IC95%:1,12-1,77), juventude (HR:1,39; IC95%:1,15-1,67) e idade adulta – escolaridade - (HR:2,37; IR95%:1,89-2,97) permaneceram associadas a maior mortalidade, mesmo após considerar características sociodemográficas. Maior acúmulo de baixa PSE (HR:2,02; IC95%:1,64-2,48, 4º quartil vs 1º) e as trajetória educacionais e sócio-ocupacionais descendente e estável baixa também se associaram a maior mortalidade. Além disso, a trajetória sócio-ocupacional ascendente aumentou, em menor magnitude, o risco de morte (HR:1,38; IC95%:1,11-1,71). Testamos e não evidenciamos interação multiplicativa entre PSE e raça/cor no risco de morrer. Para o artigo 02, a variável explicativa foi o status social subjetivo, obtido por meio da escala de MacArthur. Modelos de riscos proporcionais de Cox ajustados por características sociodemográficas e classe sócio-ocupacional foram utilizados para estimar as associações. Como resultados, a taxa de mortalidade por DCV foi de 1,58/1.000 pessoas/ano. Para causas gerais, a taxa foi de 5,0/1000 pessoas pessoas-ano, sendo maior nos homens, nos mais velhos, em pretos e pardos e com SSS mais baixo em ambos os casos. Após ajuste por raça/cor a associação entre o SSS e a mortalidade por DCV não se manteve. Já para mortalidade geral, a associação permaneceu, mesmo após considerar a raça/cor e a classe sócio-ocupacional no modelo plenamente ajustado na escala da sociedade (HR: 1,37 IC95%: 1,03-1,83). Não evidenciamos interação multiplicativa SSS-sexo e SSS-raça/cor no risco de morrer por DCV ou por causas gerais. Nossos achados sugerem que desvantagens socioeconômicas em distintos períodos do curso de vida, o acúmulo de experiências sociais negativas, bem como a mobilidade social intergeracional desfavorável aumentam o risco de morrer. O SSS também se mostrou um preditor importante de mortalidade por causas gerais. Interessantemente, a raça/cor explicou toda a associação entre SSS e mortalidade por DCV. Este trabalho oferece uma valiosa contribuição ao campo da saúde pública, confirmando a persistência e o impacto das iniquidades na mortalidade no Brasil e destacando o papel multifacetado da posição socioeconômica e da percepção de status social. Nossos resultados são um chamado à ação para o enfrentamento das raízes estruturais das desigualdades e a implementação de políticas que promovam uma sociedade menos desigual.

Abstract

Despite advances in global health in recent years, with increased life expectancy and reduced mortality rates, health inequalities persist, even in wealthy countries with universal healthcare systems. However, the mechanisms involved in this process remain unclear. In this context, this thesis aims in article 01 to investigate whether socioeconomic position (SEP) at each stage of the life course, the accumulation of negative socioeconomic exposures, and unfavorable intergenerational social mobility are associated with overall mortality over a 15 years follow-up period in the ELSA-Brasil study; and in article 02 to investigate whether subjective social status (SSS) in each of the three dimensions assessed (society, neighborhood, and work) is associated with cardiovascular disease (CVD) mortality and overall mortality over a 15 years follow-up period in the ELSA-Brasil study. All participants who attended the first visit of ELSA-Brasil and had valid data for socioeconomic position, subjective social status, CVD mortality and overall mortality were eligible for the analysis. The outcome variable for both articles was the time elapsed from study entry to death or censorship. The explanatory variables for article 01 were childhood SEP (maternal education), youth SEP (household head`s socio-occupational class), adult SEP (participant's education and socio-occupational class), accumulation of low SEP exposures, and intergenerational social mobility. Cox proportional hazards models adjusted for sociodemographic characteristics were used to estimate the associations. As a result of article 1, we found a mortality rate of 4.9/1,000 person-years, being higher in men, older people, Black people, and those with low SEP. Low SEP in childhood (HR: 1.41; 95% CI: 1.12-1.77), youth (HR: 1.39; 95% CI: 1.15-1.67) and adulthood - education – (HR: 2.37; 95% CI: 1.89-2.97) remained associated with higher mortality, even after considering sociodemographic characteristics. A higher accumulation of low SEP (HR: 2.02; 95% CI: 1.64-2.48, 4th quartile vs. 1st) and downward and stable low educational and socio-occupational trajectories were also associated with higher mortality. Additionally, upward socio-occupational trajectory increased the risk of death to a lesser extent (HR: 1.38; 95% CI: 1.11-1.71). We tested and did not find a multiplicative interaction between SEP and race/color on the risk of death. For article 2, the explanatory variable was subjective social status, obtained through the MacArthur scale. Cox proportional hazards models adjusted for sociodemographic characteristics and socio-occupational class were used to estimate the associations. The CVD mortality rate was 1.58/1,000 person-years. For all causes, the rate was 5.0/1,000 person-years, being higher in men, older people, Black and Brown individuals, and those with lower SSS in both cases. After adjustment for race/color, the association between SSS and CVD mortality was no longer maintained. For all-cause mortality, the association remained, even after considering race/color and socio-occupational class in the fully adjusted model for the societal scale (HR: 1.37; 95% CI: 1.03-1.83). We found no multiplicative SSS-sex or SSS-race/color interaction on the risk of dying from CVD or all causes. Our findings suggest that socioeconomic disadvantages at different periods of the life course, the accumulation of negative social experiences, and unfavorable intergenerational social mobility increase the risk of death. SSS also proved to be an important predictor of all-cause mortality. Interestingly, race/color explained the entire association between SSS and CVD mortality. This work offers a valuable contribution to the field of public health, confirming the persistence and impact of social inequities on mortality in Brazil and highlighting the multifaceted role of socioeconomic position and perceived social status. Our results are a call to action to address the structural roots of inequalities and implement policies that promote a less unequal society.

Assunto

Classe Social, Mortalidade, Mobilidade Social, Status Social, Política de Saúde, Doenças Cardiovasculares/mortalidade, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Posição socioeconômica, Mortalidade por doenças cardiovasculares, Mortalidade geral, Mobilidade social, Epidemiologia do curso de vida, Status social subjetivo, ELSA-Brasil

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