Carpintaria naval tradicional no Nordeste paraense
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Paula Baltazar dos Santos
Clécio Magalhães do Vale
Priscila Mesquita Musa
Viviane Zerlotini da Silva
Clécio Magalhães do Vale
Priscila Mesquita Musa
Viviane Zerlotini da Silva
Resumo
A carpintaria naval artesanal, responsável por construir parte significativa da frota de embarcações de pesca artesanal no nordeste paraense, encontra-se em constante processo de transformação. Tais transformações parecem apontar para uma futura substituição da madeira por novos materiais e para o desaparecimento do saber-fazer dos carpinteiros navais tradicionais. O município de Bragança se encontra em local estratégico e, portanto, privilegiado para compreender as transformações que vêm ocorrendo na frota pesqueira no nordeste paraense. Frente a tais mudanças, faz-se pertinente (a) compreender o atual cenário da construção naval na região bragantina, (b) identificar quais mudanças ocorreram na construção das embarcações e em que momento elas se deram, assim como (c) preservar o conhecimento implicado na fabricação de embarcações via descrição do saber-fazer tradicional empregado pela carpintaria naval artesanal na construção das embarcações. Para alcançar tais aspirações, realizei um levantamento bibliográfico sobre as técnicas de construção naval, a região bragantina, a pesca e as transformações das embarcações na região amazônica, a partir do conceito de rede heterogênea de John Law. Também foram realizadas visitas aos estaleiros situados nos municípios de Bragança e Augusto Corrêa, que ocorreram em três períodos diferentes: março a maio de 2022; outubro de 2022 e fevereiro de 2024. A pesquisa contou também com entrevistas semiestruturadas com os mestres carpinteiros e acompanhamento das atividades construtivas nos estaleiros. Tal investigação possibilitou a identificação dos agentes e fatores que compõem a rede heterogênea da construção naval bragantina, assim como a cadeia de profissionais envolvidos atualmente na construção naval artesanal. Na qual estão incluídos carpinteiro, calafate, pintor, abridor de letras, mecânico, eletricista e fibrador. Também foi documentada a utilização de técnicas de construção da carpintaria naval que remontam às embarcações do sul europeu (bacia do Mediterrâneo) dos séculos XVI e XVII e da construção indígena amazônica anterior à colonização. Nota-se nos estaleiros o crescente emprego de materiais como resina sintética reforçada com fibra de vidro, placas de plástico-alumínio, reutilização de tetos de ônibus e espumas de poliuretano. Quanto ao interesse dos mais jovens pelo ofício da carpintaria naval tradicional, nota-se que pode estar relacionado com o meio familiar e comunitário em que esses jovens estão inseridos.
Abstract
Assunto
Construção naval, Barcos de madeira, Competências essenciais, Ocupações, Estaleiros, Pará
Palavras-chave
Carpintaria naval, Rede heterogênea, Embarcações tradicionais, Saber-fazer, Novos materiais