A dimensão normativa da sensibilidade : uma perspectiva kantiana

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tipo

Tese de doutorado

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The normative dimension of sensibility : a kantian perspective

Primeiro orientador

Membros da banca

André Joffily Abath
Roberto Horácio de Sá Pereira
Mitieli Seixas da Silva
Marcos César Seneda

Resumo

A tese busca compreender a dimensão propriamente normativa e não-conceitual da experiência perceptual, fundamentada em uma perspectiva kantiana. Argumenta-se, nesse sentido, que o espaço e o tempo, como formas a priori da sensibilidade operam como regras normativas não-conceituais que guiam as representações dos objetos das intuições. O argumento desenvolvido tem origem na investigação sobre o estatuto do conteúdo intuicional, abrangendo o debate entre conceitualistas e não-conceitualistas. O conceitualismo, representado principalmente por John McDowell, sustenta que o conteúdo das intuições é subordinado à espontaneidade do entendimento, a fim de evitar o chamado Mito do Dado. Os não-conceitualistas kantianos dividem-se em duas abordagens principais: a relacionista e a psicologista. O não-conceitualismo relacionista defende que não é necessário se comprometer com uma tese sobre o conteúdo das intuições, uma vez que o papel delas seria o de colocar o sujeito em uma relação de acquaintance com os objetos. O não-conceitualismo psicologista defende que as intuições são fundamentadas em capacidades psicológicas protorracionais de discriminação perceptual. Em oposição a essas perspectivas, a tese defende que uma abordagem representacionalista e normativista sobre as intuições não-conceituais possui vantagens explicativas significativas. Contra o conceitualismo de McDowell, sustenta-se que a normatividade das intuições sensíveis deriva da aprioridade da sensibilidade, o que não compromete o argumento kantiano da distinção entre as faculdades mentais. Em relação às propostas não-conceitualistas, argumenta-se que a concepção do espaço e do tempo como normas cognitivas proporciona uma explicação mais robusta sobre o papel epistêmico das intuições, contemplando tanto o seu conteúdo representacional, quanto sua dimensão normativa. Essa abordagem evita, assim, a falácia psicologista sobre a sensibilidade e reforça o caráter normativo não-conceitual da experiência perceptual.

Abstract

The dissertation seeks to understand the properly normative and non-conceptual dimension of perceptual experience, grounded in a Kantian perspective. It is argued that space and time, as the a priori forms of sensibility, function as non-conceptual normative rules that guide the representations of objects in intuitions. The argument developed here starts from an investigation into the status of intuitional content, engaging with the debate between conceptualists and non-conceptualists. Conceptualism, mainly represented by John McDowell, holds that the content of intuitions is subordinated to the spontaneity of the understanding in order to avoid the so-called Myth of the Given. Kantian non-conceptualists are divided into two main approaches: the relationist and the psychologist. Relationist non-conceptualism argues that it is unnecessary to commit to a thesis about the content of intuitions, since their role is to place the subject in a relation of acquaintance with objects. Psychologist non-conceptualism contends that intuitions are grounded in proto-rational psychological capacities for perceptual discrimination. Opposing these perspectives, the thesis defends that a representationalist and normativist approach to non-conceptual intuitions offers significant explanatory advantages. Against McDowell’s conceptualism, it is argued that the normativity of sensible intuitions derives from the apriority of sensibility, which does not compromise the Kantian argument for the distinction between mental faculties. Regarding non-conceptualist proposals, it is argued that conceiving space and time as cognitive norms provides a more robust explanation of the epistemic role of intuitions, addressing both their representational content and their normative dimension. This approach thus avoids the psychologist fallacy regarding sensibility and reinforces the non-conceptual normative character of perceptual experience.

Assunto

Filosofia - Teses, Kant, Immanuel, 1724-1804, Espaço e tempo - Teses, Percepção (Filosofia) - Teses

Palavras-chave

Espaço e tempo, Normatividade, Percepção, Não-conceitualismo, Immanuel Kant

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