No fim-final do sertão: dominação social no capitalismo de crise e a rapina de terras pela “milícia do agro” norte-mineira
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Felipe Nunes Coelho Magalhães
Marildo Menegat
Débora Assumpção e Lima
Marildo Menegat
Débora Assumpção e Lima
Resumo
Instrumento daqueles que personificam as categorias econômicas da hodierna forma social, a
violência é o principal meio de subjugação de populações nos mais diversos processos de
acumulação ocorridos ao longo da história do capital. Assolado por uma crise fundamental, que
o comprime no beco da história da valorização do valor, o capital encurralado tem a violência
como recurso para apropriação das “últimas fontes de criação duradoura de valor”
(BEDSZENT, 2014). Sob esta fase, o fortalecimento de circuitos econômicos baseados na
rapina exige a criação de aparelhos repressivos a eles compatíveis, o que tem gerado a
insurgência de milícias em áreas urbanas e rurais especialmente na periferia do mercado
mundial. As históricas disputas por terras no Brasil são hoje marcadas por esse que se mostrou
ser um traço típico da derrocada da forma social capitalista – embora em aparência possam
remeter a formas de violência típicas de tempos passados (como as que deram origem ao
sistema coronelista). Como meio para subjugar e forçar expropriações de comunidades rurais,
donos de terras do assim chamado “sertão mineiro” têm se organizado desde 2017 no entorno
de uma milícia intitulada Movimento Segurança no Campo. A milícia ascende junto dos
recentes movimentos de extrema-direita ruralista até aqui ligados ao que Pompeia (2022)
chamou de “agrobolsonarismo”. Longe de remeterem a práticas de violência antigas ou a
relações atrasadas, as ações perpetradas pela milícia integram um atualíssimo processo de
asselvajamento dos métodos de repressão que ancora um processo de rapina de terras no norte
de Minas Gerais, embora não seja esse o único fim a que se destina a organização. Objetivo
com esta análise propor possíveis nexos entre a milícia Movimento Segurança no Campo e o
processo de crise fundamental do capital, buscando compreender algumas das particularidades
de sua emergência enquanto manifestação de uma forma histórica de violência. A partir de
anotações feitas em conversas com representantes de entidades envolvidas nas disputas
fundiárias interrogo o contexto de emergência dessa expressão de violência vinculada à milícia,
refletindo sobre o seu sentido econômico e extra econômico. Além de pesquisa bibliográfica
que informa sobre o atual cenário das relações produtivas norte mineiras, foram realizadas
incursões a campo durante os anos de 2020 e 2021 no município de Montes Claros, base de
articulação da milícia, mas também dos movimentos de luta pela terra por ela assediados.
Proponho que, embora as disputas por recursos (como terra e água) que parecem representar
“as últimas fontes de criação duradoura de valor” (BEDSZENT, 2014) no norte de Minas Gerais
sejam determinantes para o surgimento das milícias, há motivações para a sua emergência que
escapam ao cálculo econômico, estas, insufladas por aspectos de um radicalismo de direita
tipicamente brasileiro.
Abstract
Assunto
Capitalismo, Crise econômica, Agroindústria – Minas Gerais, Milícias
Palavras-chave
Crise do capitalismo, Forma social, Violência, Milícia, Extrema-direita