Itinerários terapêuticos de usuários da Saúde Mental em uma periferia de Contagem-MG: um estudo interseccional no Distrito Sanitário de Vargem das Flores

dc.creatorLarric Johnny Malacarne
dc.date.accessioned2026-03-02T18:54:50Z
dc.date.issued2025-11-10
dc.descriptionDissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Saúde Pública.
dc.description.abstractIn Brazil, health is recognized as a constitutional right of every citizen. However, the country’s historical context of profound social inequalities has posed persistent challenges for the Unified Health System (SUS) in ensuring this right in practice. In the field of Mental Health in particular, the citizenship of individuals experiencing psychological distress is often not fully guaranteed. Within this context, this Master's thesis aimed to understand the therapeutic itineraries of people who have experienced intense psychological distress and were undergoing psychosocial follow-up in primary care of the Vargem das Flores Health District - a peripheral area of Contagem, Minas Gerais, marked by severe social vulnerability. This qualitative study employed the methodology of therapeutic itineraries, widely used in Collective Health to examine trajectories of care. The approach sought to grasp the subjective universe of mental health service users in the territory, identifying pathways, barriers, and strategies mobilized in their search for care, as well as the meanings attributed to experiences of illness and healing. Data were produced through narrative interviews with ten adult participants, predominantly low-income Black women with limited formal education. The material was analyzed through Reflexive Thematic Analysis, drawing on the critical social theory of intersectionality and the perspective of the social determination of health. These frameworks were fundamental for interpreting the studied reality. The results reveal how racism, sexism, poverty, and stigma associated with mental illness intersect to shape both the production of suffering and the trajectories of care-seeking. Far from being passive recipients, participants develop complex navigation strategies across formal and informal care networks, highlighting the crucial role of faith, religiosity, and traditional knowledge as complementary therapeutic resources. The analysis also points to major barriers to accessing specialized services, excessive medicalization within primary care, and high staff turnover as key factors that undermine the continuity and comprehensiveness of care. It concludes that understanding these itineraries through the lenses of intersectionality and the social determination of health is essential to improving mental health practices and advancing public policies capable of confronting the structural inequalities that permeate the health–illness–care process.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/1831
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso aberto
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectItinerário Terapêutico
dc.subjectDeterminação Social da Saúde
dc.subjectEnquadramento Interseccional
dc.subjectDissertação Acadêmica
dc.subjectDissertação Acadêmica
dc.subject.otherDeterminação Social
dc.subject.otherInterseccionalidade
dc.titleItinerários terapêuticos de usuários da Saúde Mental em uma periferia de Contagem-MG: um estudo interseccional no Distrito Sanitário de Vargem das Flores
dc.title.alternativeTherapeutic itineraries of Mental Health service users in the periphery of Contagem, MG: an intersectional study in the Vargem das Flores Health District
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor-co1Carlos Eduardo Menezes Amaral
local.contributor.advisor-co1IDhttps://orcid.org/0000-0002-1719-1080
local.contributor.advisor-co1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8685066988118879
local.contributor.advisor1Elis Mina Seraya Borde
local.contributor.advisor1IDhttps://orcid.org/0000-0001-5560-6956
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/2852284957748232
local.contributor.referee1Alzira de Oliveira Jorge
local.contributor.referee1Renato Diniz Silveira
local.contributor.referee1Mônica de Oliveira Nunes de Torrenté
local.contributor.referee1Elis Mina Seraya Borde
local.contributor.referee1Carlos Eduardo Menezes Amaral
local.description.embargo2025-11-10
local.description.resumoNo Brasil, a saúde é tida como um direito constitucional de todo cidadão. Entretanto, historicamente um panorama nacional de profundas desigualdades sociais vem colocando desafio para o Sistema Único de Saúde na efetivação desse direito. Tomando-se mais especificamente o campo da Saúde Mental, frequentemente verifica-se que a cidadania da pessoa acometida por sofrimento mental não está garantida. Em meio a este contexto, este trabalho, elaborado no formato de dissertação de Mestrado, objetivou compreender os itinerários terapêuticos de pessoas que tenham apresentado intenso sofrimento psíquico e estavam em acompanhamento psicossocial na atenção básica do Distrito Sanitário de Vargem das Flores, território periférico marcado por extrema vulnerabilidade social no município de Contagem-MG. Trata-se de pesquisa qualitativa fundamentada na metodologia dos itinerários terapêuticos, amplamente utilizada na Saúde Coletiva para apreender as trajetórias de cuidado. A partir dessa abordagem, busca-se compreender o universo subjetivo dos usuários da rede de saúde mental no território, identificando percursos, barreiras e estratégias mobilizadas na busca por atenção, bem como os sentidos atribuídos às experiências de adoecimento e cuidado. A coleta de dados foi realizada a partir de entrevistas narrativas com dez participantes adultos, majoritariamente mulheres negras de baixa renda e escolaridade, cujos relatos foram analisados por meio da Análise Temática Reflexiva. Contribuições da teoria social crítica da interseccionalidade e da perspectiva da determinação social do adoecimento demonstraram importância significativa na abordagem da realidade estudada. Os resultados revelaram como racismo, machismo, pobreza e estigma associado ao adoecimento psíquico se interseccionam e participam desde a produção do sofrimento em si quanto no percurso pela busca de cuidados. Identificou-se que os usuários, longe de serem agentes passivos, desenvolvem estratégias complexas de navegação entre redes formais e informais de cuidado, com destaque para papel importante da fé, religiosidade e saberes tradicionais como mecanismos adicionais e complementares de cuidados. A análise evidenciou significativas barreiras de acesso aos serviços especializados, um cuidado em saúde mental na atenção básica excessivamente centrado na figura do médico e grande rotatividade de profissionais como fatores que comprometem a integralidade da assistência. Conclui-se que a compreensão desses itinerários à luz da interseccionalidade e determinação social do adoecimento é fundamental para a qualificação das práticas em saúde mental, apontando para a necessidade de políticas públicas que confrontem as desigualdades estruturais que permeiam o processo saúde-doença-cuidado.
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentMED - DEPARTAMENTO DE MEDICINA PREVENTIVA SOCIAL
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Saúde Pública
local.subject.cnpqCIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
local.subject.cnpqCIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA::SAUDE PUBLICA
local.subject.cnpqOUTROS::CIENCIAS SOCIAIS

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