Eficácia do treino específico da tarefa no nível de atividade física e na mobilidade de indivíduos acometidos pelo acidente vascular encefálico
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Christina Danielli Coelho de Morais Faria
Stella Maris Michaelsen
Janaina Cunha Polese
Stella Maris Michaelsen
Janaina Cunha Polese
Resumo
Indivíduos acometidos pelo Acidente Vascular Encefálico (AVE) apresentam maior
risco de complicações cardíacas secundárias e recorrência do episódio neurológico.
Além disso, a manutenção dos fatores de risco modificáveis, como a inatividade
física, pode levar a um aumento das incapacidades nesses indivíduos, gerando um
ciclo vicioso que compromete a sua saúde e funcionalidade. Diante disso, a literatura
científica atual tem recomendado o aumento do nível de atividade física pós-AVE por
meio de mudanças no estilo de vida e de programas de reabilitação. Diferentes
fatores estão relacionados ao nível de atividade física em indivíduos acometidos
pelo AVE, dentre eles, é importante destacar o comprometimento da mobilidade que
leva à dependência funcional, risco aumentado de quedas e a baixa percepção da
qualidade de vida. É possível que estratégias terapêuticas utilizadas para melhorar a
mobilidade nesses indivíduos também tenham um impacto sobre o seu nível de
atividade fisica. O treino específico da tarefa é uma estratégia terapêutica com
potencial de alcançar esse objetivo uma vez que já se mostrou eficaz para melhorar
a mobilidade de indivíduos acometidos pelo AVE. No entanto, ainda não está clara a
sua eficácia na melhora do nível de atividade física nessa população. Além disso,
estudos envolvendo o treino específico da tarefa incluem atividades apenas de um
segmento corporal. A inclusão de atividades para membros superiores e inferiores
pode ter um impacto importante na melhora da mobilidade funcional geral destes
indivíduos e, consequentemente, na melhora do seu nível de atividade física. Dessa
forma, os objetivos do presente estudo foram: 1) Investigar a eficácia do treino
específico da tarefa envolvendo atividades de membros superiores e inferiores na
melhora do nível de atividade física e mobilidade de indivíduos pós-AVE; 2)
Investigar a eficácia do treinamento na melhora da força muscular, capacidade de
exercício, e qualidade de vida de indivíduos pós-AVE. Para atender a estes objetivos
foi conduzido um ensaio clínico aleatorizado com examinador cegado realizado com
indivíduos da comunidade na fase crônica do AVE. Os participantes foram
aleatoriamente alocados no grupo experimental, que participou de uma intervenção
envolvendo o treino específico da tarefa com atividades de membros superiores e
inferiores, ou no grupo controle, que participou de uma intervenção contendo
alongamentos globais, exercícios de memória e educação em saúde. Ambos os
grupos participaram de 36 sessões de intervenção (aproximadamente 12 semanas),
três vezes por semana, com duração de uma hora. As intervenções foram ofertadas
em grupos sempre ministradas pelo mesmo fisioterapeuta. Antes das intervenções
(semana 0), imediatamente após as intervenções (semana 12), e no
acompanhamento (semana 16), medidas de desfecho foram coletadas pelo mesmo
avaliador mascarado em relação à alocação dos grupos. Os desfechos primários
incluíram o nível de atividade física, avaliado pelo método direto (monitor de
atividade física SenseWear®) e indireto (questionário Perfil de Atividade Humana), e
a mobilidade de membros superiores (Test d’Évaluation des Membres Supérieurs de
Personnes Agées) e inferiores (teste de velocidade de marcha de 10 metros). Já os
desfechos secundários incluíram a força muscular de preensão manual e extensores
de joelho (dinamometria portátil), a capacidade de exercício (teste de caminhada de
seis minutos) e a qualidade de vida (Escala de Qualidade de Vida Específica para o
AVE). As análises estatísticas foram realizadas por um pesquisador independente,
mascarado em relação à alocação dos grupos, sendo utilizada a análise de intenção
de tratar. Análise de variância (ANOVA) com dois fatores (tempo x grupo), com medidas repetidas no fator de tempo (semana 0, semana 12, semana 16; medidas
repetidas 2x3) foi utilizada para avaliar a diferença entre grupos em relação às
medidas de desfecho. Participaram do estudo 36 indivíduos (18 no grupo
experimental e 18 no grupo controle) com média de idade de 55±15 anos e tempo de
evolução pós-AVE de 47±41 meses. Não houve diferenças entre os grupos e
nenhum efeito de interação entre os fatores tempo e grupo (0,11≤p≤0,99), exceto
para qualidade de vida que melhorou no grupo experimental em 12 semanas (IC95%
2-22) e 16 semanas do follow-up (IC95% 2-30). Os resultados deste ensaio clínico
aleatorizado demonstraram que o treino específico da tarefa envolvendo atividades
de membros superiores e inferiores não foi eficaz na melhora do nível de atividade
física e da mobilidade em indivíduos após o AVE. No entanto, foi eficaz na melhora
da qualidade de vida. Como este é o primeiro estudo a investigar os efeitos desse
tipo de intervenção nessa população, estudos futuros são necessários para entender
melhor o impacto dessa intervenção no nível de atividade física e mobilidade de
indivíduos pós-AVE.
Abstract
Individuals affected by stroke have a higher risk of secondary cardiac complications
and recurrence of the neurological episode. In addition, maintaining modifiable risk
factors, such as physical inactivity, can lead to increased disability in these
individuals, generating a vicious cycle that compromises their health and
functionality. In view of this, the current scientific literature has recommended an
increase in physical activity levels after stroke through lifestyle changes and
rehabilitation programs. Different factors are related to the physical activity level in
individuals affected by stroke, among them, it is important to highlight the mobility
impairments that lead to functional dependence, increased risk of falls and low
perception of quality of life. It is possible that therapeutic strategies used to improve
mobility in these individuals also have an impact on their physical activity level. Taskspecific
training is a therapeutic strategy that has the potential to achieve this goal
since it has already shown benefits in improving mobility of individuals affected by
stroke. However, its effectiveness in improving the physical activity level in this
population is not clear. In addition, studies involving task-specific training include
activities of only one body segment. The inclusion of activities for upper and lower
limbs can have a significant impact on the improvement of the general functional
mobility of these individuals and consequently on the improvement of their physical
activity level. Thus, the objectives of the present study were: 1) To investigate the
efficacy of task-specific training focused on both upper and lower limbs in improving
physical activity levels and mobility of individuals with stroke; 2) To investigate the
efficacy of task-specific training in improving muscle strength, exercise capacity, and
quality of life. To achieve these objectives, a randomized controlled trial with a
blinded examiner was conducted with community-dwelling individuals at the chronic
phases of stroke. Participants were randomly assigned to the experimental group,
who received task-specific training intervention focused on both the upper and lower
limbs; or to the control group, who received global stretching, memory exercises, and
health education intervention. Both groups received 36 one-hour intervention
sessions (approximately 12 weeks), three times a week. The group sessions were
provided by the same physiotherapist. Prior to interventions (week 0), immediately
after interventions (week 12), and at follow-up (16 weeks), outcome measures were
collected by the same assessor, who was blinded to group allocation. Primary
outcomes included physical activity level, which was assessed by direct
(SenseWear® multisensory) and indirect (Human Activity Profile questionnaire)
methods, and upper (Test d’Évaluation des Membres Supérieurs de Personnes
Agées) and lower-limb (10-meter walk test) mobility tests. Secondary outcomes
included isometric strength of grip and knee extensor muscles (hand-held
dynamometry), exercise capacity (6-minute walk test), and quality of life (Stroke
Specific Quality of Life scale). Statistical analyzes were performed by an independent
researcher, who was blinded to the group allocation. Intention to treat analysis was
used. Analysis of variance (ANOVA 2X3) with two factors (groupXtime), with
repeated measures on the time factor (week 0, week 12, week 16) was used to
evaluate differences between the groups regarding all outcomes. Thirty-six
individuals (18 in the experimental and 18 in the control group), who had a mean age
of 55±15 years and a mean time since the onset of the stroke of 47±41 months,
participated. There were no differences between-groups and any interaction effects
between-time and group factors (0.11≤p≤0.99), except for quality of life which improved in the experimental group at 12-week (95% CI 2-22) and 16-week followups
(95% CI 2-30). The results of the present study demonstrated that task-specific
training focused on both the upper and lower limbs was not effective in improving the
physical activity level and mobility of individuals at the chronic phases of stroke.
However, it was effective in improving the quality of life. Since this is the first study to
investigate the effects of task-specific training focused on both upper and lower
limbs, future studies are necessary to better understand the effect of this type of
intervention on mobility and physical activity levels of individuals at the chronic
phases of stroke.
Assunto
Palavras-chave
Acidentes vasculares cerebrais, Exercícios físicos, Mobilidade, Treino específico da tarefa, Reabilitação, Fisioterapia