Proteção materno-fetal da exposição à cocaína pela imunização pré-gestacional com a vacina anti-cocaína
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Amaury Cantilino da Silva Júnior
Yael Abreu Villaça
Maria Eugénia Galardo Alba
Paula Carolina Mendes Campos
Yael Abreu Villaça
Maria Eugénia Galardo Alba
Paula Carolina Mendes Campos
Resumo
A dependência à cocaína e crack é um problema mundial de saúde pública para o qual ainda não existem fármacos aprovados para o tratamento. A apresentação de moléculas de cocaína ao sistema imunológico por meio de estruturas químicas imunogênicas é capaz de induzir a produção de anticorpos que podem realizar antagonismo farmacocinético à droga, reduzindo seus efeitos sistêmicos e a autoadministração da droga. O estudo das imunoterapias é um campo promissor para o tratamento da dependência química à cocaína. O GNE-KLH é um imunoconjugado que apresentou eficácia satisfatória na produção de anticorpos anti-cocaína e reversão dos efeitos da droga em ensaios pré-clínicos. A exposição pré-natal à cocaína e crack induz desfechos obstétricos e pós-natais negativos nas mães, feto, recém-nascido e na criança e adolescente. Nesse contexto, o objetivo do trabalho foi avaliar se a imunoterapia com GNE-KLH para a dependência à cocaína pode fornecer proteção materno-fetal contra desfechos negativos obstétricos e pós-natais associados à exposição pré-natal à droga. No primeiro experimento, ratas adultas receberam GNE-KLH (500 µL de emulsão 0,035 µL/mL, i.p.) ou placebo (adjuvante de Freund completo ou incompleto) nos tempos D0, 7, 21 e 42 e foram acasaladas no tempo D35. Determinou-se o ganho de peso durante a gestação, tempo de gestação, mortalidade materna, tamanho da ninhada e mortalidade de filhotes. No segundo experimento, as mães foram imunizadas conforme o protocolo anterior e receberam uma dose diária de 20 mg/kg de cocaína durante os dois períodos gestacionais avaliados. Os parâmetros gestacionais do primeiro experimento também foram avaliados neste segundo protocolo. O ELISA determinou a presença e a especificidade dos anticorpos IgG e IgM anti-cocaína no soro das mães e filhotes e no leite materno. O modelo de campo aberto determinou o efeito da cocaína na prole após o desmame e na idade adulta. Os resultados demonstram que: 1. ratas vacinadas com GNE-KLH produzem e mantem títulos de anticorpos IgG e IgM anti-cocaína durante duas gestações, corroborando a eficácia da vacinação nas mães, 2. na presença da exposição gestacional à cocaína, houve redução dos desfechos obstétricos negativos nas ratas vacinadas, 3. encontramos presença de anticorpos IgG anti-cocaína nos filhotes, confirmando a transferência passiva dos anticorpos, 4. encontramos presença de anticorpos IgG anti-cocaína no leite materno, confirmando um dos mecanismos de transferência desses anticorpos, 5. encontramos redução dos efeitos comportamentais da administração de cocaína nos filhotes após o desmame, mas não na idade adulta e, 6. os anticorpos apresentam especificidade pela droga, ratificando os resultados anteriores. Esses resultados sugerem que a imunoterapia com GNE-KLH para dependência à cocaína pode fornecer proteção materno-fetal contra desfechos negativos associados à exposição intrauterina à droga e no período pós-natal imediato.
Abstract
Assunto
Cocaína, Cocaína crack, Transtornos relacionados ao uso de cocaína/terapia, Gravidez, Troca materno-fetal, Imunoterapia, Vacinas, Ensaio de Imunoadsorção Enzimática, Anticorpos anti-idiotípicos, Feminino, Ratos
Palavras-chave
Cocaína, Crack, Exposição pré-natal, Gestação, Imunoterapia, Vacina anti-cocaína, GNE-KLH