Por uma abordagem interacionista para o estudo dos modalizadores: as funções do acho que em debates eleitorais polilogais
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Carolina Scali Abritta
Wilma Maria Pereira
Ana Larissa Adorno Marciotto Oliveira
Wilma Maria Pereira
Ana Larissa Adorno Marciotto Oliveira
Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo o estudo do papel interacional do modalizador “acho que” em debates eleitorais presidenciais polilogais. Partimos do pressuposto de que esse modalizador não apenas expressa dúvida ou incerteza do locutor em relação ao conteúdo proposicional, mas também desempenha funções interacionais estratégicas, a depender do contexto em que é empregado. Constitui o corpus de análise os debates eleitorais realizados no primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais brasileiras de 2022. Adotamos o Modelo de Análise Modular do Discurso (MAM) como referencial teórico-metodológico, com o fim de elaborar um percurso para o estudo dos modalizadores de modo geral e do “acho que” em particular. Esse percurso abarcou os módulos referencial e interacional, as formas de organização elementares
relacional e informacional, bem como as formas de organização complexas tópica e estratégica. Essa escolha teórico-metodológica permitiu uma análise integrada, que vai além da frase ou sentença isolada, compreendendo o uso do modalizador em sua ocorrência real no interior da interação. Aplicamos esse percurso, que é inédito no âmbito do MAM, ao estudo do modalizador “acho que”, mas defendemos que ele pode ser utilizado e adaptado para a investigação de outros modalizadores, configurando, assim, uma contribuição metodológica relevante para o campo dos estudos da modalidade e da interação. Os resultados demonstraram que o “acho que” atua como marcador ilocucionário potencial, exibindo um funcionamento mais complexo do que o de simples sinalizador de dúvida, mas como recurso que possibilita ao
locutor negociar faces, territórios e lugares, ajustar a progressão informacional e gerir a relevância dos tópicos na interação. Identificamos que, no corpus, o modalizador “acho que” ocorre em dois contextos principais: de ataque e de defesa de faces e territórios. Em contextos de ataque de faces, territórios e lugares, o “acho que” atua como um recurso estratégico que permite ao locutor, em posição de superioridade, preservar sua própria face, ao mesmo tempo em que ataca a face e/ou invade o território do interlocutor. Já em contextos de defesa, o modalizador permite ao locutor, em lugar de posição baixa, preservar sua própria face e território. Concluímos que o “acho que” desempenha papéis centrais na negociação de faces, territórios e lugares no gênero debate eleitoral, revelando-se um recurso estratégico de gestão interacional. A pesquisa, assim, contribui não apenas para o entendimento do funcionamento do modalizador, mas também metodologicamente, ao demonstrar a relevância do MAM como ferramenta para investigar modalizadores considerando a interação como um todo.
Abstract
Assunto
Análise do discurso, Narrativa (Retórica), Linguística textual, Discussões e debates
Palavras-chave
modalizador epistêmico; modalizador acho que; interação; debate eleitoral polilogal; Modelo de Análise Modular do Discurso.
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