Perfil dos pacientes atendidos no centro multidisciplinar de dor do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
OBJETIVO: Avaliar a dor crônica de forma multidimensional e examinar sua influência na
condição socioeconômica, funcionalidade, qualidade de vida e transtornos psiquiátricos.
MÉTODOS: Foram entrevistados 103 pacientes do Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital
das Clínicas da UFMG, aplicando questionários em dispositivos móveis e programa computacional
próprio. Dados socioeconômicos e instrumentos para avaliação multidimensional da
dor foram coletados. A população do estudo foi estratificada em dor leve, moderada e intensa,
e, posteriormente, foram realizadas análises descritiva, comparativa e multivariada, a fim de
identificar variáveis que contribuíram para o desfecho analisado.
RESULTADOS: Os pacientes apresentaram idade mediana de 55 anos, predominantemente
do sexo feminino, casados, raça branca e ensino médio completo. A maioria dos pacientes
encontravam-se aposentados por invalidez e os impactos financeiros apresentaram correlação
com a intensidade da dor. A idade apresentou-se como fator de risco para a intensidade da dor,
enquanto sexo, renda familiar e tempo de dor comportaram-se como fatores de proteção. A análise
demonstrou incapacidade severa e baixa qualidade de vida dos pacientes. 16,5% dos pacientes
foram diagnosticados com ansiedade, 13,59% com depressão e 34,95% apresentaram ansiedade
e depressão. Aqueles com piores pontuações na funcionalidade psicossocial apresentaram maior
associação com ansiedade e depressão, enquanto pacientes com melhores resultados no item
saúde mental da qualidade de vida apresentaram menos chances de associação com ansiedade e
depressão. Na avaliação qualitativa da dor, utilizando o Questionário de McGill, pacientes com
maior intensidade de dor apresentaram maiores Índices de Dor no componente afetivo. Houve
correlação positiva entre o Índice de Dor de McGill com a presença de ansiedade e depressão e
correlação negativa com parâmetros da avaliação de qualidade de vida. De todo o grupo estudado,
74,76% apresentaram dificuldade severa para dormir.
CONCLUSA¯ O: A dor crônica foi associada a incapacidade severa e saída do mercado de trabalho,
com impacto negativo na condição financeira. A idade, sexo, renda familiar e tempo de dor
apresentaram associação direta com a intensidade da dor. Na presença de sintomas de ansiedade
e depressão, a dor crônica gerou severa incapacidade funcional e psicossocial, e baixa qualidade
de vida, se relacionando de forma direta com a intensidade da dor. Além disso, a presença
de ansiedade e depressão alterou a avaliação qualitativa de dor, tornando-a mais desagradável.
Os distúrbios de sono foram muito prevalentes sendo mais uma fator que contribuiu para a
deterioração da qualidade de vida.
Abstract
OBJECTIVE: To assess chronic pain in a multidimensional way and examine its influence on
socioeconomic status, functionality, quality of life and psychiatric disorders.
METHODS: 103 patients from the Multidisciplinary Pain Center of the Hospital das Clínicas of
UFMG (Federal University of Minas Gerais) were interviewed, by applying questionnaires on
mobile devices and its own computer program. Socioeconomic data and tools for multidimensional
pain assessment were collected. The population of the study was stratified into mild, moderate and
severe pain, and subsequently descriptive, comparative and multivariate analyzes were performed
in order to identify variables that contributed to the analyzed outcome.
RESULTS: The patients had a median age of 55 years, were predominantly female, married, white
and had completed high school. Most patients were retired due to disability and financial impacts
presented correlations with pain intensity. Age was a risk factor for pain intensity, while gender,
family income and duration of pain behaved as protective factors. The analysis showed severe
disability and low quality of life for patients. 16.5% of the patients were diagnosed with anxiety,
13.59% with depression and 34.95% presented both anxiety and depression. Those with worse
scores in psychosocial functioning were more likely to be associated with anxiety and depression,
while patients with better results in quality of life were less likely to be associated with anxiety
and depression. In the qualitative assessment of pain, using the McGill Questionnaire, patients
with greater pain intensity had higher Pain Indexes in the affective component. There was a
positive correlation between the McGill Pain Index and the presence of anxiety and depression
and a negative correlation with quality-of- life assessment parameters. Of the entire group studied,
74.76% had severe difficulty sleeping.
CONCLUSION: Chronic pain was associated with severe disability and leaving the job market,
with the associated negative impact on financial condition. Age, gender, family income and
duration of pain were directly linked to pain intensity. In the presence of symptoms of anxiety
and depression, chronic pain generated severe functional and
psychosocial disability, and also low quality of life, directly relating to pain intensity. Furthermore,
the presence of anxiety and depression altered the qualitative assessment of pain, making it more
unpleasant. Sleep disorders were very prevalent, posing as one more factor that contributed to
the deterioration of quality of life.
Assunto
Dor Crônica, Qualidade, Acesso e Avaliação da Assistência à Saúde, Qualidade de Vida, Fatores Socioeconômicos
Palavras-chave
dor crônica, avaliação multidimensional, funcionalidade, qualidade de vida, nível socioeconomico