Crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade: avaliação da reação inflamatória através da dosagem da proteína c-reativa ultra-sensível e prevalência de síndrome metabólica
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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MARIA ARLETE MEIL SCHIMITH
Ana Lucia Pimenta Starling
Ana Lucia Pimenta Starling
Resumo
INTRODUÇÃOA prevalência da obesidade vem aumentando em todo o mundo, tanto em adultos quanto em crianças, sendo hoje considerada uma epidemia em países desenvolvidos e em desenvolvimento. A ocorrência da obesidade na vida adulta está relacionada a várias co-morbidades e a mortalidade aumentada, especialmente por doenças cardiovasculares e diabete. O excesso de peso na infância também está relacionado ao maior risco de morte prematura na vida adulta. A criança obesa tem grande chance de continuar obeso quando adulto, gerando uma preocupação maior com o excesso de gordura corporal naquela faixa etária. A associação entre obesidade, doença cardiovascular e diabete foi demonstrada em vários estudos, porém sem definição de causalidade. Recentes pesquisas têm apontado a reação inflamatória como fator comum entre essas doenças. O tecido adiposo secreta citocinas inflamatórias (fator de necrose tumoral - e interleucina-6) que têm ação no endotélio vascular e no metabolismo da glicose e dos lipídios. Esta reação inflamatória pode ser mensurada através da dosagem da proteína C-reativa ultra-sensível (PCR-US). Vários estudos têm demonstrado que indivíduos com excesso de gordura corporal têm maiores concentrações de PCR-US. Alguns indivíduos com excesso de peso podem agrupar sinais e sintomas que são denominados síndrome metabólica (SM), especialmente caracterizada por resistência à ação da insulina. Os portadores de SM podem apresentar distúrbio do metabolismo da glicose (intolerância à glicose ou diabetes), hipertensão arterial, dislipidemia aterogênica (elevação dos níveis de triglicérides, baixos níveis de HDL colesterol) e obesidade visceral ou central. Podem também apresentar: esteato-hepatite, síndrome do ovário policístico, acanthosis nigricans. Este conjunto de alterações clínico-laboratoriais é responsável por elevada morbi-mortalidade.OBJETIVOS- determinar as concentrações PCR-US em 245 crianças e adolescentes obesos e não obesos e examinar sua correlação com o índice de massa corporal (IMC) e variáveis metabólicas.- demonstrar a prevalência de síndrome metabólica (SM) em crianças e adolescentes com excesso de peso, descrever as principais características clínico-laboratoriais e avaliar a associação com a reação inflamatória através da dosagem da PCR-US.MÉTODOSEstudo transversal comparativo de grupos paralelos, sendo um grupo de crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade (Grupo Obesidade) e grupo controle de crianças e adolescentes não obesos (Grupo Controle). Foi realizada comparação dos valores médios da PCR-US nos dois grupos e correlação da PCR-US com variáveis clínico-laboratoriais (IMC, idade, pressão arterial, lípides, glicemia, insulinemia) no grupo obesidade. Para calcular a prevalência de SM, foram incluídos 107 crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade atendidos no ano de 2004 no Ambulatório de doenças nutricionais do HC-UFMG, que realizaram dosagem de PCR-US. Os pacientes foram divididos em dois grupos, portadores ou não de SM. Foram comparadas as médias de idade, circunferência da cintura, insulinemia, resistência à insulina, PCR-US e a freqüência de hipertensão arterial e dislipidemia. RESULTADOS As concentrações da PCR-US foram significativamente maiores no grupo obesidade que no grupo controle e relacionaram-se com o IMC e com as dosagens de triglicérides. Após ajuste pelo IMC, a relação entre PCR-US e triglicérides foi atenuada, deixando de ter significância estatística (p=0,10). Foram classificados como portadores de SM 38,3% dos pacientes. As principais alterações encontradas neste grupo foram: percentil do IMC acima de 97 (92,7%), hipertrigliceridemia (73,2%), resistência à insulina (70%) e HDL baixo (60,9%). As médias da insulinemia de jejum, da resistência à insulina (HOMA) e da circunferência da cintura foram maiores no grupo com SM quando comparadas ao grupo sem SM. A média da PCR-US no grupo com SM foi superior à do grupo sem SM, porém sem significância estatística.CONCLUSÕES Os valores da PCR-US se elevaram, à medida que o IMC se elevou. A maioria dos indivíduos sem excesso de peso teve concentrações de PCR-US abaixo de 2mg/L. A reação inflamatória, detectada em crianças e adolescentes com excesso de peso, pode ser um fator inicial responsável pelas co-morbidades associadas à obesidade.A prevalência de SM foi elevada nesta população de crianças e adolescentes obesos. Nenhum paciente apresentou diabetes ou intolerância à glicose, sendo freqüente a resistência à insulina. A reação inflamatória, mensurada através da PCR-US, parecer fazer parte do quadro de SM na população pediátrica.
Abstract
Assunto
Doenças cardiovasculares, Diabetes mellitus, Pré-escolar, Adolescentes, Ciências da saúde, Sobrepeso, Síndrome X Metabólica, Obesidade, Proteína C-reativa, Criança, Adolescente
Palavras-chave
mellitus, 0besidade nas crianças, Síndrome, X metabólica, Sistema cardiovascular/Doenças, Diabetes, Proteína C-reativa, Adolescência, Inflamação